terça-feira, maio 15, 2007

Ganhos em produtividade nas próximas 3 décadas

Segundo artigo publicado na Gazeta Mercantil, a Basf acredita que a produtividade agrícola irá aumentar consideravelmente nos próximos 30 anos e o Brasil será a "China dos alimentos". Veja a seguir artigo na integra:

PRODUTIVIDADE AGRÍCOLA DEVE DOBRAR EM 30 ANOS

A Basf, líder no mercado de fungicidas para a soja e de inseticidas para cana-de-açúcar, aponta a produtividade como a chave para a agricultura. Para o presidente mundial da divisão agrícola da Basf, Michael Heinz, Brasil tem potencial para se tornar uma grande potência para o setor nos próximos anos. "O Brasil será para a agricultura o que hoje a China é para a manufatura", disse Heinz.

Para ele, a produtividade na agricultura terá de dobrar nos próximos 30 anos para atender à demanda por alimentos em um cenário de recursos hídricos e área disponível cada vez mais escassos. "Em 2030, teremos 9 bilhões de habitantes na Terra, contra os 6,5 bilhões de hoje. Verificamos, nos últimos tempos, uma mudança no padrão de alimentação, com um consumo maior de frutas e legumes, e um aumento significativo na demanda por carne nos países asiáticos devido ao aumento de renda verificado nessas regiões", observou.

Para melhorar o rendimento das lavouras, a empresa aposta na biotecnologia vegetal. "Temos de trabalhar para o aumento da produtividade", afirma o diretor no Brasil para a divisão agro da Basf, Eduardo Leduc. "A inovação será necessária para aumentar a produção agrícola", acrescenta Heinz.

A Basf iniciou sua atuação em biotecnologia em 1999, mas deve intensificar seus projetos com a parceria recém-fechada com a Monsanto. No fim de março, as duas empresas anunciaram parceria em biotecnologia vegetal para o desenvolvimento de produtos que possibilitem alto rendimento e tolerância a condições ambientais desfavoráveis ( G.Mercantil, 10/5/07)

domingo, maio 13, 2007

Segundo ambientalistas, a produção de etanol de milho é poluente

Em um artigo publicado no Commodity News for Tomorrow da CBOT é discutido a poluição ambiental causada pelas refinarias de etanol de milho nos EUA.

Segundo o artigo, apesar do etanol substituir a gasolina e todos os problemas ambientais causados pelo petróleo, também emitem toneladas de poluentes incluindo óxido nitroso. Estes poluentes irão aumentar em 1% os níveis de poluição em muitas áreas segundo a Agência de Proteção Ambiental (EPA).

Um estudo recente da Universidade Stanford concluiu que mais de 200 pessoas irão morrer por ano devido à problemas relacionados ao ozônio, componente da poluição, se todos os veículos americanos consumirem etanol em mistura com a gasolina em 2020.

Porém críticos do estudo, como membros do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais (NRDC) e da Associação de Combustíveis Renováveis (RFA) dizem que o etanol é melhor que a gasolina tradcional sobre todos os aspectos. E segundo Brian Jennnings, vice-presidente da American Coalition for Ethanol diz que áreas que tem histórico de utilização de mistura de 10% de etanol têm obtido melhoras na qualidade do ar.

Devemos analisar com muito cuidado o que é escrito e publicado pois existem interesses enormes por trás deste negócio.

quinta-feira, maio 10, 2007

Energia Elétrica ou Comida?

Enquanto no Brasil temos visto dezenas de artigos discutindo a expansão da agroenergia, em especial a cana, e o medo de muitas pessoas de não existirem áreas agrícolas disponíveis para os alimentos, li no Commodity News for Tomorrow da Chicago Board of Trade uma nota de autoria da BBC que diz que o governo do Quenia está racionando a energia elétrica das residências, liberando apenas 4 horas por dia, para poder irrigar as plantações de trigo de inverno.

