segunda-feira, setembro 28, 2009

Controle biológico - um bom negócio

A utilização de métodos "não tradicionais" para a produção agrícola pode ser muito viável. Entre estes métodos um muito eficiente é o controle biológico. A reportagem abaixo do Valor Econômico que encontrei no Ethanol Brasil Blog comenta o assunto e ainda mostra o controle biológico tornou-se um bom negócio com produtos sendo até exportados. Como curiosidade fica a informação que tal prática é extremamente difundida no setor canavieiro e muitas usinas tem instalações para produção dos insetos:

Vespas, um negócio em expansão


No Século III, os chineses aprenderam a utilizar formigas para combater pragas que atacavam as lavouras de laranjas. No Brasil, só a partir da década de 90 agricultores brasileiros passaram a adotar o controle biológico como alternativa ao uso de defensivos. O domínio de técnicas para reprodução em laboratório de parasitoides - como nematoides, vespas, moscas, larvas - e seu transporte e conservação é recente e foi conquistado por poucas empresas no país.

Na categoria vespas, a BUG Agentes Biológicos, de Piracicaba (SP), divide o mercado com a Megabio Produtos Biológicos e chega ao fim do terceiro trimestre com exportações firmes e crescimento no mercado interno de 15%. "O gênero Trichogramma é o mais estudado no mundo, mas não havia produção em larga escala no Brasil. Nosso mérito foi desenvolver um sistema eficaz de produção e distribuição", diz o sócio-diretor da empresa, Diogo Carvalho.

A empresa produz em laboratório vespas do gênero Trichograma, que se alimentam dos ovos de outras pragas, e do gênero Cotesia flavipes, que se alimentam de larvas. Esses insetos, que medem cerca de um quarto de milímetro quando adultos, eram tradicionalmente vendidos em pequenas caixas de plástico, com centenas de insetos que eram lançados em pontos específicos da lavoura. A BUG, porém, desenvolveu um método em que os insetos são transportados em folhas descartáveis de papel, facilitando a sua conservação no trajeto até o campo.

Para fazer o controle biológico, são necessários 100 mil parasitoides por hectare. De acordo com Carvalho, a empresa tem capacidade para tratar 2 mil hectares por dia com esses insetos. O controle para que as vespas não se tornem uma nova praga no campo é feito no laboratório. A empresa só comercializa insetos estéreis. No campo, eles duram entre sete e dez dias. O número de liberações dos insetos varia conforme a cultura. Para uma plantação de milho são necessárias três liberações por safra; na lavoura de soja, duas, e no campo de tomateiros, uma liberação por semana.

A BUG fornece parasitoides para produtores de cana de açúcar, milho, soja, algodão e tomate. Até setembro, segundo Carvalho, a demanda estava 15% maior que no ano passado. "A expectativa é de que as vendas no ano cresçam acima desse patamar porque a demanda aumenta a partir de outubro, com o plantio das safras de verão", afirma. Em janeiro, a empresa instalou uma nova unidade em Campo Grande (MS) para fazer frente à demanda aquecida.

Outro produto comercializado pela empresa são ovos da traça Anagasta kuehniella, que são exportados. "Os ovos são usados para alimentar predadores e são exportados principalmente para a Europa", diz Carvalho. Os ovos são exportados por correio e por quilo. A previsão da empresa é repetir o mesmo faturamento obtivo no ano passado com as exportações, de aproximadamente US$ 1,1 milhão. As exportações respondem por 20% dos negócios da BUG.

Resultados diferentes tem obtido sua concorrente, de Uberlândia (MG), a Megabio Produtos Biológicos. A empresa, que também tem nove anos de existência, parou de exportar, revela o diretor da empresa, Adalberto Lúcio Borges. "Exportamos nos últimos três anos para Israel, Bélgica, Holanda, Estados Unidos e Paraguai. Mas o dólar não compensa", afirma. Segundo o executivo, o valor da vespa no mercado internacional é definido uma vez por ano. No Brasil, o quilo de ovos é comercializado a R$ 4,5 mil, em média. No mercado internacional, o quilo está cotado a US$ 950 (aproximadamente R$ 1,7 mil). Borges preferiu não informar quanto de sua produção era exportada, mas disse que, apesar disso, conseguiu manter estável o nível de produção e vendas - em volume suficiente para atender 2 mil hectares de lavoura por dia.

Nenhum comentário: