sexta-feira, junho 15, 2007

Agricultura Orgânica

Na edição do Valor de 13 de junho encontrei duas matérias interessantes sobre a agricultura orgânica. Uma comentava a ampliação da produção européia de orgânicos e a outra sobre o interesse chinês neste mercado. Comentava ainda a falta de definição de regulamentação do governo brasileiro que torna difícil a exportação de orgânicos.

EUROPA AMPLIA PLANTIO DE PRODUTOS ORGÂNICOS

A área de plantio de produtos orgânicos mais que duplicou nos países europeus desde 1998, segundo dados divulgados ontem pela Eurostat, a agência de estatísticas da União Européia. O percentual de terras destinadas às plantações orgânicas - que não utilizam agrotóxicos - subiu de 1,8% para 4,1% do total de áreas agrícolas do continente em 2005. E a área média de cada fazenda orgânica também tem hoje mais que o dobro do tamanho das fazendas convencionais: uma proporção de 39 para 16 hectares.

Os dados incluem os novos países que aderiram à União Européia, elevando para 25 o número de membros. O bloco conta com 6,1 milhões de hectares voltados para agricultura orgânica. Aplaudido por defensores de uma alimentação mais saudável, o relatório foi sombreado pela divulgação da legislação acertada entre os ministros da Agricultura europeus a respeito do que pode ou não ser considerado orgânico. Em linhas gerais, as autoridades européias aceitaram uma "contaminação" de até 0,9% de transgênicos, que podem "acidentalmente e inevitavelmente" serem incluídos nos alimentos orgânicos. A regra foi recebida com críticas, no momento em que vários países do bloco investem e aumentam sua área agrícola sem fertilizantes ou pesticidas.

O Friends of the Earth e o Greenpeace acusaram a Europa de ter aceitado material transgênico nos orgânicos. "Com o sucesso dos orgânicos, as pessoas estão prontas para pagar mais caro por alimentos de melhor qualidade livres de transgênicos", disse Marco Contiero, do Greenpeace. A demanda por orgânicos tem sido tão forte que as autoridades européias buscam garantias de que os que elas comem é o que se diz. "Os produtos orgânicos são um sucesso e um mercado crescente. Espero que as novas regras assegurem que continue assim", disse Mariann Fischer Boel, a comissária européia para a Agricultura.

A Áustria é o país com o maior percentual de áreas orgânicas em relação a sua área agrícola total, com 11%. Atrás vem Itália (8,4%), República Tcheca e Grécia (ambas com 7,2%). No outro extremo está Malta, com apenas 0,1% de terras destinadas aos orgânicos. Em extensão a Itália sobe para a primeira posição - com 1,1 milhão de hectares -, seguida por Alemanha e Espanha, com 807 mil hectares. O Reino Unido conta com 600 mil hectares para alimentos orgânicos, ultrapassando os 500 mil hectares da França. Segundo o relatório, as maiores fazendas orgânicas estão na Eslováquia, República Tcheca e Reino Unido (Valor, 13/6/07)

CHINESES JÁ COBIÇAM ENTRAR NO VELHO CONTINENTE

Enquanto o Brasil aguarda há quase dois anos uma definição do governo federal para a regulamentação de sua produção orgânica, a China organiza-se - rapidamente - para atender as exigências externas e entrar no mercado europeu. O país iniciou no começo dos anos 90 sua produção orgânica, que, como no Brasil, se baseia fortemente na agricultura familiar. A China tem 3,1 milhões de hectares para o cultivo orgânico e produz uma média anual de 2,8 milhões de toneladas desses alimentos.

Em 2005 regulamentou a lei para o setor e, no ano passado, concedeu a entrada de certificadoras internacionais, como a Ecocert, para validar seus alimentos orgânicos. "Isso vai começar a dar credibilidade aos produtos orgânicos chineses, porque até então quem fazia a certificação eram empresas nacionais", diz Ming Liu, gerente de projeto do Organics Brasil, um dos maiores promotores dos produtos brasileiros no exterior.

Ming esteve em maio passado em Xangai, onde participou da primeira feira internacional de orgânicos realizada na China. "Eles queriam saber como nós vendemos nossos produtos, mas comprar algo da gente.... esquece. Os chineses estão de olho na Europa".

Segundo Maria Beatriz Martins Costa, diretora do Planeta Orgânico, apesar das intenções chinesas para abocanhar novos mercados neste setor, algumas dúvidas persistem em relação ao tratamento do meio ambiente e à força de trabalho. "Eles estão muito agressivos, mas ainda precisam fazer ajustes. Sinto relutância [de alguns compradores] em relação a isso".

Desenvolvidos na região leste do país, nas províncias de Xangai, Pequim e Shangdong, os alimentos orgânicos são voltados à classe média-alta chinesa e à exportação para países asiáticos, que dividem gostos culinários com os chineses.

Em 2004, a China faturou quase US$ 350 milhões com os alimentos orgânicos, segundo o dado mais recente do China Organic Food Certification Center (COFCC). O grosso da produção é primária, legumes e lácteos no topo da lista. Por esse motivo, acredita Ming, eles ainda não concorreriam diretamente com produtos brasileiros. Mas para ganhar escala e enfrentar novos players do mercado, o Brasil necessita de uma regulamentação. Apesar os apelos, o texto está parado em Brasília. Enquanto isso não ocorre, o segmento movimenta muito menos que sua capacidade, dizem os produtores. A média anual tem sido pouco mais de R$ 150 milhões (Valor, 13/6/07)

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