Interessante uma notícia dessas passar desapercebida pelas grandes empresas brasileiras de comunicação, enquanto gastam tanto tempo e papel discutindo o avanço dos canaviais (mais no máximo 3 milhões de ha)em um país com mais de 40 milhões de hectares disponíveis.

terça-feira, maio 08, 2007

Comida x Combustivel: O debate continua

O debate entre utilizar os recursos agrícolas na produção de alimentos ou combustíveis está em alta. Até mesmo a revista Veja dedicou 6 páginas de sua última edição para o tema. Segua abaixo integra do texto:

COMIDA X COMBUSTÍVEL

No mundo, a produção de energia tira espaço dos alimentos no campo e recoloca o Brasil no injusto papel de vilão ambiental.

O etanol passou do papel de mocinho para o de bandido em poucas semanas. De alternativa de energia ecologicamente correta capaz de livrar o mundo da dependência do petróleo e aliviar a emissão de poluentes na atmosfera, virou um elemento com potencial para bagunçar o sistema agrícola mundial e inflacionar o preço dos alimentos. Essa percepção negativa foi manifestada recentemente por vários políticos e especialistas. No início do mês passado, por exemplo, um artigo publicado pelos economistas C. Ford Runge e Benjamin Senauer na respeitada revista americana Foreign Affairs alertava que a produção do álcool pode levar a um aumento do preço da comida, agravando o problema da fome nos países mais pobres. Dias depois, durante a 1a Cúpula Energética Sul-Americana, realizada na Venezuela, o presidente do país anfitrião, Hugo Chávez, pressionou para que o documento final do encontro fizesse um alerta sobre os problemas que poderiam ser causados pela expansão do biocombustível, mas a diplomacia brasileira barrou a idéia. Até o ditador cubano Fidel Castro, afastado do governo por problemas de saúde, resolveu meter sua colher na polêmica. Num texto publicado pelo jornal oficial Granma, Fidel caprichou na retórica apocalíptica, classificando a política de investimento no etanol como a "internacionalização do genocídio".

Por ser um dos maiores produtores de etanol do mundo, o Brasil encontra-se hoje sob a mira dos críticos. Na visão de muitos deles, o aumento do uso da cultura da cana para a fabricação de etanol representa uma ameaça à produção de alimentos para o país e para todo o mundo. Com isso, o país foi recolocado no posto de vilão ambiental do planeta . Além de uma imagem injusta, o raciocínio de que o investimento nacional em etanol vai agravar o problema da fome no mundo não encontra lastro na realidade. Embora tenha aumentado a destinação de matéria-prima para a produção de combustível, o Brasil não reduziu seu ritmo de produção de alimentos. Pelo contrário. A atual safra de grãos, de 125 milhões de toneladas, bateu recorde histórico. Além disso, o país tem hoje as melhores condições para multiplicar as áreas de canaviais, sem prejuízo de outras culturas. Um grupo do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República identificou 12 novas fronteiras adequadas ao plantio da cana-de-açúcar, sem qualquer tipo de impedimento legal ou ambiental. Elas se concentram em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás e totalizam quase 80 milhões de hectares, área equivalente à soma dos territórios de Alemanha e Espanha. "Além de termos terra sobrando, somos campeões de produtividade em etanol", afirma Eduardo Carvalho, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar.

