segunda-feira, agosto 31, 2009

Aviação agrícola - Brasil é o 2º mercado mundial

A aviação agrícola nunca despertou muito interesse nos estudiosos de máquinas agrícolas. Desde minha graduação, muitos anos atrás, já li muita coisa sobre mecanização, mas muito pouco sobre aviação. Parece até que o tema é de pouca importância para o agronegócio brasileiro.

Entretanto, a notícia abaixo que encontrei no Canal Rural fala exatamente o contrário, pois somos o segundo maior mercado do mundo, além de ter uma indústria aeronaútica de respeito:

Brasil é o segundo maior mercado mundial de aviação agrícola
Setor apresenta crescimento de 5% ao ano

De acordo com o Sindicato Nacional das Empresas da Aviação Agrícola (Sindag), o setor tem apresentado um crescimento de 5% ao ano. A entidade afirma que esse número significa o ingresso anual de 50 novos aviões na frota de aeronaves agrícolas do país.

Quase seis décadas depois do primeiro vôo agrícola do Brasil, o setor representa o segundo maior mercado no segmento do mundo. São 300 empresas especializadas e cerca de 1,4 mil aviões, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

A expectativa dos empresários é ampliar o crescimento nos próximos anos e, para isso, especialistas do setor defendem um maior investimento em tecnologia, revisão de conceitos técnicos e integração efetiva com o agronegócio

Acúcar e etanol - entenda melhor os preços atuais

Os preços do etanol e do açúcar estão um pouco diferente dos anos anteriores devido a uma série de motivos internos e externos. As notícias abaixo, compiladas de várias fontes, tem como objetivo esclarecer o tema:

Clima influencia preços

As empresas, que no primeiro semestre sofreram com os baixos preços praticados no mercado de etanol, estão otimistas em relação aos próximos meses do ano. José Carlos Grubisich, presidente da ETH, chegou a falar em R$ 1 por litro durante a entressafra, que começa em dezembro, durante a inauguração da sua primeira usina no Estado de Goiás, na semana passada.

Um dos fatores que deverão influenciar no aumento dos preços é a queda na produção de cana-de-açúcar devido às chuvas acima da média no mês de agosto. Em São Paulo, a região de Piracicaba deixou de colher cerca de 3 milhões de toneladas de cana, gerando um prejuízo de R$ 140 milhões de toneladas na cadeia do açúcar e de R$ 78 milhões no setor de álcool. Os números são da Associação dos Fornecedores de Piracicaba. Isso porque eram esperados 25 mililitros, no entanto, a média já ultrapassa 79 mililitros.

No Centro-Sul do País, a maior região produtora mundial, as chuvas de agosto foram as mais intensas de mais de seis décadas e só na segunda quinzena deste mês devem ser responsáveis por uma redução para 30 milhões de toneladas, em relação aos 40,1 milhões de toneladas da primeira quinzena. "A gente moeu menos cana nesta quinzena", disse Maurílio Biagi Filho, principal executivo da produtora de açúcar e etanol Maubisa Agrícola . "A chuva tem atrapalhado", afirmou.

Os rendimentos da atual temporada de colheita do Brasil, de abril a novembro, vão cair para o nível mais baixo de pelo menos dez anos devido à chuva, segundo Antonio Pádua, diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Segundo especialistas, os produtores brasileiros estão desacelerando a colheita quando chove porque a umidade reduz o teor de sacarose da cana, o composto processado em açúcar e etanol (DCI, 31/08/09)

Déficit global sustenta forte valorização do açúcar

Os preços futuros do açúcar fecharam com forte alta na sexta-feira, nas bolsas internacionais, ainda sustentados por notícias de produção menor da Índia, segundo maior produtor global, e clima chuvoso afetando o ritmo da colheita de cana no Centro-Sul do Brasil. Em Nova York, os contratos para janeiro encerraram, na sexta-feira, a 24,20 centavos de dólar por libra-peso, aumento de 86 pontos. Em Londres, os contratos para dezembro fecharam a US$ 601 a tonelada, elevação de US$ 17,50.

Neste ano, os preços do açúcar acumulam valorização de 97% em Nova York e já alcançam o maior valor dos últimos 28 anos.

"Não há vendedor no mercado. As usinas brasileiras estão fixadas e boa parte não se beneficiou destas recentes altas", afirmou Rodrigo Costa, da Newedge, corretora com sede em Nova York. A Índia deverá elevar suas importações para 4 milhões de toneladas. "Isso também tem sustentado as cotações", disse.

Analistas de mercado mantêm o discurso de que os preços futuros do açúcar podem ultrapassar os 30 centavos de dólar por libra-peso nos próximos meses. A demanda global pelo produto deverá superar a produção em 9,35 milhões de toneladas, segundo a Organização Internacional do Açúcar (OIA), informou a Bloomberg. Para a próxima safra, o déficit poderá atingir 5 milhões de toneladas.

No Brasil, as chuvas sobre os canaviais em agosto foram as mais intensas das últimas seis décadas, de acordo com informações do empresário do setor Maurílio Biagi Filho, à Bloomberg. Por conta das chuvas, a produção de açúcar e álcool deverá ser menor no país (Valor, 31/08/09)

Açúcar: Oferta Menor

O adiamento de projetos de usinas freou a oferta de cana-de-açúcar nova no centro-sul. Em 2007, houve crescimento de 70 milhões de toneladas, volume que recuou para 60 milhões em 2008 e para 45 milhões neste. No próximo, deve ser de apenas 30 milhões (Folha de S.Paulo, 29/08/09)

Açúcar bate novo recorde em 28 anos

Os preços futuros do açúcar tipo demerara bateram novo recorde em 28 anos ontem em Nova York, na ICE Futures US. O contrato mais negociado, com vencimento em outubro, subiu 4,58% e fechou cotado a 23,52 cents/lb. O mercado voltou a ser impulsionado pela preocupação com o desequilíbrio entre oferta e demanda, que deve pressionar os estoques mundiais ao longo da safra 2009/10. O problema foi agravado por mais uma quebra na produção de cana da Índia, maior consumidor mundial de açúcar (O Estado de S.Paulo, 29/08/09)

Algodão:Brasil ganha dos EUA na OMC

Parece que, pelo menos, a batalha do algodão contra os EUA está vencida. Isso mostra que temos que lutar incessantemente contra os subsídios dos países mais poderosos. A notícia abaixo do G1 explica melhor esta vitória:

OMC dá razão ao Brasil em disputa com EUA sobre o algodão
Brasil poderá retaliar EUA em pelo menos US$ 294,7 milhões por ano. País pretendia obter US$ 2,5 bilhões anuais em sanções comerciais.

A Organização Mundial de Comércio (OMC) aprovou uma compensação ao Brasil em sua disputa com os Estados Unidos sobre subsídios ao algodão norte-americano, em decisão divulgada nesta segunda-feira (31).

A decisão dá sinal verde para o Brasil retaliar os Estados Unidos em pelo menos US$ 294,7 milhões por ano, por causa da manutenção de subsídios ao algodão por parte dos americanos. A sanção pode aumentar, pois a OMC deu uma fórmula para o Brasil calcular o montante com base nos subsídios à exportação dados pelos EUA a seus produtores de algodão.

Quanto à retaliação cruzada, ou seja, com quebra de patentes, fica dependendo de o montante da sanção ser bem maior do que os US$ 294,7 milhões que foram calculados pela OMC com base no comércio americano de 2006. Assim, pelo valor de 2008, o Brasil só poderia aplicar a retaliação cruzada quando o valor da sanção alcançasse US$ 409,7 milhões.

O Brasil pretendia obter US$ 2,5 bilhões anuais em sanções comerciais retaliatórias - o que normalmente seria na forma de tarifas adicionais sobre importações de bens norte-americanos -, mas os Estados Unidos disseram que um número de US$ 20 a US$ 30 milhões era o apropriado.

Brasília calcula que os subsídios americanos aos produtores de algodão tenham chegado a US$ 12 bilhões entre 1999 e 2002, enquanto o valor das colheitas foi de US$ 13,9 bilhões durante o mesmo período, o que significa uma taxa média de subsídio de 89,5%.

O Brasil alega que os subsídios dados pelos EUA prejudicaram os produtores brasileiros ao elevar a fatia americana no comércio de algodão (39%), baixar os preços internacionais e tirar o Brasil de terceiros mercados.

Histórico

O caso foi apresentado na OMC em 2002 pelo Brasil, que havia ganho uma primeira vez em 2004 e depois, em apelação, em 2005. Como não obteve resposta satisfatória, Brasília apresentou queixa novamente contra os EUA em 2006, vencendo mais uma vez em dezembro de 2007. O órgão de apelação da OMC confirmou sua decisão em junho de 2008. Na época, os relatórios dos árbitros da organização estabeleceram que o programa de garantia do crédito a exportações citado consistia em um caso de subsídio às exportações. Segundo esta condenação, os EUA foram intimados a agir de acordo com as regras da OMC e de revisar seus subsídios, caso contrário seriam expostos a sanções brasileiras.

Com informações do Valor Online, Reuters e France Presse

terça-feira, agosto 25, 2009

Energia dos resíduos da produção avícola

Sempre acreditei na utilização máxima dos resíduos das atividades agrícolas, principalmente por ter minha experiência no setor sucroalcooleiro onde tudo se aproveita. A utilização de excrementos animais é uma área de enorme ganho, pois além de gerar renda, resolvemos um sério problema ambiental.

A reportagem abaixo, que encontrei no AviSite, do Valor Econômico comenta esse assunto, mostrando o grande potencial:

Dejetos de animais podem gerar uma "Jirau"

Brasília, DF, 25 de Agosto - O reaproveitamento de matéria orgânica produzida na atividade agropecuária, sobretudo o esterco de animais, pode gerar um bilhão de kilowatts-hora por mês, quantidade equivalente à que será produzida pela usina hidrelétrica de Jirau e suficiente para abastecer uma cidade de até 4,5 milhões de habitantes. Produtores agropecuários dispostos a investir no negócio podem embolsar até R$ 1,5 bilhão com a venda da energia elétrica, segundo estudo recém-concluído pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em parceria com Itaipu Binacional.

A matéria orgânica de onde a energia pode ser gerada - classificada como biomassa residual - são dejetos sólidos e líquidos de animais e restos de vegetais inaproveitáveis para o consumo. Para fazer o tratamento dos efluentes é necessária a utilização de biodigestores que fazem sua degradação em processo que envolve uma etapa em total ausência de ar. Os climas tropicais - como o brasileiro - já facilitam essa degradação, pois possuem maior biodiversidade de bactérias necessárias no processo e o clima em si garante que o processo biológico ocorra.

