terça-feira, agosto 18, 2009

Mercado americano quer mais açúcar

Parece que o mercado americano está precisando de açúcar. Quem sabe aumentam as exportações daqui do Brasil. A reportagem da semana passada do Wall Street Journal que encontrei no BrasilAgro fala sobre o assunto encontra-se na sequência e a notícia completa em inglês neste link.

Ao final da notícia temos os gráficos em inglês referentes aos preços do açúcar e ao estoque americano:

INDÚSTRIA DE ALIMENTOS DOS EUA QUER IMPORTAR MAIS AÇÚCAR

Alguns dos maiores fabricantes de alimentos dos EUA alegam que podem "virtualmente ficar sem açúcar" se o governo não diminuir as restrições à importação num momento em que os preços da importante matéria-prima estão em alta.

Numa carta ao secretário da Agricultura do país, Thomas Vilsack, empresas importantes como Kraft Foods Inc., General Mills Inc., Hershey Co. e Mars Inc. levantaram a possibilidade de uma escassez severa de açúcar para fabricar barras de chocolate, cereais matinais, bolachas, chicletes e milhares de outros produtos.

As empresas ameaçaram reajustar os preços e demitir funcionários se o governo não permitir que importem mais açúcar sem tarifa. Cotas de importação em vigor limitam a quantidade que pode ser importada sem tarifa, exceto do México, o que diminui a oferta proveniente de grandes produtores como o Brasil.Embora os economistas agrícolas não levem muito à sério a possibilidade de os EUA ficarem sem um único grão de açúcar, as empresas de alimentos alertam na carta a Vilsack que sem o livre acesso ao produto importado mais barato "as pessoas vão pagar mais caro, os empregos na indústria ficarão na berlinda e os modelos de comércio serão distorcidos".

Contatados por telefone e email, representantes de várias fabricantes de alimentos — várias das quais têm obtido lucros polpudos este ano mesmo com a recessão — não quiseram comentar qual seria o reajuste se não conseguirem forçar Washington a atender ao seu pedido.

A carta é o capítulo mais recente de uma disputa antiga entre as fabricantes americanas de alimentos e a indústria açucareira do país sobre a política federal que infla o preço do açúcar americano para apoiar a receita de produtores politicamente ativos de beterraba, nas planícies do norte, e de cana-de-açúcar, no sul. Na maioria dos anos o preço que as empresas americanas pagam pelo açúcar local é o dobro da cotação mundial.

Ron Luchesi, chefe de compras da Gonnella Frozen Products, de Chicago, disse que a atual política americana para o açúcar distorce os preços. A commodity corresponde a 0,5% do custo total da Gonnella, e a alta do preço é "parte da equação" que já forçou a empresa a reajustar o preço de pães, do hambúrgueres e da salsicha, todos produtos que levam açúcar.

A questão começou a esquentar de novo porque o açúcar, tanto nos EUA quanto no resto do mundo, tem há mais de um ano subido a níveis inusitados e não vem dando nenhum sinal de declínio. O açúcar subiu 95% este ano e chegou recentemente à maior cotação dos últimos 28 anos. Os futuros de açúcar subiram 4,8% na Intercontinental Exchange ontem, para US$ 22,97 por libra (cerca de meio quilo).

O preço está subindo porque o mundo vem consumindo mais açúcar do que produz. Uma razão importante para isso é que o maior produtor de açúcar do mundo, o Brasil, está destinando uma fatia cada vez maior da produção de cana para fabricar álcool combustível. A indústria alimentícia dos EUA tem reclamado muito nos últimos anos do apetite incansável das usinas americanas de álcool pelo milho, o que também ajudou a impulsionar o preço dessa commodity muito usada no país para substituir o açúcar.

Mais da metade da safra de cana-de-açúcar do Brasil é transformada em álcool, enquanto um terço da safra de milho dos EUA vira combustível. A temporada irregular de monções na Índia forçou os analistas do açúcar a reduzir a previsão da safra do país, o segundo maior produtor mundial.

Enquanto isso, os estoques de açúcar nos EUA diminuem a um nível inédito. No relatório mensal divulgado ontem, o Departamento de Agricultura previu que o estoque americano de açúcar em 2010 vai encolher 43% em relação ao segundo semestre de 2009.Segundo estimativas do departamento, no ano agrícola que se encerra em setembro a indústria dos alimentos terá importado cerca de 1,3 milhão de toneladas de açúcar pelo programa de cotas e tarifas.

Um economista da Associação de Usuários de Adoçantes, uma organização da indústria de alimentos, disse ontem que os executivos querem importar mais cerca de 450.000 toneladas de açúcar sem tarifa até 30 de setembro.

Como porcentagem dos custos de matéria-prima, a fatia do açúcar varia de uma empresa para a outra. É 1%, 8% e 6%, respectivamente, para ConAgra Foods Inc., Hershey e Kraft, segundo um relatório recente do analista Andrew Lazar, do Barclays Capital.

Ninguém sabe se o governo vai liberar logo a entrada de mais açúcar nos EUA. O Departamento de Agricultura divulgou um comunicado curto em que afirma que "continuará a avaliar as condições do mercado para garantir (...) uma rede de proteção para os produtores" assim como "um cenário de oferta estável".



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