Em boa parte, as preocupações a respeito dos efeitos colaterais da expansão do etanol têm sido baseadas no comportamento dos preços mundiais de alguns grupos de alimentos nos últimos meses. Um episódio emblemático ocorreu em fevereiro, quando dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de dez cidades do México para realizar o protesto que ficou conhecido como a marcha das tortillas. Prato de resistência da culinária local, a iguaria teve seu preço aumentado em 400% nos últimos meses. A variação foi provocada pelo aumento de seu principal ingrediente, o milho, que no caso mexicano é importado dos Estados Unidos. Como os americanos estão transformando em etanol boa parte dos grãos produzidos em seu território, o alimento está cada vez mais escasso para exportação. Com isso, a tortilla se tornou vítima de uma alta gerada pela clássica lei da oferta e da procura. De um ano para cá, a cotação do milho nas bolsas de Chicago e Nova York sofreu valorização de 50%. O alto preço da commodity pode afetar uma extensa cadeia de empresas que utilizam a matéria-prima na fórmula de seus produtos ou como ração para animais. A lista inclui leite, carne de frango e refrigerantes, entre outros itens.

Outro dos efeitos colaterais da corrida em busca dos combustíveis verdes são as queimadas que estão destruindo largas porções de florestas nativas na Ásia, sobretudo na Malásia e Indonésia. Isso ocorre para que a mata possa ser ocupada por plantações de palmeiras de dendê, cujo óleo é uma das matérias-primas para o biodiesel. No Brasil, o que preocupa os ecologistas é a expansão dos canaviais, que estaria empurrando a pecuária para áreas de preservação ambiental. "Mato Grosso do Sul é um dos exemplos de locais onde esse processo está ocorrendo", afirma Sérgio De Zen, professor de economia e administração da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em São Paulo.

À luz da alta recente de preços alimentares e de problemas ambientais, cada vez mais gente tem embarcado no pessimismo quando o assunto é etanol. Segundo essa corrente, o mundo estaria conhecendo hoje apenas os primeiros sintomas de uma doença muito mais grave, pois os investimentos na fabricação do etanol vêm se multiplicando. No Brasil, quase metade da cana-de-açúcar que entra no processamento das usinas já é destinada exclusivamente à produção de etanol, avançando sobre a fatia antes usada para o açúcar. Segundo as estimativas do setor, até 2014 a proporção de matéria-prima destinada à fabricação de combustível deve chegar a quase 70% (veja quadro). O dado fica mais impressionante quando se considera que o país deverá dobrar no período a área desse cultivo. Nos Estados Unidos, ocorre um fenômeno semelhante. Atualmente, apenas 14% do milho plantado vira etanol. Em 2014, a proporção vai subir para 36%.

O avanço das culturas destinadas à produção do combustível realmente impressiona, mas isso não significa que o planeta corre o risco de virar um grande milharal e canavial. Em suas previsões apocalípticas sobre o tema, muitos críticos simplesmente estão ignorando o efeito do avanço tecnológico na produção agrícola. Isso fica claro quando se analisa o cenário brasileiro. A curto prazo, o país tem boas chances de evoluir rapidamente na produção de etanol com a aprovação e o uso de novas variedades de sementes transgênicas. Elas têm potencial de aumentar em média 4,5% ao ano a produtividade das culturas de cana-de-açúcar. Outra forma que está sendo utilizada para melhorar a performance no campo é a transformação da pecuária extensiva em semi-intensiva. Com isso, largas áreas ocupadas por gado podem ser utilizadas para cultivo de produtos agrícolas. Além de não prejudicar a produtividade da pecuária, esse sistema aumenta a rentabilidade do produtor. "Ganho dinheiro arrendando parte das minhas terras para uma usina de álcool da região e economizo em ração, pois meu gado passou a ser alimentado com bagaço de cana-de-açúcar", afirma o fazendeiro Francisco Junqueira, um dos maiores pecuaristas de São Paulo. Há dois anos, quando firmou um acordo com a usina, metade dos 7 000 hectares de suas propriedades em Lins, no interior paulista, deixou de servir de pasto. No lugar, hoje se vêem tapetes de canaviais. Junqueira continua criando as mesmas 10 000 cabeças de gado, mas numa área muito menor.