Além da energia produzida, o tratamento produz biofertilizantes como subprodutos. O estudo sustenta que esse aproveitamento pode diminuir substancialmente a tradicional dependência brasileira de fertilizantes importados. Com o tratamento do estrume e de outras biomassas residuais, como a vinhaça de cana, pode-se produzir 85% do nitrogênio, 43% do potássio e 15% do fósforo necessários na safra de grãos 2008/09.

Só na criação de bois, aves e porcos confinados o país gera 180 milhões de toneladas de esterco. O dado não inclui a pecuária extensiva, que corresponde a mais de 85% da produção nacional, mas dá uma ideia da quantidade de material poluente despejado no meio ambiente. Sem tratamento adequado, o estrume contamina lençóis freáticos e leva até à pantanização de áreas, além de colaborar com o aquecimento global. Quando chega a depósitos de água, como rios e lagoas, o excremento libera grandes quantidades de metano - gás do efeito estufa considerado 21 vezes mais potente do que o dióxido de carbono. Estima-se que o Brasil emita cerca de 8% de todo o metano mundial.

Se todo o esterco animal do país se transformasse em energia limpa, deixaria de ser lançado na atmosfera o equivalente a 71,3 milhões de toneladas de CO2 - aproximadamente um terço do que o desmatamento da Amazônia gera anualmente em gases do efeito estufa. Com o direito de comercializar os créditos de carbono, essa redução de emissões poderia garantir aos criadores um faturamento anual de € 671 milhões - considerando o valor de € 9,41 por tonelada de CO2, como citado no estudo.

No Paraná, já existe mercado para a venda da energia extra produzida pelo tratameno dos efluentes. A Copel assinou em março deste ano os primeiros contratos para a aquisição de energia da biodigestão da matéria orgânica. Quatro produtores se interessaram em vender a energia, que no total soma 524 kilowatts. Na Granja Colombari, no município de São Miguel do Iguaçu, a energia gerada a partir dos excrementos de 3 mil porcos é vendida para a Copel e os produtores ainda comercializam os créditos de carbono, previstos no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Kyoto.

Ainda hoje bastante incipiente, a introdução de biodigestores no campo foi incentivada pelo governo entre 1979 e 1983, mas a experiência não rendeu bons resultados, principalmente devido às dificuldades tecnológicas. De lá para cá, o governo gradativamente diminuiu seus esforços, mas alguns produtores mantiveram o processo por iniciativa própria. Sem muito resultado, surgiram novos incentivos financeiros e regulatórios, como uma linha de crédito especial do BNDES para financiar até 90% dos projetos. Os investidores também ficam isentos da taxa de pesquisa e desenvolvimento, que alcança 1% da receita operacional líquida, e podem inscrever seus projetos no Proinfa, para a venda da energia à Eletrobrás, em contratos de 20 anos. Um pequeno subsídio oficial para tornar o mais primitivo dos produtos animais em fonte de bons negócios.(Paulo Victor Braga)

Etanol chega aos postos

Um posto em Ribeirão Preto foi o primeiro a utilizar a designação Etanol para o álcool combustível. A notícia abaixo da UNICA registra o fato:

Para UNICA, primeiro posto brasileiro a utilizar a expressão “etanol” é exemplo a ser seguido

Executivos da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) estiveram presentes na terça-feira (24/08/09), em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, no posto “Free Stop” para a substituição da expressão “álcool comum” por etanol nas bombas. O estabelecimento é o primeiro do Brasil a aderir à nova nomenclatura que vem sendo defendida pela UNICA desde 2007, e autorizada pela Agencia Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) desde abril deste ano.

Para Marcos Jank, presidente da UNICA, que acompanhou o evento, a mudança faz total sentido por causa do mercado interno e das expectativas de ampliação de exportações do etanol brasileiro no futuro, além de servir de exemplo aos demais postos de abastecimento. “Isto não só corrige um erro histórico, pois existem vários tipos de álcool e não é inteiramente correto chamar de álcool o combustível que colocamos em nossos carros, como adota o nome tecnicamente correto para o biocombustível, que é etanol,” destacou.

Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da entidade, também presente à inauguração, lembrou que o resto do mundo já utiliza a palavra etanol: “Isso vai facilitar as coisas para nossas empresas em termos de exportação, deixando claro que o produto brasileiro é exatamente aquele que vem sendo cada vez mais utilizado em várias partes do mundo.”

Nomenclatura consolidada

A prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera, e o diretor da Agencia Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Allan Kardec Duailibe, que estava em Ribeirão Preto para inauguração de um escritório da ANP na cidade e exposição sobre adulteração de combustíveis, também participaram do evento. “É um passo histórico para o desenvolvimento e a consolidação do etanol inclusive em termos globais, além de ser um marco para a cidade ter o primeiro posto com ‘etanol’ estampado nas bombas aqui, na capital brasileira deste biocombustível”, declarou Vera.

O posto pioneiro de bandeira Esso fica na Avenida Presidente Vargas, uma das principais de Ribeirão Preto. “Gostaríamos muito que a população e os companheiros do mercado participassem para fazer com que o etanol se torne uma commodity”, acrescentou Duailibe sobre a alteração da nomenclatura. Também acompanharam o evento o presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), Paulo Miranda Soares, o vice-presidente executivo do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Alísio Vaz e o empresário e conselheiro da UNICA, Maurílio Biaggi.


segunda-feira, agosto 24, 2009

Comércio de produtos agrícolas é afetado pela crise

Parece que a crise afetou o comércio de produtos agrícolas, conforme podemos verificar nesta notícia do Valor Econômico:

CRISE GLOBAL FAZ COMÉRCIO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS CAIR 16%

A crise econômica global provocou uma queda de 16,05% no comércio agricola internacional em valor no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2008, revelam dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

As exportações e importações agrícolas caíram 20% apenas entre janeiro e março, uma queda historica. O Japão, principal importador líquido de alimentos do mundo, teve queda de 53%, a China, de 17,3%, e os EUA, 24,3%. Desde então, o declínio nas exportações e importações diminuiu.

Dados do USDA, aos quais o Valor teve acesso, mostram que entre janeiro e junho o comércio agrícola dos EUA caiu 20,16% . Na União Europeia, o recuo foi de 25%, no Japão, de 6%, e na China, de 6,8%. A Argentina teve uma queda de 19% em seu comércio internacional. Já a Venezuela, que compra no exterior a maior parte do que consome, importou menos 65,7% no primeiro semestre, um recorde mundial. O país que se saiu melhor entre os que contam no comércio agrícola global foi o Brasil, com queda de apenas 0,58% nas trocas.

Entre os poucos que tiveram alta no comércio estão a Rússia, com 65%, a Ucrânia com 7,3%, a Guatemala, com 30,6%, e Hong Kong, com 5,7%, mas todos sem peso suficiente para frear a queda total.

O comércio agrícola só deve se recuperar com o fim da recessão, o que o USDA não espera que ocorra antes do último trimestre ou no primeiro trimestre de 2010.

Em 2008, as exportações agrícolas representaram 8,3% do comércio global de mercadorias de US$ 15,8 trilhões.

Para o USDA, a solução da crise passa por redução dos desequilíbrios globais, com efeitos substanciais para a composição de commodities de exportação e os grandes mercados para a agricultura americana, que depende de vendas externas de cereais, óleos, algodão e carnes.

Após o declínio de 2009, as importações agrícolas devem retomar o crescimento graças à alta do consumo nos países emergentes e e em desenvolvimento e do maior onsumo de carnes nesses países. No curto prazo (2009-2011), período em que o impacto da crise econômica deve ser mais sentido, as exportações agrícolas de países concorrentes vão crescer mais do que as exportações americanas, por causa dos custos mais altos dos produtores dos EUA. Nesse cenário, os principais beneficiários da redução da competitividade americana são o Brasil, no caso da soja, a União Europeia e a Austrália para o trigo, e Argentina para o milho, na avaliação do USDA.

Washington acredita, por outro lado, que suas exportaçoes de carnes podem crescer mais do que as dos concorrentes, refletindo em parte o forte crescimento esperado para importações de frango e carne bovina durante 2009-2011 e a capacidade de seus produtores de manter vantagem comparativa.

Os produtores americanos estão atentos à variação do dólar e ao comportamento da China como produtor e consumidor. Um dólar fraco ajuda estimula as exportações. E os chineses se tornaram importadores líquidos de várias commodities agrícolas nos últimos anos, devido ao aumento da população e ao forte crescimento econômico, movimento que tem afetado os preços internacionais.

domingo, agosto 23, 2009

Crise faz ações e commodities convergirem

Historicamente o comportamento das ações e das commodities seguem por caminhos distintos, porém o momento atual fez com aparecesse uma convergência entre elas. Esta convergência é a maior de 29 anos.

Devido à esta convergência, analistas ressaltam uma excessiva financeirização dos mercados futuros, que foram criados para proteger compradores e vendedores de altas flutuações. A notícia abaixo é do portal Estadão:

Commodities e ações têm a maior convergência de preços em 29 anos

A crise financeira mundial fez com que duas classes de ativos historicamente não relacionadas passassem a caminhar juntas. A convergência entre os preços de ações e de commodities ao longo dos últimos 12 meses aproximou-se de 80% - maior nível em 29 anos, aponta levantamento do banco de investimento Barclays Capital. Desde os anos 1970, a correlação média entre ambos foi de apenas 4%. Quanto mais próxima de zero é essa correlação, mais desatrelado está o comportamento desses ativos.

Commodities sempre foram vistas como um elemento de diversificação por investidores que aplicam seus recursos em papéis de empresas. Isso porque, em tese, os parâmetros que fazem oscilar os preços de matérias-primas são diferentes daqueles que explicam o sobe e desce das ações. É o que os economistas chamam de correlação negativa.

Essa divergência foi particularmente forte até meados do ano passado, antes do estopim da crise provocada pela quebra do banco Lehman Brothers nos Estados Unidos. Entre julho de 2007 e julho de 2008, o índice Dow Jones da bolsa de valores de Nova York acumulou queda de 15%. No mesmo período, o valor médio das commodities, medido pelo índice CRB, disparou 48% e alcançou o maior nível da história.

Nos 12 meses seguintes, o mercado estabeleceu um novo padrão, uníssono: as ações caíram mais 25%, desta vez acompanhadas pelas commodities, que desabaram 46%. Os dois mercados registraram seus menores níveis de preço em março e, desde então, deram início a uma vertiginosa recuperação. O índice Dow Jones subiu pouco mais de 40%, enquanto o CRB avançou cerca de 30% - ambos, para o maior nível desde novembro. Nos 13 pregões de agosto (até ontem), commodities e ações oscilaram na mesma direção em dez.