No caso do principal concorrente brasileiro no mercado do combustível verde, o cenário é outro, a ponto de a revista inglesa The Economist, num artigo recente, usar as expressões bom e mau etanol para ilustrar a diferença. Segundo a revista, a produção brasileira está no campo positivo e, a americana, no negativo. Nos Estados Unidos, a briga por espaço no campo entre culturas destinadas à comida e à energia é uma realidade. Como o terreno para a expansão agrícola é bem mais restrito por lá, as plantações de milho só podem crescer se roubarem espaço de outras culturas, como a de cevada, o que pode levar as cervejas a sofrer o efeito tortilla. Em razão das quantidades cada vez maiores de grãos canalizados para a fabricação de etanol, os avicultores também enfrentam problemas. Estima-se que seus custos vêm crescendo à média de 1,5 bilhão de dólares por ano em razão da alta de preço do milho utilizado nas rações. As mudanças no agronegócio americano são tão abruptas que a capital do gado, o Texas, transformou-se na terra do etanol. Duas das maiores usinas de álcool do país estão sendo construídas no estado e devem entrar em operação até dezembro. Ao todo, os Estados Unidos estão investindo 16 bilhões de dólares na construção de 80 novas usinas para a fabricação de combustível nos próximos anos.

Apesar da facilidade que a maior potência econômica tem para injetar dinheiro no negócio, está cada vez mais claro que o modelo em que ele se sustenta hoje é equivocado. Além de provocar transformações negativas no agronegócio americano, a fabricação de etanol com base no milho está longe de ser um exemplo em termos de eficiência. O combustível obtido no Brasil com a cana-de-açúcar leva vantagem no preço final (25% mais barato) e na produtividade de litros por hectare (o dobro da média americana). Se não bastasse, a cana-de-açúcar gasta quatro vezes menos energia do que o milho para que se fabrique o etanol (ou seja, não adianta nada ter um combustível verde que precisa de uma quantidade enorme de diesel para ser fabricado). Os Estados Unidos vêm comendo poeira nessa área mesmo com o governo George W. Bush injetando subsídios no setor (foram 9 bilhões de dólares só no ano passado). Para proteger o mercado interno, Bush ainda dificulta a importação do produto impondo barreiras -- cada galão de etanol brasileiro paga 0,54 dólar de "pedágio" para entrar nos Estados Unidos.

Mas a evolução tecnológica também pode mudar as coisas por lá -- pelo menos é o que apostam algumas das figuras mais destacadas da sociedade americana. "A atual geração de etanol envolve uma certa polêmica, mas, se trabalharmos corretamente, em cinco anos teremos uma nova geração de combustíveis verdes", afirmou numa palestra recente o ex-vice-presidente americano Al Gore. Um dos produtos mais promissores dessa nova geração é o chamado etanol celulósico, que pode ser feito de qualquer tipo de planta, incluindo a palha de milho e o bagaço da cana-de-açúcar. Na visita recente de George W. Bush ao Brasil, os dois países firmaram um acordo que prevê parcerias em pesquisa para o desenvolvimento comercial do produto. As previsões de quando isso pode acontecer variam de cinco a dez anos. "Com essa tecnologia, vai ocorrer uma expansão vertical da produção", afirma Marcos Jank, presidente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone). "O combustível obtido da celulose vai permitir dobrar a produtividade do etanol, atualmente de 7 000 litros por hectare."

Em razão dos benefícios que os avanços tecnológicos devem trazer a esse campo, é mais fácil Fidel Castro se naturalizar cidadão americano do que o etanol gerar uma "internacionalização do genocídio". Em termos de futuro, o que é líquido e certo é que o mapa agrícola mundial nunca mais terá a mesma cara depois do advento dos biocombustíveis. No Brasil, além da expansão da cana-de-açúcar, a tendência é ocorrer um investimento maior na cultura do milho, a fim de suprir a demanda dos Estados Unidos de grãos para alimentação. Num futuro próximo, largas porções da Ásia e da Europa devem privilegiar culturas destinadas a irrigar a produção de biodiesel.

A velocidade das transformações no mapa agrícola mundial vai depender do aumento da demanda pelos combustíveis verdes. Nos Estados Unidos, a intenção do presidente Bush é que, dentro de uma década, eles representem 15% do total consumido por carros e caminhões no país. Na Europa, a idéia é que eles substituam 6% do diesel atualmente consumido até 2010. Planos semelhantes vêm sendo adotados em outros países, como o Japão, com o objetivo de reduzir a emissão de poluentes na atmosfera. Alguns analistas entendem que, mesmo se o movimento conduzir a um pequeno aumento de preço dos alimentos -- por ora algo ainda no terreno das hipóteses --, não será necessariamente uma coisa ruim. Faz sentido. Não há mesmo como chamar de catástrofe um processo que pode, ao mesmo tempo, melhorar a renda no campo e a qualidade de vida no planeta.

OPORTUNIDADES PARA O BRASIL

À medida que os agricultores americanos se dedicam a expandir as plantações de milho para a produção de etanol, em prejuízo de outras culturas, surgem espaços no mercado dos Estados Unidos que podem ser aproveitados pelos produtores brasileiros

Milho Com as plantações nos Estados Unidos canalizadas para a produção de combustível, começa a faltar milho no país para alimentação. Em razão disso, o preço do produto já aumentou 40%. O Brasil é o país que tem maiores possibilidades de suprir essa demanda

Soja As plantações do grão perdem espaço para o milho nos Estados Unidos. A tendência é uma valorização da soja, e o único país capaz de expandir rapidamente a fronteira é o Brasil.

segunda-feira, maio 07, 2007

Agronegócio Brasileiro e o Mercado Financeiro

Depois da abertura de capital do grupo COSAN, e mais recentemente Grupo São Martinho e Friboi, leio nos jornais desta semana que o Grupo Nova América também pretende abrir seu capital e que a BM&F bate recorde do número de contratos comercializados.

As duas notícias encontram-se abaixo:

NOVA AMÉRICA FAZ PEDIDO DE ABERTURA DE CAPITAL NA CVM

O Grupo Nova América, dono do açúcar União, marca líder no varejo brasileiro, registrou pedido para abertura de capital na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no fim de abril. Se concretizada a operação, será a terceira empresa com atuação na área de açúcar e álcool do país a emitir ações no mercado, depois das usinas paulistas Cosan, a maior do segmento, e São Martinho.

Controlado pela família Rezende Barbosa, o grupo Nova América está em expansão, e recentemente anunciou investimentos da ordem de R$ 1 bilhão na construção de duas usinas de açúcar e álcool no Mato Grosso do Sul.

A companhia quer ampliar seu processamento de cana dos atuais 7 milhões de toneladas para 15 milhões nos próximos dois anos. Com duas usinas em operação em São Paulo, nas cidades de Tarumã e Maracaí, a Nova América também prepara uma emissão de debêntures para alavancar recursos e viabilizar seus novos projetos. Procurado, o grupo informou que não comentaria o assunto.

Na safra 2006/07, encerrada no dia 30 de abril, o faturamento do grupo deve ter alcançado cerca de R$ 1,7 bilhão, ante R$ 1,4 bilhão obtidos na temporada 2005/06. Há mais de um ano, a Nova América deu início a um processo de reestruturação.

O Valor apurou que, a partir do pedido registrado na CVM, a emissão pública de ações (IPO, na sigla em inglês) é uma das opções que poderão ser adotadas, mas não necessariamente a única. De gestão familiar, o grupo opera atualmente em três grandes frentes: açúcar e álcool, laranja e pecuária de corte e leiteira (tem gado bovino no Mato Grosso do Sul e no Paraguai).