Presença de fundos especulativos

Essa evidente correlação positiva fez crescer ainda mais a desconfiança quanto ao bom funcionamento dos mercados futuros de matérias-primas, inicialmente destinados a proteger produtores e consumidores das oscilações de preço ao longo do tempo. O argumento dos críticos é de que a crescente participação de fundos especulativos nos pregões de energia, metais e produtos agrícolas acabou por "financeirizar" esses mercados, descolando-os de seus fundamentos. Ou seja, grandes investidores estariam operando commodities segundo a mesma lógica que os orienta a comprar e vender ações, provocando distorções lógicas.

"A falta de convergência entre preços físicos e futuros diminuiu de forma significativa a utilidade dos mercados futuros como instrumento de proteção para as empresas comerciais", afirmou recentemente Gary Gensler, presidente da Comissão de Comércio de Commodities e Futuros (CFTC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos. A CFTC estuda mecanismos para limitar a especulação em mercados como os de trigo e de petróleo.

O total aplicado por investidores em commodities cresceu de aproximadamente US$ 15 bilhões no início da década para mais de US$ 200 bilhões em 2008. "Hoje, os fundos já são responsáveis por 60% do movimento de futuros nas bolsas de commodities", lembra Steve Cachia, analista da corretora de grãos Cereapar.

Analistas reconhecem que a atuação dos fundos provocou distorções ao longo do último ano, mas não acreditam que a maior participação do capital especulativo assegure uma convergência definitiva entre os preços de commodities e ações.

"A correlação entre esses mercados é circunstancial. Seguramente, a entrada de investidores não cria uma tendência à convergência, porque os fundos podem entrar vendidos com a mesma facilidade com que entram comprados no mercado de commodities", afirma Bruno Rezende, economista da Tendências Consultoria.

Peso de fatores fundamentalistas

Os meses que antecederam a crise financeira provam essa tese. À época, investidores claramente apostaram na alta das commodities, respaldados pela forte demanda internacional, ao mesmo tempo em que apostaram contra o valor das ações e do dólar diante da deterioração da economia americana. Esses "spreads" foram desfeitos apenas quando ficou claro que a crise afetaria o consumo em todo o mundo.

Cachia lembra que, com a crise de confiança gerada pela quebra do Lehman Brothers, investidores liquidaram posições em todo tipo de investimento de risco, procurando abrigo em papeis seguros, como títulos do Tesouro americano. Mais recentemente, o sentimento de que a economia estaria se recuperando trouxe de volta a confiança do investidor, que voltou a colocar dinheiro no mercado como todo, sem grande distinção entre as classes de ativos.

"Hoje, o humor dos grandes investidores está atrelado à bolsa de valores. Mas, depois que os mercados se acomodarem, os parâmetros de oferta e demanda voltarão a ditar o comportamento de preço de cada produto", acredita Cachia.

Segundo Vinícius Ito, analista da corretora Newedge USA, em Nova York, períodos de crescimento acelerado ou recessão favorecem a convergência entre os preços dos ativos. "Em tempos de normalidade, a correlação entre commodities e ações é pequena. Mas quando existe uma tendência muito clara na economia, essa correlação fica mais forte", afirma. Tendências semelhantes foram observadas no início dos anos 1980 e em meados da década de 90.

"Embora as correlações positivas possam crescer em curtos períodos de tempo, a correlação mensal entre ações e commodities tem se mostrado insignificante desde os anos 1970. E é precisamente isso que se deve esperar para o futuro, já que commodities e ações são guiadas por diferentes fatores fundamentalistas - estas, pela expectativa de desempenho futuro, aquelas, pela interação em tempo real da oferta e da demanda", defende o Barclays Capital em sua análise.

O banco de investimento argumenta ainda que o fato de o crescimento da demanda mundial por matérias-primas ser cada vez mais puxado pelos países em desenvolvimento "reduz ainda mais o elo entre os tradicionais ciclos de negócios dos países desenvolvidos e os preços das commodities".

Biocombustíveis pelo mundo - retrato da situação atual

Encontrei no BrasilAgro a notícia abaixo que resume a situação atual da adoção de biocombustíveis pelo mundo.

BIOCOMBUSTÍVEL JÁ ALCANÇA O MUNDO INTEIRO

Um estudo do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento mostra as perspectivas dos biocombustíveis em todo o mundo. Na busca por energias renováveis e, principalmente, que emitam volume menor de gases que provocam o aquecimento global, o países adotaram programas de produção e uso de álcool para ser adicionado à gasolina e de biodiesel a partir das mais diversas matérias-primas e em porcentagens variadas.

O levantamento foi feito pelo Departamento de Cana-de-açúcar e Agroenergia do ministério. Confira:

AMÉRICA CENTRAL

El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Costa Rica prevêem uma produção de cerca de 500 milhões de litros até 2010, suficientes para atender a uma mistura de 10% na gasolina.

AMÉRICA DO SUL

Argentina - A regulamentação argentina estabelece que a partir de 1º de janeiro de 2010 será obrigatória a mistura de 5% de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel mineral. Em 2010, a demanda por etanol será de cerca de 250 milhões de litros e por biodiesel, de cerca de 715 milhões de litros. O país tem planos de atender a demanda doméstica com folga e se tornar exportador de biocombustíveis dentro de poucos anos.

Colômbia - Desde de 2006, já se usa E10 (mistura de 10% de etanol) nas cidades com mais de 500 mil habitantes: Bogotá, Cáli, Medellin, Barranquilla, Cartagena e Bucaramanga. Para atender a demanda são necessários, aproximadamente 150 mil hectares de cana-de-açúcar e 9 destilarias para produzir 985 milhões de litros de etanol ao ano. O país planeja aumentar a mistura para 20% a partir de 2012.

Equador - Estava previsto para julho o projeto piloto na cidade de Guayaquil, misturando 5% de etanol à gasolina. A demanda de 40 mil litros/dia deverá ser atendida por produção doméstica a partir de cana.

Paraguai - O Programa Nacional de Biocombustíveis foi estabelecido em abril de 2008. No ano passado, a produção nacional de biodiesel foi de cerca de 30 milhões de litros e a de etanol, de 70 milhões de litros. Em 2009 definiu-se a mistura obrigatória de 5% de biodiesel no diesel. Em março de 2009 mistura de etanol na gasolina foi elevada de 18% para 24%.

Peru - Em junho de 2006 o uso do etanol foi iniciado em sete regiões e em 2010 todo o país deverá usar E8. O governo peruano pretende exportar cerca de 1,15 bilhão de litros em 2010. No caso do biodiesel, a mistura de 5% será adotada este ano em cinco províncias e partir de 2010 em todo o país.

Uruguai - Em outubro de 2008 foi publicado decreto que regulamenta a Lei Nacional de Agrocombustíveis. A partir de 2009 iniciou-se a mistura obrigatória de 2% de biodiesel, mistura que subirá para 5% em 2012. No caso do etanol, a mistura entrará em vigor em 2015, com 5%.

Venezuela - O país planeja usar a mistura E10 e hoje em dia conta com importações do Brasil e produção doméstica. A Petrobras e a Petroleos de Venezuela S.A firmaram um acordo pelo qual a empresa brasileira já começou a exportar etanol para aquele país em lotes mensais de 25 milhões de litros. O projeto de desenvolvimento agroindustrial na Venezuela deve estar totalmente implantado em 2012, com 14 destilarias. Serão gerados 800 mil empregos diretos e indiretos e produzidos 20 mil barris diários de etanol a partir de 300 mil hectares de cana plantada.

AMÉRICA DO NORTE

Estados Unidos - O país produziu 34 bilhões de litros em 2008 por conta da entrada em operação de 31 novas destilarias. Atualmente, são 139 destilarias com capacidade de produção de cerca de 38 bilhões de litros. O nível de mistura é diferente de acordo como o Estado, sendo Minnesota o Estado com o maior nível de mistura, 10%. A produção norte-americana ocorre atualmente em 26 diferentes Estados. Existem também incentivos aos veículos E85, mas as 1.900 bombas para este tipo de combustível ainda estão restritas a regiões produtoras de etanol. O RFS (Renewable Fuels Standard) determina um consumo de 42 bilhões de litros de biocombustíveis em 2009 e o etanol deverá responder por cerca de 40 bilhões desta demanda. Os EUA produzem etanol a partir do milho.

Canadá - Para atender aos compromissos do Protocolo de Kyoto, o Canadá pretende substituir o consumo de 35% de sua gasolina com misturas de 10% de etanol, o que vai implicar a produção de 1,3 bilhão de litros. Para isso, sete destilarias são planejadas dentro do programa de expansão do etanol. As novas destilarias terão capacidade de produzir até 760 milhões de litros. Ontário, Saskatchewan e Manitoba já contam com instrumentos de incentivo à produção como subsídios, incentivos fiscais e obrigatoriedade de mistura. Além disso, também têm sido incentivados projetos para carros flex do tipo E85. Embora os projetos estaduais estejam em funcionamento, as perspectivas para adoção da mistura em nível nacional ainda são baixas.

México - O país tem planos de produzir 200 milhões de litros de etanol para atender a uma mistura de 2% na cidade de Guadalajara, a partir do quarto trimestre de 2010. Dependendo do resultado, a mistura pode ser estendida para a Cidade do México (demanda adicional de 530 milhões de litros ao ano) e para a cidade de Monterrey (demanda adicional de 150 milhões de litros ao ano) a partir de 2012. Para atender a tal demanda será necessário modernizar as usinas que já produzem álcool para outros fins. No caso do biodiesel, o México pretende misturar 5% a partir de 2012, mas a indústria ainda está em fase muito inicial. O governo mexicano planeja investir na produção de oleaginosas para biodiesel também: seriam 300 mil hectares de palmáceas cultivadas em 2012 em nove Estados.

ÁSIA/OCEANIA

China - Desde 2001, a China promove o uso de etanol em projetos piloto em 5 cidades da região central e nordeste do país (Zhengzhou, Luoyang e Nanyang na província de Henan e Harbin e Zhaodong na província de Heilongjiang). A destilaria de Jilin Tianhe, a maior do mundo, está produzindo cerca de 900 milhões de litros por ano, mas tem capacidade para produzir até 1,2 bilhão de litros. A China aprovou a mistura de 10% de etanol na gasolina em seis províncias e regiões, com a meta de misturar 2,5 bilhões de litros de etanol na gasolina até 2010 e 12,5 bilhões de litros até 2020. No entanto, sua capacidade de produção de etanol gira em torno de 1,9 bilhão de litros por ano, sendo 1,6 bilhão de litros a partir de grãos. Com a decisão de somente apoiar a produção de etanol com matérias-primas que não causem conflito com a produção de alimentos, o programa de etanol do país deve estagnar no curto prazo. No caso do biodiesel, a China vai começar a mistura B5 como projeto piloto em Beijing, Shanghai e Guanghzou. Em 2010, o país pretende consumir 200 mil toneladas de biodiesel e em 2020, 2 milhões de toneladas.

Índia - Desde de 2003, o governo indiano determinou o uso de mistura E5 em dez estados, além de beneficiar o etanol com isenção de imposto sobre valor agregado. Os produtores de açúcar planejam construir 20 novas destilarias. As 10 destilarias existentes estão em Uttar Pradesh, Maharashtra e Tamil Nadu. O E5 representa uma demanda anual de 600 milhões de litros, porém problemas de safra canavieira e alta demanda por álcool para fins industriais têm dificultado a oferta de álcool combustível no país. A capacidade de produção atual é de cerca de 1,7 bilhão de litros, com capacidade instalada para até 2,7 bilhões.

Tailândia - O país estabeleceu a mistura E10 desde 2007, o que representava uma demanda de 1,5 bilhão de litros. Já foram construídas nove novas destilarias. Os produtores contam com diversos incentivos tributários, assim como os veículos flex. As matérias-primas usadas são melaço de cana e mandioca e a capacidade total de produção deve chegar a 3 milhões de litros ao final de 2009.

Austrália - O governo australiano vem tentando estimular o uso do etanol desde de 2000 por meio de incentivos tributários e subsídios aos produtores, visando produzir 350 milhões de litros até 2010, o que seria suficiente para substituir 1% de toda a demanda por combustível. O governo continua dando suporte aos biocombustíveis por meio de isenção tributária, embora este benefício deva começar a diminuir em 2011/12 até terminar em 2015/16. A capacidade estimada de produção de etanol é de 180 milhões de litros e de biodiesel, de 75 milhões de litros. A produção de etanol deverá crescer em 2010. No total, a produção de etanol e biodiesel em 2010 deverá exceder em 15 milhões de litros. O objetivo de governo seria produzir 350 milhões de litros.

Indonésia - O governo da Indonésia, por meio de decreto presidencial, resolveu que em 2030 a participação dos biocombustíveis na matriz energética do país deverá ser de 5%. As matérias-primas com as quais se tem trabalhado atualmente visando à produção de biocombustíveis são: cana-de-açúcar e mandioca, para produção de etanol; palma e pinhão manso, para o biodiesel. Outras fontes estão sendo estudadas, como sorgo doce e milho, para o caso do etanol; e coco, sementes de Hevea braziliancis, Aleurites molucana e alga, para o biodiesel. As metas de uso de biocombustíveis são misturas de etanol e biodiesel de 10% em 2010, 15% em 2015 e 20% em 2020.

Malásia - Continua a intenção do governo da Malásia de adotar a mistura de 5% de biodiesel no diesel mineral, mas por enquanto o foco da produção tem sido para exportação para União Européia e Estados Unidos. A capacidade de produção das 12 usinas do país é de cerca de 1,35 bilhão de litros de biodiesel.

EUROPA

União Européia - Uma diretiva não-obrigatória da Comissão Européia de 2003 sugeriu aos países da UE que substituíssem em 2% a demanda de combustíveis veiculares por biocombustíveis até o final de 2005 e 5,75% até 2010. Em 2007, uma nova diretiva traçou o plano de uso de energias renováveis: a UE deverá ter 20% de energias renováveis em sua matriz em 2020, sendo a participação mínima dos biocombustíveis de 10% do consumo de combustíveis do setor de transportes.

França - Permanece como o segundo maior produtor e consumidor europeu de biocombustíveis, devido aos incentivos fiscais. Em 2007, os biocombustíveis alcançaram uma participação de 3,5% do consumo total. Embora, tenha surgido uma preocupação com relação à sustentabilidade da produção, a indústria francesa continua avançando para cumprir a meta nacional de 7% de participação de biocombustíveis em 2010. As cotas de produção são de 3,2 milhões de toneladas de biodiesel e de 1,5 bilhão de litros de etanol.

Alemanha - A Alemanha reviu seus planos de mistura de biocombustívies em 2008. As metas foram reduzidas. Outra mudança importante foi que a partir de 2015 o parâmetro que vai definir o nível de mistura vai mudar de conteúdo energético para nível de redução de emissões de gases de efeito estufa. Entre 2010 e 2014 as metas de mistura de biodiesel e etanol serão respectivamente, 4,4% e 2,8%.

Espanha - Aprovou o uso compulsório do biocombustível numa proporção de 3,4% em 2009, subindo para 5,8% em 2010, e 7% em 2011.

Suécia - A Suécia é um dos países mais favoráveis e que mais incentivam a produção de uso de biocombustíveis na Europa. O E5 tem sido usado em diversos locais do país desde 2003 e o E85 agora está disponível em cerca de 280 postos de abastecimento. Grande parte do etanol consumido no país é importado do Brasil. Carros que usam biocombustíveis recebem isenção de impostos. A Suécia espera alcançar a mistura de 10% de etanol e 7% de biodiesel a partir de julho de 2010.

ÁFRICA

África do Sul - A estratégia do país é de avaliar a possibilidade da produção e uso de biocombustíveis por meio de um projeto piloto de cinco anos para inserir cerca de 400 milhões de litros ou 2% na matriz de combustíveis líquidos. O projeto faz parte do plano em nível nacional de contar com 30% de energia renovável em 2013. As propostas de mistura são de 2% de biodiesel e 8% de etanol. As matérias-primas para a produção destes biocombustíveis serão soja, canola e girassol para biodiesel e cana-de-açúcar e beterraba para etanol.

Zimbábue - Nos últimos 20 anos, o país tem utilizado uma mistura de etanol na gasolina: começou em 15% e passou para 12% devido ao aumento na demanda por combustíveis. No caso do biodiesel, o país tem planos de substituir 10% do diesel mineral com biodiesel de pinhão manso, soja, algodão e girassol até 2017, o que representaria cerca de 100 milhões de litros ao ano.

Nigéria - Memorando de entendimento entre a Petrobrás e a estatal nigeriana NNPC (Nigerian National Petroleum Corporation) estabelece meios de cooperação para implementação da mistura de etanol na gasolina na Nigéria. Além das importações, o país está investindo na produção doméstica, usando o sorgo-doce como matéria-prima. Há um projeto em andamento para construção de dez destilarias em dez Estados da Nigéria, num valor estimado de US$ 100 milhões.

Sudão - O Sudão inaugurou em 2009 a primeira destilaria de etanol da África construída por uma empresa de equipamentos brasileira. O país aproveitou sua já existente produção de cana-de-açúcar para produção de açúcar e incorporou a produção do combustível renovável. A produção da destilaria vai começar com 65 milhões de litros e será expandida para 200 milhões de litros ao ano até 2011 (DiárioNet, 17/08/09)

quinta-feira, agosto 20, 2009

Fazendas Reunidas Boi Gordo - relembrar para não esquecer

Muita gente nova não acompanhou esta história, por isso resolvi colocar abaixo a notícia recente do Canal Rural sobre este caso que transformou o agronegócio em golpe.

Vítimas de golpe da Fazenda Boi Gordo aguardam julgamento do processo
Cerca de 30 mil brasileiros ainda não conseguiram ver a cor do dinheiro que investiram na empresa

Núria Saldanha

Criada em 1988, a Boi Gordo parecia um sonho para os investidores. A oferta de rentabilidade de 38% ao ano, com a engorda de bois nas fazendas do grupo levou muitos brasileiros a apostarem nos números fantásticos. A aplicação de dinheiro em bois de papel virou febre no fim dos anos 90 e logo conquistou uma vasta clientela formada principalmente pela classe média.

Cerca de 70% dos investidores aplicaram montantes de até R$ 15 mil. Hoje, o processo que cuida do ressarcimento das vítimas de um dos maiores golpes da história do Brasil ainda está em andamento.

– O brasileiro é um sonhador e foi criada a imagem do fazendeiro do asfalto. As pessoas se sentiam fazendeiras, donas de uma boiada que nunca existiu – analisou o advogado José Luiz Silva Garcia.

Ao buscar informações sobre o investimento, o gerente comercial Carlito Ribeiro de Macedo encontrou muita gente satisfeita com o negócio. Clientes da Boi Gordo que aplicavam e recebiam de volta valores conforme a excelente promessa do contrato. Foi aí que decidiu investir R$ 100 mil da reserva da empresa que possui. E quando precisou resgatar o dinheiro, veio a notícia de que a empresa estava falida. Já são oito anos tentando equilibrar as dívidas enquanto espera o dinheiro de volta.

– A situação me desequilibrou financeiramente, já que era um fundo de reserva que eu tinha para qualquer emergência – lamenta Carlito Ribeiro.

O esquema funcionava como uma pirâmide e os rendimentos oferecidos não refletiam o lucro com a atividade pecuária, que gira em torno de 10%. Para completar o valor nos contratos que iam sendo resgatados, o grupo usava o dinheiro dos clientes novos que entravam. As contas não fechavam, e começaram então a surgir as dificuldades financeiras.

A notícia de que o negócio não ia bem se espalhou, e milhares de clientes resgataram o dinheiro. A Boi Gordo declarou ter 100 mil cabeças de gado no pasto, mas deveria ter pelo menos dez vezes mais, de acordo com os valores recebidos dos investidores. A situação ficou insustentável, e em 2001 entrou em concordata.

Recentemente o dono da empresa, Paulo Roberto de Andrade, conseguiu anular a ação penal e não pode mais ser preso. Mas o processo que cuida do ressarcimento das vítimas de um dos maiores golpes da história do Brasil ainda está em andamento.

Apesar da maioria das propriedades do Grupo Boi Gordo terem como sede o Estado de Mato Grosso, o processo corre no Fórum João Mendes Junior, na primeira vara cível de São Paulo. Isso porque, de acordo com a lei de falências, o juízo competente para casos como este, deve estar no local do principal estabelecimento da empresa falida, e a administração das Fazendas Reunidas Boi Gordo SA ficava na capital paulista.

Assim como Carlito, outros 30 mil brasileiros ainda não conseguiram ver a cor do dinheiro que investiram na empresa. Mas de acordo com o síndico da massa falida, advogado nomeado pelo juiz para identificar, avaliar e vender o patrimônio da empresa acusada, Gustavo Sauer de Arruda Pinto, pelo menos uma parte deste dinheiro deve ser devolvida.

– Não há a mínima chance de cobrir esse passivo porque ele é muito grande. Atualizado até abril de 2004, ele alcança R$2,5 bilhões – explica o advogado.

Parte do valor vai ser arrecadado com a venda das fazendas do grupo. Primeiro, vai pagar a dívida trabalhista, depois a dívida fiscal e, só depois, o dinheiro será dividido entre os credores. Um problema sem data para terminar.

– Em uma previsão otimista, eu poderia estar pagando os credores trabalhistas no fim do ano que vem – finaliza Gustavo Sauer.