A companhia também é proprietária de um terminal portuário de açúcar, o Teaçu, em Santos (SP). Esse terminal tem capacidade para escoar 2 milhões de toneladas de açúcar a granel e 1 milhão de toneladas de açúcar ensacado. O grupo também faz parte de um pool de usinas que, ancoradas pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), deverá negociar soluções logísticas para o escoamento de álcool para exportação das principais regiões produtoras do país até os portos.

A divisão de agroenergia do grupo é coordenada por Roberto Rezende Barbosa, presidente da companhia. José Eugênio, irmão de Roberto, está à frente da divisão de citros, que também está em expansão. Neste segmento, o grupo possui uma área de 3 mil hectares, com produção de cerca de 3,5 milhões de caixas de 40,8 quilos de laranja, volume que deverá atingir 8 milhões de caixas nos próximos anos.

No varejo, a Nova América tem forte presença, sobretudo com marcas próprias de suco. O controle das fazendas e da área de pecuária do grupo fica a cargo de Renato Eugênio de Rezende Barbosa (Valor, 4/5/07)


MAIS UM MÊS DE MOVIMENTO RECORDE NA BM&F

Como já se tornou rotina nos últimos anos, abril foi mais um mês de recordes agropecuários na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Foram negociados 146.131 contratos (futuros, opções e ex-pit) no total, 62,5% mais que no mesmo mês de 2006, que representaram um volume financeiro de US$ 1,365 bilhão, um crescimento de 59,1% em igual comparação. Em ambos os casos, foi o melhor abril da história.

Conforme levantamento divulgado ontem (dia 3) pela BM&F, também foram recordes para abril as negociações com café arábica e boi gordo - 61.877 e 39.382 contratos (futuros e opções), respectivamente. E, no caso da soja, os 25.258 papéis negociados representaram o maior volume mensal já apurado.

"Continuamos constatando a presença de novos players no mercado. No lado da venda, mais produtores e cooperativas. E no lado comprador, sobretudo na soja, mesmo as grandes tradings, que são pragmáticas, já preferem comprar soja em Paranaguá [porto paranaense onde é feita a entrega do produto segundo os termos dos contratos da BM&F]", afirmou Félix Schouchana, chefe do departamento agrícola da bolsa.

Para Schouchana, outro fator que vem impulsionando a movimentação é a maior participação de fundos multimercado nas negociações agropecuárias, um movimento também observado nos últimos anos nas bolsas americanas de Chicago e Nova York.

De acordo com o executivo, nesse ritmo as negociações com futuros e opções tendem a aumentar quase 50% no acumulado deste ano, para aproximadamente 2 milhões de contratos. Ver mais em www.bmf.com.br (Valor, 4/5/07)

quarta-feira, maio 02, 2007

Eficiência Energética do Biodiesel

Em uma nota distribuída por sua assessoria de imprensa, a empresa Brasil Ecodiesel diz produzir o biocombustível mais "verde" do mundo. Segundo a empresa a cada unidade de energia gerada para a produção do oléo obtem-se 10,5 unidades. Para o etanol de cana este valor é de 8 vezes enquanto que para o etanol de milho é menor que dois, conforme estudo realizado pelo CTC. Abaixo segue a nota integral:

BRASIL ECODIESEL PODE PRODUZIR O BIOCOMBUSTÍVEL MAIS “VERDE” DO MUNDO

A Brasil Ecodiesel anunciou, nesta segunda-feira, 30/4, que o biodiesel com base em óleo de mamona a ser fabricado na sua unidade de Iraquara, na Bahia, apresenta um balanço energético superior ao de qualquer outro biocombustível produzido hoje no mundo. Esta conclusão faz parte de um estudo realizado pela EcoSecurities, empresa especializada no comércio de crédito de carbono, com sede em Londres, que constatou que para cada unidade de combustível fóssil consumida no processo de produção, será possível gerar 10,5 unidades de combustível renovável.

O comunicado foi feito em Nova York durante o Fórum de Desenvolvimento Sustentável 2007, evento promovido pela Associação das Nações Unidas-Brasil e que contou com a participação dos ex-presidentes dos Estados Unidos Bill Clinton e George Bush.