Vinhedo - terra de vinhos de qualidade? Quem sabe no futuro

A cidade de Vinhedo, tradicional produtor de uvas na região de Campinas, está desenvolvendo ações na direção de incentivar a produção de vinhos de qualidade. A idéia é muito interessante e regiões com pouca tradição no passado, hoje são produtoras de vinhos de qualidade, portanto com trabalho e apoio técnico que virá do centenário Instituto Agronômico o projeto tem tudo para dar certo.

Além disso, por estar perto de São Paulo, a região pode ser tornar uma espécie de Napa Valley brasileiro com roteiros enogastronômicos e pousadas charmosas e luxuosas. Para quem gosta do tema, vale a pena ver o filme "Sideways".

Abaixo segue notícia na íntegra do Portal Cosmo Online:

Vinhedo quer se tornar referência em vinho
Prefeitura estuda projeto para isentar os produtores de uvas especiais de impostos municipais

Rubens Morelli

Aproveitar a fama de pólo produtor de uva para se tornar referência na produção de vinho do Brasil. Essa é a intenção do prefeito Milton Serafim (PTB) para Vinhedo. A prefeitura realiza um estudo para isentar de impostos municipais os novos produtores de uvas especiais para vinho da cidade. 'Quero que pequenas glebas possam se transformar em áreas de plantio de uvas com maior qualidade. Devemos pensar na produção do vinho como alternativa para aumentar as riquezas dos cidadãos e do município' , afirma Serafim.

O prefeito participou ontem do início da colheita da uva Shiraz, no bairro Buracão. O trabalho realizado no inverno favorece a produção de vinhos finos de qualidade. 'Escolhemos a data por causa da amplitude térmica, em que os dias são quentes e as noites são frias. Este é o clima ideal para a colheita da segunda maturação do parreiral' , afirma Adilson Amatto, presidente da Associação dos Vitivinicultores de Vinhedo (Avivi), explicando que o clima se assemelha às condições das melhores regiões produtoras de vinho no mundo. 'A concentração do açúcar agora favorece a produção de um vinho excelente, comparado aos vinhos produzidos no Sul da França, como Toulouse e Bordeaux' , afirma Amatto.

O sítio do Pouso, de propriedade de Antonio José Benvegnú, mais conhecido como Zé da Pinta, foi escolhida pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) para dar início a uma pesquisa com duas estações meteorológicas automáticas, instaladas dentro do parreiral, para monitorar as condições microclimáticas dentro e fora da cobertura. 'Nesta semana a produção ultrapassou a marca dos 180 dias após a poda. Para a produção de vinho, o mínimo de tempo do cultivo é 170 dias' , explica Zé da Pinta.

Projeto

O prefeito de Vinhedo estuda medidas para fortalecer a produção de vinhos de qualidade na cidade. 'A produção do vinho de mesa é boa em Vinhedo. Mas queremos investir em bebidas mais refinadas' , diz. Para isso, Serafim promete levar à Câmara Municipal um projeto para fortalecer a agricultura. 'Estamos elaborando um projeto que vai criar um braço da agricultura dentro da Secretaria de Indústria e Comércio. Isso é importante para colocar o setor no orçamento municipal' , explica. 'Uma vez dentro do orçamento, a prefeitura pode investir. Nós temos a ideia de adquirir as mudas e fornecer para a associação, que distribuirá entre os produtores' , avisa. A Avivi tem 20 produtores cadastrados atualmente.

A outra proposta atinge os pequenos produtores de áreas urbanas. 'A partir do momento que a pessoa passe a cultivar a uva especial para a produção do vinho, desde que se credencie junto à prefeitura, a intenção é promover a isenção do IPTU' , garantiu o prefeito. Os proprietários rurais não são tributados pelo município e, por isso, não seriam atingidos pela proposta.

Região Sul tem tradição no cultivo

O cultivo da uva no Brasil ocorre em nove regiões. A mais tradicional é a Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul. No entanto, nem todas as regiões produtoras oferecem condições climáticas que favoreçam a produção do vinho fino, bebida caracterizado pela fermentação alcoólica de uvas europeias da especie Vitis vinifera, diferentes do vinho comum, produzido com uvas americanas, da espécie Vitis labrusca, ou com uvas híbridas, produzidas após manipulação genética das duas espécies.

A uva Shiraz (ou Syrah, em francês) é uma das variedades mais plantadas no mundo. De origem francesa, ela se adaptou muito bem ao clima de Vinhedo. De acordo com o presidente da Associação dos Vitivinicultores de Vinhedo, Adilson Amatto, a fruta garante vinhos encorpados, de grande estrutura e capacidade de envelhecimento. 'Os bons exemplares de Shiraz tendem a trazer consigo uma certa dose de mineralidade, fruta intensa e uma marca muito própria de especiarias com uma certa alusão a pimenta, gerando um final de boca algo picante' , explica.

Na plantação do Sítio do Pouso, que serve como experimento para a colheita no inverno, será utilizada uma levedura importada da Austrália, própria para a uva Shiraz. O resultado final da qualidade do vinho só será conhecido no fim do ano.

terça-feira, agosto 18, 2009

Sadia e Perdigão lucram com dólar

Depois de um prejuízo com variação cambial, parece que a Brasil Foods teve algum lucro recentemente. Veja a notícia abaixo do Valor Econômico:

Perdigão e Sadia têm lucros recordes com ganho cambial

São Paulo, SP, 17 de Agosto - Depois de registrar perdas com a aposta em derivativos financeiros "exóticos", a Sadia fechou o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 346, 3 milhões, o maior ganho trimestral de sua história, representando um aumento de 125% em relação ao mesmo período do ano passado. A Perdigão, já usando a nova denominação Brasil Foods, lucrou R$ 129 milhões no mesmo período, 70% mais do que no segundo trimestre de 2008.

O lucro no trimestre foi resultado principalmente da valorização do real em relação ao dólar sobre a posição cambial da empresa. Os resultados operacionais, porém, foram afetados pelo aperto de margens resultante do aumento de custos e despesas comerciais, além do efeito do prejuízo fiscal na incorporação da Perdigão Agroindustrial no primeiro trimestre.

Entre abril e junho deste ano, a Brasil Foods teve receita líquida de R$ 2,7 bilhões, 5% menor do que no mesmo período de 2008. As vendas no mercado doméstico caíram 4%, para R$ 1,9 bilhão. As exportações tiveram o mesmo declínio e ficaram em R$ 1,2 bilhão, reflexo da menor demanda internacional.

Os lucros antes de juros, impostos e depreciação teve uma forte queda - de 43% - em relação ao segundo trimestre de 2008, e somou R$ 133 milhões.

Ainda que o cenário tenha sido adverso no período, a Brasil Foods conseguiu elevar sua margem líquida, de 2,7% no segundo trimestre de 2008 para 4,8% em igual intervalo este ano. Segundo a empresa, a recuperação de mercados importadores, ainda lenta, e o mercado interno contribuíram para a melhora.

Com a geração de caixa sob pressão, a BRF viu seu endividamento líquido crescer 26,5% em relação a 30 de junho de 2008, para R$ 3,280 bilhões no fim do primeiro semestre. Segundo a empresa, a dívida cresceu em função da necessidade de capital de giro e dos investimentos do período.

Já o lucro líquido da Sadia foi impulsionado por um ganho financeiro de R$ 607,2 milhões, ante R$ 6,5 milhões no mesmo período do ano passado. O resultado foi favorecido pela valorização do real ante o dólar de abril a junho, fazendo com que o endividamento líquido da companhia caísse para R$ 6,1 bilhões em 30 de junho, frente R$ 749,2 milhões registrado no fim do primeiro trimestre.

A empresa, no entanto, continua com um endividamento financeiro líquido de R$ 6 bilhões, que devem ser equacionados com a captação de R$ 5,3 bilhões, dos quais a Brasil Foods já antecipou o pagamento de R$ 950 milhões para saneamento da companhia.

A receita operacional líquida somou R$ 2,6 bilhões, recuo de 1,4% comparado com o segundo trimestre de 2008. O resultado, no entanto, mostra um crescimento em relação ao primeiro trimestre, com aumento de 7,6% do volume total comercializado. Segundo a companhia, as vendas no mercado interno acabaram compensando a queda das exportações, respondendo por 58,5% da receita total da companhia no segundo trimestre, ante participação de 51,2% no mesmo período do ano passado.

O volume de vendas para o mercado externo apresentou recuo de 12,3%, compensada por expansão de 15,2% no mercado interno.Já lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização totalizou R$ 248 milhões no trimestre, queda de 13,7% em relação a um antes.

A Previ continua interessada em estender o acordo de voto com os demais fundos de pensão na Brasil Foods. Esse acordo foi firmado em 2006, quando a companhia migrou para o novo Mercado e tem validade até 2011. O objetivo é manter um grupo forte de acionistas durante a transição de um modelo de controle definido para o de capital pulverizado.

O presidente da fundação, Sérgio Rosa, afirmou que essa decisão depende do consenso com os demais acionistas, que são hoje principalmente Petros, Valia e Sistel. Na opinião de Rosa, a manutenção do acordo por um tempo maior daria suporte para a empresa nessa fase após a união com a Sadia.

Já houve conversas preliminares nessa direção, mas a questão ainda não está definida.(Colaborou Graziella Valenti)

Tenha sua horta em segundos

Mês passado coloquei um post sobre uma horta high-tech desenvolvida pela NASA e encontrei, também no Blog da Globo Rural escrito pela Mariana Caetano, um post sobre uma horta pré-pronta. Esta horta basta desenrolar.

Horta pré-pronta

Se a sua única desculpa para não plantar vegetais em casa era a preguiça, pode começar a mudar o discurso. O designer Chris Chapman desenvolveu um prático kit para dar início a sua horta.

O Roll-Out Veg Mat (algo como “esteira desenrolável de vegetais“, na tradução para o português) traz quatro tipos de sementes misturadas com fertilizantes orgânicos, e está pronto para ser esticado em algum cantinho. Tudo o que o aspirante a jardineiro precisa fazer é acrescentar terra, água e esperar que as mudas tomem forma. “É uma solução simples e divertida para encorajar as pessoas a plantar seu próprio alimento“, diz o designer.

A ideia de Chapman é criar diferentes kits para explorar uma variedade maior de culturas nas quatro estações. O Roll-Out Veg Mat traz ainda um passo-a-passo ilustrado para ensinar como manuseá-lo. Mãos à horta!




Mercado americano quer mais açúcar

Parece que o mercado americano está precisando de açúcar. Quem sabe aumentam as exportações daqui do Brasil. A reportagem da semana passada do Wall Street Journal que encontrei no BrasilAgro fala sobre o assunto encontra-se na sequência e a notícia completa em inglês neste link.

Ao final da notícia temos os gráficos em inglês referentes aos preços do açúcar e ao estoque americano:

INDÚSTRIA DE ALIMENTOS DOS EUA QUER IMPORTAR MAIS AÇÚCAR

Alguns dos maiores fabricantes de alimentos dos EUA alegam que podem "virtualmente ficar sem açúcar" se o governo não diminuir as restrições à importação num momento em que os preços da importante matéria-prima estão em alta.

Numa carta ao secretário da Agricultura do país, Thomas Vilsack, empresas importantes como Kraft Foods Inc., General Mills Inc., Hershey Co. e Mars Inc. levantaram a possibilidade de uma escassez severa de açúcar para fabricar barras de chocolate, cereais matinais, bolachas, chicletes e milhares de outros produtos.

As empresas ameaçaram reajustar os preços e demitir funcionários se o governo não permitir que importem mais açúcar sem tarifa. Cotas de importação em vigor limitam a quantidade que pode ser importada sem tarifa, exceto do México, o que diminui a oferta proveniente de grandes produtores como o Brasil.Embora os economistas agrícolas não levem muito à sério a possibilidade de os EUA ficarem sem um único grão de açúcar, as empresas de alimentos alertam na carta a Vilsack que sem o livre acesso ao produto importado mais barato "as pessoas vão pagar mais caro, os empregos na indústria ficarão na berlinda e os modelos de comércio serão distorcidos".

Contatados por telefone e email, representantes de várias fabricantes de alimentos — várias das quais têm obtido lucros polpudos este ano mesmo com a recessão — não quiseram comentar qual seria o reajuste se não conseguirem forçar Washington a atender ao seu pedido.

A carta é o capítulo mais recente de uma disputa antiga entre as fabricantes americanas de alimentos e a indústria açucareira do país sobre a política federal que infla o preço do açúcar americano para apoiar a receita de produtores politicamente ativos de beterraba, nas planícies do norte, e de cana-de-açúcar, no sul. Na maioria dos anos o preço que as empresas americanas pagam pelo açúcar local é o dobro da cotação mundial.

Ron Luchesi, chefe de compras da Gonnella Frozen Products, de Chicago, disse que a atual política americana para o açúcar distorce os preços. A commodity corresponde a 0,5% do custo total da Gonnella, e a alta do preço é "parte da equação" que já forçou a empresa a reajustar o preço de pães, do hambúrgueres e da salsicha, todos produtos que levam açúcar.

A questão começou a esquentar de novo porque o açúcar, tanto nos EUA quanto no resto do mundo, tem há mais de um ano subido a níveis inusitados e não vem dando nenhum sinal de declínio. O açúcar subiu 95% este ano e chegou recentemente à maior cotação dos últimos 28 anos. Os futuros de açúcar subiram 4,8% na Intercontinental Exchange ontem, para US$ 22,97 por libra (cerca de meio quilo).

O preço está subindo porque o mundo vem consumindo mais açúcar do que produz. Uma razão importante para isso é que o maior produtor de açúcar do mundo, o Brasil, está destinando uma fatia cada vez maior da produção de cana para fabricar álcool combustível. A indústria alimentícia dos EUA tem reclamado muito nos últimos anos do apetite incansável das usinas americanas de álcool pelo milho, o que também ajudou a impulsionar o preço dessa commodity muito usada no país para substituir o açúcar.

Mais da metade da safra de cana-de-açúcar do Brasil é transformada em álcool, enquanto um terço da safra de milho dos EUA vira combustível. A temporada irregular de monções na Índia forçou os analistas do açúcar a reduzir a previsão da safra do país, o segundo maior produtor mundial.

Enquanto isso, os estoques de açúcar nos EUA diminuem a um nível inédito. No relatório mensal divulgado ontem, o Departamento de Agricultura previu que o estoque americano de açúcar em 2010 vai encolher 43% em relação ao segundo semestre de 2009.Segundo estimativas do departamento, no ano agrícola que se encerra em setembro a indústria dos alimentos terá importado cerca de 1,3 milhão de toneladas de açúcar pelo programa de cotas e tarifas.

Um economista da Associação de Usuários de Adoçantes, uma organização da indústria de alimentos, disse ontem que os executivos querem importar mais cerca de 450.000 toneladas de açúcar sem tarifa até 30 de setembro.

Como porcentagem dos custos de matéria-prima, a fatia do açúcar varia de uma empresa para a outra. É 1%, 8% e 6%, respectivamente, para ConAgra Foods Inc., Hershey e Kraft, segundo um relatório recente do analista Andrew Lazar, do Barclays Capital.

Ninguém sabe se o governo vai liberar logo a entrada de mais açúcar nos EUA. O Departamento de Agricultura divulgou um comunicado curto em que afirma que "continuará a avaliar as condições do mercado para garantir (...) uma rede de proteção para os produtores" assim como "um cenário de oferta estável".



sexta-feira, agosto 14, 2009

Bertin e Marfrig desistem de criar gigante da carne bovina

Parece que a idéia de união do Bertin com a Marfrig não saiu do papel. Notícia publicada ontem no Portal Exame comenta este fato:

Marfrig e Bertin desistem de fusão
Diretor executivo do Bertin disse que, em lugar da operação, empresa vai focar em plano para dobrar sua capacidade de abate

As negociações que poderiam resultar na fusão entre os frigoríficos Marfrig e Bertin, originando a maior empresa do ramo no Brasil, terminaram. Segundo o diretor executivo do Bertin, Fernando Falco, em lugar da operação, a companhia deverá focar em um plano para praticamente dobrar sua capacidade de abate - das atuais 12 mil cabeças por dia para 21 mil - em cinco anos. O plano deve custar à Bertin cerca de 3 bilhões de reais.

"A fusão não está sendo discutida atualmente. Estamos concentrados principalmente em crescimento orgânico", disse Falco durante uma coletiva de imprensa na quarta-feira (12/8). Segundo a Bloomberg, o diretor de relações com investidores do Marfrig, Ricardo Florence, preferiu não comentar sobre o assunto na coletiva.

Os produtores de carne no Brasil consideraram fusões depois de enfrentarem, em 2008, o pior dos últimos 10 anos, com várias companhias indo à falência, segundo o Moody's Investors Service. O Marfrig anunciou que estava em negociação com o Bertin em maio de 2009.

Controle

Segundo apurado pelo Portal EXAME em julho, o maior entrave à concretização da fusão entre os frigoríficos estava relacionado à disputa pelo controle acionário. O Bertin demonstrava a intenção de deter o controle acionário da nova empresa. A exemplo do impasse entre Sadia e Perdigão que deu origem à Brasil Foods, a família Bertin - que detém cerca de 70% do conglomerado - não aceitaria perder o controle em uma eventual fusão.

A fusão resultaria em uma empresa que seria líder em abates no país. Juntos, os dois frigoríficos teriam capacidade de abate diário superior a 35 mil animais por dia, o que deixaria o atual líder JBS - Friboi - cuja capacidade está acima de 26 mil bois - na segunda posição.

Na Bovespa, as ações ordinárias da Marfrig eram negociadas, às 1h27 horas em alta de 1,83%, a 16,16 reais. Já o Ibovespa operava em alta de 0,54%, aos 56.891 pontos.

Resultados

A Marfrig divulgou, na última terça-feira (11/08), seus resultados referentes ao segundo trimestre de 2009, os quais corresponderam às perspectivas dos analistas principalmente com relação à receita líquida, que chegou a 2,4 bilhões de reais no período, 6,8% superior ao alcançado no trimestre anterior. A performance pode ser atribuída ao bom desempenho das vendas no mercado interno.

Os resultados financeiros da Marfrig, de acordo com analistas da Brascan Corretora, foram beneficiados pela valorização do real frente ao dólar. Como a companhia possui mais de 70% de seu endividamento em dólar, o efeito de apreciação da moeda brasileira gerou variação cambial ativa de 502,6 milhões de reais, fazendo com o resultado financeiro fechasse positivo em 371,8 milhões de reais no segundo trimestre.

Por outro lado, a valorização da moeda provocou resultado operacional considerado fraco, segundo análise da corretora SLW, pois as margens de exportações da Marfrig foram afetadas.
Para os próximos trimestres, os analistas da Brascan esperam uma recuperação contínua na rentabilidade da empresa, com o crescimento das exportações.

quarta-feira, agosto 12, 2009

Manejo sustentável de florestas - uma idéia rentável

Apesar do pouco conhecido do setor florestal e em especial da Floresta Amazônica, sempre achei que o manejo correto de retirar partes da floresta de forma a possibilitar a sua perpetuação fosse algo inteligente. E a notícia do Portal do Agronégocio que segue abaixo na íntegra mostra bem isso através de uma ação do governo brasileiro:

Concessões florestais vão ofertar 840 mil m³ de madeira até 2010

As concessões em florestas brasileiras vão permitir, entre 2009 e 2010, a oferta de mais de 840 mil metros cúbicos de madeira de origem legal e sustentada e a geração de 12 mil empregos diretos e indiretos

Prevê-se, ainda, a geração de cerca de R$ 430 milhões entre arrecadação para o governo, receitas com serviços e economia gerada pela indústria. As projeções são do Serviço Florestal Brasileiro - SFB e baseiam-se nas concessões que devem ser realizadas no período.

A estimativa é de que, até o final de 2010, mais de 2,7 milhões de hectares de florestas sejam licitados. Desse quantitativo, aproximadamente 1 milhão de hectares devem ser oferecidos ainda este ano em três editais. Um deles já está aberto, o da Flona Saracá-Taquera, com 140 mil hectares disponíveis. Até o final de 2009, a previsão é lançar os editais restantes, das Flonas Amana e Crepori, localizadas na BR-163, no Pará.

A expectativa é que, no próximo ano, o SFB divulgue editais para mais seis flonas, num total de 1,5 milhão de hectares. Três dessas flonas localizam-se também no Pará – Trairão, Altamira e Jamanxim – e juntas contam 1,1 milhão de hectares, ou 76% da área para concessão no ano. As demais estão distribuídas pelo Acre, onde deve haver concessões nas Flonas Macauã e São Francisco, e em Rondônia, na Flona Jacundá, que somam 369 mil hectares.

O valor do prejuízo causado por ervas daninhas

Encontrei no site da FAO um artigo muito interessante sobre o custo de ervas daninhas ao mundo. Os números realmente impressionam!

Para os que querem ler o texto original em inglês, clique aqui. Para os outros, segue notícia baseada na nota original publicada no Valor Econômico que encontrei no Notícias Agrícolas:

Perdas de US$ 95 bi com ervas daninhas

O "inimigo número um" dos agricultores acaba de ser identificado pela Organização das Nações Unidas (ONU) : são as ervas daninhas. O prejuízo que elas causam às lavouras no mundo chegaria a US$ 95 bilhões por ano, com quebra da produção.

Segundo a Agência das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), uma única planta daninha, chamada de "orobanco" ou "jopo", uma raiz "agressiva" que ataca legumes, pode causar tanto a perda total das colheitas, como causar a infertilidade dos campos de produção durante anos.