“O estudo mostra que o biodiesel brasileiro possui o maior potencial de substituição das fontes fósseis de energia do mundo. A Brasil Ecodiesel tem orgulho não só por assumir uma postura pioneira uma vez mais na história do biodiesel, mas, principalmente, por contribuir de forma efetiva e responsável para a preservação do meio ambiente”, afirmou Nelson Côrtes da Silveira, presidente da Brasil Ecodiesel.

Criada em 2003, a Brasil Ecodiesel estruturou-se para ser não apenas economicamente eficiente, mas teve também a preocupação de estabelecer uma cadeia de produção sustentável, com modernas práticas ambientais em todo o processo produtivo. Desde o cultivo de suas oleaginosas no campo, onde grande parte da colheita é feita manualmente, até a utilização de veículos movidos 100% a biodiesel. Além disso, todos os co-produtos são reinseridos no processo industrial como geradores de energia e calor dentro das unidades de transesterificação.

A sustentabilidade de diferentes biocombustíveis só pode ser avaliada a partir da comparação de seus balanços energéticos, ou seja, a relação entre a energia renovável gerada e os materiais fósseis utilizados no processo de produção. Até o momento, o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar brasileira era o biocombustível que apresentava o balanço energético de maior valor (8,3). Com a mamona, este índice atingiu 10,5.

Segundo a companhia, o balanço energético será ainda mais positivo quando se utilizar o pinhão manso como matéria-prima e caso o metanol usado atualmente no processo seja substituído pelo etanol. Desta forma, o índice poderá atingir a marca de um para 40

Etanol provoca mudanças na produção de carnes

A grande preocupação que existe atualmente sobre o avanço do etanol sobre outras culturas deve ser evitada, pois o que ocorre é que as terras remanescentes aumentam de produtividade, conforme nos mostra a reportagem abaixo publicado pelo jornal Valor Econômico de 3 de abril:

FEBRE DO ETANOL ESTIMULA CONFINAMENTO

O avanço do plantio de cana-de-açúcar por conta da febre do etanol, especialmente no Estado de São Paulo, levou os pecuaristas a investirem mais no confinamento de gado de corte. De acordo com estimativa da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), o número de animais confinados, que no ano passado aumentou 17%, para 1,77 milhão de cabeças, deve chegar este ano a 2,5 milhões de animais.

"O avanço da cana-de-açúcar tem se dado basicamente sobre áreas de pecuária, e muitos pecuaristas estão preferindo arrendar parte das terras para usineiros e fazer a terminação [engorda do gado adulto] em confinamento", afirma Fábio Dias, diretor executivo da Assocon. Dias observa que, mesmo com a expansão, o confinamento de gado no país ainda é pouco representativo: apenas 5% dos animais abatidos no país passam pelo processo de engorda fora dos pastos. "Historicamente, os pecuaristas se utilizam do confinamento durante a fase de entressafra, entre setembro e dezembro, quando o clima seco provoca piora nos pastos", observa.

Conforme a entidade, confinamento de animais tende a aumentar fora do período de entressafra, mas essa expansão pode ser limitada pelo aumento nos custos da ração. "Os preços dos grãos subiram de 30% a 50% neste ano e houve reajuste na ração. Os custos ficaram mais altos e obviamente isso terá reflexo nos preços da carne bovina vendida pelos frigoríficos", diz. Na última sexta-feira, o preço médio da arroba do boi gordo negociado à vista estava estável a R$ 55,18, de acordo com o indicador Esalq/BM&F.

Recentemente o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), as indústrias do setor têm buscado mudar a formulação de produtos, mas ainda assim haverá reajuste nos preços. Por ano, o gado de corte brasileiro consome em média 1,56 milhão de toneladas de ração, enquanto o gado leiteiro consome 4,07 milhões de toneladas.