O "inimigo natural número 1" dos agricultores provoca prejuízos que podem na verdade ir além dos US$ 95 bilhões (US$ 70 bilhões nos países pobres) que já equivalem pela cotação atual a 380 milhões de toneladas de trigo, ou seja, mais da metade da produção mundial para 2009.

A perda pode ser "colossal", conforme a FAO, levando-se em conta que mais da metade do tempo que os agricultores passam no campo é destinada a arrancar ervas daninhas que nascem em meio às plantações. Em comparação, os insetos causam prejuízos de US$ 46 bilhões por ano e agentes patógenos, que causam doenças nas lavouras, US$ 84 bilhões.

Assim, para a FAO, se o agricultores quiserem aumentar a produtividade de suas lavouras, a primeira coisa a fazer é melhorar a luta contra as ervas daninhas. Uma saída, segundo a agência, é rotação das culturas, já que as ervas daninhas são biologicamente adaptadas a uma planta particular. Outro alternativa é a utilização de sementes de melhor qualidade para plantio.

A agência das Nações Unidas sugere também que para combater ervas daninhas aquáticas, vale a pena usar insetos específicos da região da Amazônia.

A situação é hoje ainda mais grave, porque mais ervas daninhas resistem a herbicidas. Nos Estados Unidos, 13 espécies dessas ervas resistem ao glifosato, de acordo com a ONU. O glifosato é o princípio ativo do herbicida Roundup Ready, da Monsanto.

Para a FAO, as ervas daninhas são também culpadas pelo fato de um bilhão de pessoas sofrerem de fome no mundo.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Greening - praga nos laranjais paulista

Parece que o greening, apesar de todo o trabalho da Fundecitrus está crescendo no estado de São Paulo, conforme podemos ver pela reportagem da Folha de São Paulo:

Região de Ribeirão Preto/SP corta 1 milhão de pés de laranja por greening

O greening, considerado o câncer da citricultura, foi responsável pelo corte de mais de 1 milhão de pés de laranja na região de Ribeirão Preto nos primeiros seis meses de 2009. Este número representa mais da metade das plantas eliminadas por causa da doença em todo o Estado no primeiro semestre.

Os números são da Secretaria de Estado de Agricultura e apontam outro fato preocupante: o greening está avançando na região. No primeiro semestre de 2008, 411 mil pés de laranja tiveram de ser sacrificados por causa da doença, que é transmitida por um inseto vetor. Neste ano, o total de plantas cortadas é de 1,09 milhão, ou 165% a mais.

A microrregião de Araraquara foi a mais prejudicada: cortou 746 mil pés da fruta. As plantas eliminadas na região representam 0,7% do total plantado -no Estado, esse percentual é de 0,4%.

"Não bastasse a crise pelo qual passa a citricultura, o greening dificulta ainda mais. Essa questão dificulta a decisão dos produtores de continuar investindo em pomares, em renovar as plantações", disse Flávio Viegas, presidente da Associtrus (Associação Brasileira dos Citricultores).

"É uma notícia muito preocupante, pois a gente notava que o greening estava avançando mais lentamente aqui do que em outras regiões", disse.

Independentemente do avanço do greening, o setor sofre com os baixos preços praticados no mercado. Segundo Viegas, o custo de produção por caixa gira em torno dos R$ 15. Ao mesmo tempo, a indústria paga de R$ 3,50 a R$ 5,50 pela caixa. "Só colhe a fruta quem tem muita coragem. Tirar a laranja do pé neste cenário é prejuízo certo."


Mário Sérgio Tomazela, diretor de defesa vegetal da Secretaria de Estado da Agricultura, disse que a doença está avançando em estágio perigoso. "Há uma tendência de aumento na incidência do greening no Estado. Por isso é preciso reforçar a participação dos produtores. É uma doença altamente destrutiva", disse.

O produtor Ricardo Bueno, de Jaboticabal, sabe bem como é sofrer com o greening. Mais de 90% de seu pomar já foi cortado devido à doença.

"Eu tinha uns 2.000 pés. Hoje estou com menos de 200. E acho que também já estão contaminados. Não sei mais o que fazer, pois não adianta replantar, o greening reaparece. Estou pensando em abandonar a laranja e plantar amendoim."

quinta-feira, agosto 06, 2009

Biodiesel no Brasil - porque não decola?

Apesar da obrigação de adição de 4% pelo governo, parece que o biodiesel não decola no Brasil. A reportagem abaixo do Portal Exame analisa este problema:

O que falta para o biodiesel decolar no Brasil

O programa nacional de biodiesel foi criado para ser uma das estrelas do governo Lula. O sonho do Planalto era transformar o biodiesel numa espécie de novo etanol: um combustível vegetal mais limpo que o diesel comum, que incentivasse a agricultura familiar, gerasse empregos no campo e colocasse o Brasil ainda mais em destaque na área de combustíveis alternativos. Desde o início do programa, há quatro anos, a produção cresceu em escala exponencial e o número de investidores se multiplicou. Até agora, porém, quase ninguém conseguiu ganhar dinheiro com o biodiesel. De uma capacidade instalada de 340 milhões de litros por mês, a produção brasileira está atualmente em torno de 120 milhões de litros - o que obriga todas as empresas a trabalhar com margens baixas ou, muitas vezes, negativas.

Segundo empresários e especialistas no setor, os gargalos que impedem que o mercado de biodiesel cresça são:

1) a falta de uma matéria-prima vegetal viável para a expansão acelerada do programa;

2) o sistema de leilões de compra de biodiesel realizados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP);

3) a indefinição sobre o papel da Petrobras no setor de biodiesel; e

4) a entrada de investidores demais no setor em um curto espaço de tempo, o que deve manter o excesso de capacidade de produção nos próximos anos.

Mesmo com todos esses problemas, no entanto, os especialistas são unânimes em considerar que o programa de biodiesel vai deslanchar muito mais rápido do que o etanol. Da criação do Pró-Álcool em 1975 à explosão de vendas dos carros flex, foram quase 30 anos de pesquisas. O governo, os usineiros, as empresas de combustíveis e as montadoras tiveram que desenvolver tecnologia para aumentar a produtividade da cana, criar uma megaestrutura logística para distribuir o etanol para todos os estados do país, estruturar uma rede de postos aptos a abastecer veículos a etanol e construir motores capazes de ter praticamente o mesmo rendimento movidos a álcool ou a gasolina, entre outros avanços.

No caso do biodiesel, em que os motores já estão adaptados, o único problema que se repete é o de desenvolver a cadeia logística para o transporte do combustível das usinas até as refinarias da Petrobras onde será feita a mistura ao diesel. Esse é um desafio relativamente pequeno, no entanto, quando comparado ao de diversificar a base de matérias-primas para a produção do biodiesel. Hoje 80% da produção tem como origem o óleo de soja. "Das cinco matérias-primas tradicionais definidas pelo programa do governo para servir de base para o biodiesel [mamona, algodão, girassol, dendê e soja], apenas a soja tem sustentado, na prática, o projeto", afirma o chefe de Comunicação e Negócios da Embrapa Agroenergia, José Eurípedes da Silva.

O efeito nocivo da dependência quase exclusiva da soja não está relacionado à oferta de matéria-prima. "Temos uma oferta abundante de soja, que ocupa a maior área plantada entre todas as culturas no Brasil", diz o analista Bruno Boszczowki, da consultoria Agra FNP. Segundo especialistas, um eventual risco de escassez só ocorrerá no Brasil quando o percentual da mistura de biodiesel ao diesel dobrar dos atuais 4% para 8%.

O primeiro problema da soja é sua baixa produtividade. Só 18% de cada grão pode ser usado para fazer óleo - o resto vira farelo para alimentação de animais. "Então, se aumentássemos a produção de soja para abastecer o mercado de biodiesel, estaríamos gerando quatro vezes mais farelo. Isso significaria ração mais barata para frangos e suínos, entre outros", afirma o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialista em biodiesel, Donato Aranda.

O presidente da Brasil Ecodiesel, José Carlos Aguilera, afirma que alguns mercados a soja também é vista como matéria-prima exclusiva para a alimentação. "Já conversei com pesquisadores alemães que me disseram que sabem que a soja é uma matéria-prima viável para o biodiesel. No entanto, eles dizem que na Alemanha o biodiesel de soja não entra para não colocar em risco a oferta de alimentos em todo o mundo", diz. Além disso, a soja é uma commodity cujo preço varia de acordo com a demanda e a especulação no mercado internacional. No início do ano passado, quando os preços da soja dispararam, toda a cadeia de biodiesel teve suas margens bastante comprimidas. Por último, a soja é uma cultura extensiva desenvolvida em grandes propriedades e não beneficia a agricultura familiar como o governo gostaria.

Matérias-primas alternativas

As quatro culturas apontadas como mais promissoras para a produção de biodiesel são pinhão manso, girassol, dendê e mamona. Todos têm um teor de óleo superior ao da soja, com produtividade em torno de 40%. No entanto, também não faltam problemas. Segundo Silva, da Embrapa Agroenergia, uma vez que o pinhão manso não é originário do Brasil, o país ainda não possui o domínio tecnológico para explorá-lo em larga escala. Embora os estudos já estejam em andamento, serão necessários pelo menos cinco anos para que os primeiros resultados sejam divulgados.

O girassol apresenta área plantada restrita. Já o dendê possui limitações geográficas: só pode ser plantado em áreas localizadas 5 graus de latitude abaixo ou acima do Equador, o que restringe o plantio a alguns estados do Norte e Nordeste. Além disso, as primeiras colheitas só podem ser feitas após um intervalo de oito anos.

De todas as matérias-primas propostas, no entanto, a mamona, a mascote do programa de biodiesel, é a menos viável. Primeiro porque seu óleo tem um valor de mercado três vezes superior ao pago pelo biodiesel. As sementes de mamona são disputadas pelas indústrias química, cosmética e farmacêutica. Além disso, a mamona só atinge a especificação necessária para ser transformado em biodiesel por meio de misturas a partir de outras fontes de gordura.

Leilões

O presidente da Brasil Ecodiesel, José Carlos Aguilera, aponta os leilões de biodiesel promovidos pela ANP como outro entrave para o desenvolvimento do mercado. Os leilões foram criados como forma de garantir a comercialização do biodiesel produzido mesmo por pequenos produtores em um momento em que o mercado ainda não estava formado. Aguilera diz, no entanto, que o mercado já amadureceu e que os leilões passaram a ser um empecilho.

Hoje os leilões favorecem as empresas que esmagam a soja para produzir óleo e farelo - o que não é o caso da Brasil Ecodiesel. "Caso o valor do litro de óleo de biodiesel seja inferior ao de soja, as empresas podem reduzir suas ofertas e mesmo assim se manter em operação. Para nós, ficar fora de um leilão significa suspender as atividades de uma fábrica", diz Aguilera, que teve que paralisar duas fábricas no terceiro trimestre por esse motivo.

No entanto, a principal crítica ao modelo dos leilões trimestrais recai sobre o critério utilizado pela ANP para definir os preços de referência. A agência estipula um teto para o preço do combustível que será vendido pelas usinas à Petrobras. Segundo as empresas, na maioria das vezes, ele não recompõe os custos. "Chegou o momento de o governo abandonar os leilões e deixar que um mercado livre de biodiesel se desenvolva", diz Aguilera.

Segundo a ANP, o cálculo do preço máximo de referência leva em consideração principalmente as cotações de mercado das matérias-primas acrescidas dos custos médios de produção e dos tributos. Apesar das expectativas do setor, o Ministério de Minas e Energia confirmou na última quinta-feira que o 15º leilão de biodiesel acontecerá no fim de agosto. Tanto o Ministério quanto a ANP informaram que a suspensão dos leilões não está na pauta de discussões nesse momento. Segundo fontes do setor, a manutenção dos leilões teria por objetivo fiscalizar e manter a qualidade do produto final e garantir a posição monopolista da Petrobras na produção de biodiesel.

O papel da Petrobras

Executivos do setor dizem que a indefinição sobre o papel da Petrobras cria insegurança entre as empresas do setor - principalmente na hora de conseguir empréstimos bancários para financiar os investimentos. No setor de etanol, a Petrobras não possui investimentos representativos na produção e planeja se tornar uma grande distribuidora do biocombustível tanto no Brasil quanto para outros países do mundo.

Já na área de biodiesel, a Petrobras acena ter interesse em também ser produtora. A empresa já possui três usinas e pode abrir mais duas até o final do ano. Como a empresa é a grande compradora do produto, acaba por ter o poder de decidir que empresas vão ou não sobreviver nesse mercado. "Esse jogo é muito desigual. Só o que eles gastam em café é mais do que todo o meu faturamento", diz, ironicamente, o representante de uma empresa do setor. "Eu acho que eles se arrependem de ter deixado a Cosan crescer tanto em etanol e não vão abrir mão de um papel de protagonista em biodiesel", completa.

Dos entraves que atrapalham o desenvolvimento do biodiesel no Brasil, o que parece mais fácil de ser contornado é o aumento do percentual adicionado hoje ao diesel mineral - que elevaria a demanda pelo biocombustível para patamares mais próximos ao da capacidade de produção. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o governo já estuda antecipar de 2013 para 2010 o aumento da mistura do biodiesel ao diesel de 4% para 5% do total. Cada ponto percentual de elevação representa um adicional de 400 milhões de litros na demanda, uma vez que o Brasil consome 40 bilhões de litros por ano de diesel mineral.

Enquanto os demais nós que envolvem o programa de biodiesel não são desatados, unir forças pode ser uma saída para as empresas que ainda patinam. "A tendência é que permaneçam no mercado apenas as grandes que não tem o biodiesel como única atividade", afirma Silva, da Embrapa Agroenergia. "Resta saber quem será a Cosan do biodiesel. Nós bem que gostaríamos", diz Aguilera, da Brasil Ecodiesel. (Gisele Cabrini).

quarta-feira, agosto 05, 2009

Parece brincadeira, mas preço de terra aumenta mesmo com crise

Parece contraditório, mas reportagem do Valor Econômico que encontrei no Ethanol Brasil Blog mostra que apesar da crise mundial, o preço das terras no Brasil ficaram cerca de 3% aos valores do ano passado:

Preços das terras atingem recorde

Os preços médios das terras agrícolas no Brasil ficaram em R$ 4.446 por hectare no bimestre maio/junho, um aumento de 1,2% sobre o bimestre anterior e de 2,6% em relação ao mesmo período um ano antes, segundo relatório da AgraFNP. Esse patamar é considerado recorde (em valor absoluto), segundo Jacqueline Bierhals, analista de terras da consultoria.

"Essa ligeira valorização foi uma surpresa, uma vez que o mercado esperava um recuo para o período, considerando a crise e os poucos negócios realizados no período", afirmou Jacqueline.

Apesar da baixa liquidez nesse mercado, os produtores não aceitam reduzir os preços das terras agrícolas. Os poucos negócios realizados estão focados na área de grãos, sobretudo soja. A cotação média da terra no Brasil (de R$ 4.446) supera os R$ 4.434 por hectare registrados no bimestre de março/abril de 2004, quando os preços da soja registraram seu pico no mercado internacional. Des! contada a inflação acumulada nesse período, de 0,74%, verifica-se que o ganho real foi de 1,9%. Apesar do crescimento modesto, a AgraFNP considera positiva a recuperação.

As terras negociadas para plantio de cana-de-açúcar estão paradas, uma vez que o setor sucroalcooleiro vive uma de suas maiores crises financeiras.

Na região Nordeste do país, a mais procurada pelos investidores estrangeiros, o ritmo dos negócios ainda está lento, mas é crescente tanto para áreas agrícolas quanto para a pecuária, segundo a consultoria.

A avaliação por Estado mostra que o destaque negativo no bimestre foi o Pará, onde o Ministério Público Federal embargou diversas fazendas de pecuária de corte localizadas na Amazônia Legal. O mercado de terras, que já estava fraco na região, ficou paralisado.

Na comparação com o mesmo período, 36 meses antes, a valorização nominal no bimestre maio-junho foi de 44,3% e a real chegou a 7,! 6%. O Sul do país foi a região que se mais valorizou nos últimos três anos, com alta nominal de 52,4%, seguida pelo Centro-Oeste, com aumento de 48,3%. No Nordeste, a alta foi de 46% e no Norte, de 41,6%. O Sudeste teve valorização de 36,9% em igual período.

Mesmo com a crise financeira global, os proprietários estão atentos à perspectiva de escassez de terras para produção de alimentos e energia no mundo. Segundo Jacqueline, as ofertas estão mais escassas e quando um negócio se concretiza, os preços são elevados.

A importância da mecanização

Devido ao meu background, sempre considerei a mecanização algo extremamente importante. Para grande parte do nosso agronegócio, a mecanização já se encontra muito desenvolvida, e o próximo passo é a automalção das atividades agrícolas. Entretanto, para grande número de pequenos agricultores, a mecanização é algo muito longe ainda.

A reportagem abaixo do Jornal Estado de Minas, publicada no Notícias Agrícolas, mostra um bom exemplo da adoção da mecanização em uma pequena propriedade. Os programas atuais de fomento à venda de pequenos tratores são peças fundamentais neste processo:

Enfim, um trator

Com crédito mais fácil e juros baixos, agricultores familiares comemoram a compra da primeira máquina e já fazem planos de dobrar a produção

No Norte de Minas, a produção de quiabos do casal de agricultores Ana e Joaquim, deu um salto. O responsável pela diferença nos números, que praticamente dobraram, é um Massey Ferguson de 75 cavalos. Depois de 30 anos de lida no campo, os pequenos produtores comemoram um grande feito: acabaram de adquirir o primeiro trator. A chegada da máquina está movimentando os negócios e a vida, não só da família, mas da região, próxima a Montes Claros, onde a propriedade de 90 hectares está localizada. O trator foi comprado dentro do programa Mais Alimentos, que oferece verbas de investimento para a agricultura familiar, abrindo uma linha de crédito que há mais de duas décadas não chegava aos pequenos produtores, com prazo e juros diferenciados.

Na vizinhança, que reúne cerca de 70 pequenas propriedades, o trator não tem concorrentes, é o único da região. Em seus primeiros meses de atividade, a máquina que substituiu a tração animal e os equipamentos alugados, mostra a que veio: A produção de quiabo, de 60 caixas semanais deve dobrar, passando a 120 caixas, por semana. Uma diferença também na renda familiar. "Estamos muito contentes. Esperamos dobrar a produção não só do quiabo, mas também da cenoura, beterraba e cebolinha", diz a proprietária da máquina, Ana Fernandes Sarmento, que agora pensa em se matricular no curso de formação para tratoristas.

A aquisição de tratores e implementos agrícolas, como semeadores, arados, grades e roçadeiras, integram o programa de crédito, iniciado no ano passado e prorrogado para o ano agrícola que está começando. O objetivo da iniciativa é ampliar a produção de alimentos. Para isso foram liberados ao produtor recursos de até R$ 100 mil, com prazo de pagamento de 10 anos, carência de 24 meses, e juros de 2% ao ano, para a compra de novos equipamentos. Até então, o que havia especificamente para a agricultura familiar eram linhas de financiamento direcionadas para o custeio. O resultado dessa limitação do crédito para investimentos é a baixa mecanização do segmento, responsável pela produção de 70% de todo o alimento do país. A frota brasileira de tratores, termômetro da atividade, além de ser pequena, é bastante envelhecida. Segundo José Silva, presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG), a estimativa é de que há 30 anos, em média, os pequenos produtores não investiam de forma significativa na mecanização, item decisivo para o crescimento da produção de alimentos e do avanço da renda rural.

A possibilidade de renovar a frota animou também o agricultor Sergismundo Eustáquio da Fonseca, produtor rural em Carmo do Cajuru, no Centro-Oe ste de Minas. O velho "tratorzinho", com quase 30 anos de uso, já não aguentava desempenhar as tarefas. Assim, o plantio da lavoura e o preparo do pasto eram feitos com máquinas alugadas. "Fiquei com medo de entrar em uma dívida muito grande, mas hoje me arrependo. Deveria ter comprado tudo: grade, carreta, semeadora", diz o agricultor que vai pagar pelo trator R$ 71 mil, e espera não ter problemas para quitar o compromisso. "Quero passar a produção de leite de 300 litros/dia para 800 litros/dia", aposta.

A mecanização na agricultura familiar enfrenta uma defasagem expressiva. "A meta de Minas Gerais é atingir, pelo menos, um trator para cada 200 hectares", afirma José Silva. Para se ter ideia, hoje as regiões mais mecanizadas do estado, como o Sul e o Triângulo Mineiro, contam, em média, com uma máquina para cada 138 hectares. No semiárido, a diferença dos números assusta: apenas um trator para cada 2,1 mil hectares.

O equipamento de trabalho tem grande peso na produtividade. Como lembra a agricultora Ana Sarmento, além do aluguel da máquina ser caro, cerca de R$ 60/hora, encontrar uma máquina disponível no momento certo é um desafio que prejudicava os resultados da safra. "Muitas vezes quando o trator chegava, já tinha passado da hora de plantar." Na vizinhança, ainda são centenas de produtores que sonham com o acesso ao crédito. "Muita gente por aqui precisa, e nós podemos agora, ajudar os companheiros", diz o casal, que, além do pequeno trator, adquiriu também uma grade no valor de R$ 15 mil.