sábado, novembro 10, 2007

Energia elétrica de biomassa - preço justo

O valor do MWh de energia de biomassa sempre foi muito questionado e talvez por isso não existam tantas usinas de açúcar e álcool vendam energia elétrica excedente. O artigo abaixo do site Agroind comenta isso e no final temos uma frase interessante: a que o valor projetado para o MWh da Usina do Rio Madeira seja o valor pretendido pelo setor sucroalcooleiro:

MEGAWATT A R$ 120 EM 2008

O preço médio do megawatt hora (MWh) deve começar 2008 em R$ 120,00. O valor foi anunciado nesta terça-feira (06), em Ribeirão Preto (SP), durante evento que reuniu cerca de 200 representantes de indústrias e executivos de concessionária de energia elétrica.

O valor médio do MWh coincide com o preço solicitado pelo MWh cogerado do bagaço de cana-de-açúcar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em setembro último, pelo presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Sawaya Jank. Conforme apurado pelo Agroind, até hoje os empresários do setor sucroalcooleiro aguardam uma resposta do governo sobre a solicitação.

Curiosamente, os mesmos R$ 120,00 equivalem ao MWh projetado pela primeira usina hidrelétrica a ser implantada no rio Madeira, em Rondônia.

Cana e Amendoim - bela rotação

A rotação de cultura cana-amendoim volta a ser bom negócio, conforme reportagem abaixo do site BrasilAgro:

COPERCANA: AMENDOIM É A NOVA APOSTA DE LUCRO DO AGRONEGÓCIO

A Cooperativa dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Copercana), as Faculdades Associadas de Uberaba (FAZU) e a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Uberaba (Sagri), firmaram parceria para pesquisar cinco variedades de amendoim, entre elas, o amendoim auto-oléico ou amendoim light. A pesquisa vai identificar quais as espécies são mais resistentes às doenças.

Não é por acaso que as instituições apostam no amendoim para a região de Uberaba. “É um produto que pode ser utilizado na rotação de plantio com a cana-de-açúcar, prática comum dos produtores de Sertãozinho, SP, cooperados da Copercana. E ainda, segundo os produtores paulistas, o amendoim possui uma demanda grande para exportação”, esclarece a diretora acadêmica da Fazu, Dionir Dias Andrade.

A Copercana vai realizar controles nas etapas de produção das variedades de amendoim que serão pesquisadas na Fazenda Escola do Campus Fazu. Desde o início da plantação da cultura, será feito um acompanhamento técnico na aplicação das práticas agrícolas. Isso envolve a avaliação do solo e o seu preparo, análise de fertilidade, escolha de variedade/semente, plantio, controle de pragas e doenças durante todo ciclo da cultura.

Em 2005, a Copercana exportou 10 mil toneladas de amendoim, um volume 10 vezes maior em relação a 2004, primeiro ano que a cooperativa vendeu o grão para fora do País. De lá para cá, é notável o aumento no volume de exportação. Os mercados, externo e interno, passaram a ser mais exigentes com relação à qualidade do produto. Por isso, as instituições querem investir na diversificação de variedades do produto.

As perspectivas para a safra 2007/08 de amendoim, principalmente no Estado de São Paulo, são animadoras e se baseiam na alta dos preços para a saca de amendoim em casca, na queda dos preços da cana-de-açúcar, o que poderá impulsionar a renovação dos canaviais e, por conseqüência, favorecer o aumento da área plantada com amendoim. Tudo isso também está aliado às expectativas de queda na produção nos principais países exportadores, à disponibilidade de recursos financeiros e a capacidade técnica dos produtores.

Os principais destinos das exportações de amendoim descascado são os países da União Européia, em especial Alemanha, Espanha, Itália, Reino Unido e Holanda. Outros países também se destacam como Canadá, México, Peru e Rússia.

Resíduo de chocolate vira energia na África

A bioenergia chega ao chocolate. Leia abaixo uma nota do site da Reuters sobre aproveitamento de resíduos de chocolate na África:

NOVO PROCESSO TRANSFORMA SUBPRODUTOS DO CHOCOLATE EM COMBUSTÍVEL

Os chocólatras podem atenuar qualquer culpa que eventualmente sintam graças a um novo processo que transforma os subprodutos da fabricação do chocolate em biocombustível --de modo que a guloseima se torna "ecologicamente correta".

Um caminhão abastecido com esse biocombustível vai partir neste mês de Poole (costa sul da Inglaterra) para o Mali (África) numa missão humanitária.

"O dejeto do chocolate costumava ser usado em aterros. Mas agora podemos fazê-lo viajar como biocombustível", disse o organizador Andy Pag, que será um dos dois motoristas da viagem.

A empresa Ecotec, do noroeste da Inglaterra, pegou o lixo do processo de fabricação do chocolate, transformou-o em bioetanol e o misturou com óleo vegetal para produzir biodiesel.

Alguns biocombustíveis são criticados por usarem material que poderia ter finalidade alimentícia ou por incentivar o desmatamento -- no espaço usado para grandes canaviais, por exemplo.

"Isso é para mostrar que se pode ter biocombustíveis ambientalmente corretos e que não é preciso converter os motores a diesel normais para usá-lo", disse Pag à Reuters.

O BioTruck parte em 26 de novembro e deve levar cerca de três semanas para percorrer os 7,2 mil quilômetros até Timbuktu, onde vai entregar uma pequena unidade de produção de biocombustíveis a uma ONG local.

Mas que ninguém espere um aroma apetitoso quando o caminhão passar. "Não! Receio que o escapamento não cheire a chocolate," disse o Pag.

sexta-feira, novembro 09, 2007

Bagaço pode ser salvação de Apagão!

A imprensa só fala no possível apagão no futuro, mas como podemos observar na reportagem de ontem da Gazeta Mercantil, a solução encontra-se perto e fácil:

CANA PODE GERAR 15% DA ENERGIA NO PAÍS

O Brasil poderá gerar 15% de sua energia elétrica a partir da cana-de-açúcar até 2015, em comparação com os 3% atuais, ajudando a aliviar uma escassez de energia já prevista, prevê Marcos Jank, presidente da Unica (União da Agroindústria Canavieira de São Paulo). A produção de energia elétrica a partir do bagaço da cana-de-açúcar poderá crescer para 11.500 megawatts até 2015 e para 14.400 megawatts até 2020, disse Jank durante entrevista concedida ontem em Amsterdã, na Holanda.

"Até o final da próxima década, a eletricidade será a segunda maior fonte de receita para os usineiros, sendo que a primeira será o etanol e a terceira será o açúcar", afirmou. "A temporada de colheita da cana é a temporada de estiagem no Brasil, exatamente quando incorremos no risco de registrar apagões devido ao fato de o nível dos reservatórios estar baixo", disse Jank. "Por isso, essa medida pode ser uma forma de proteção. Cada 1.000 megawatts de bioeletricidade gerada no Brasil tem o mesmo efeito que acrescentar um volume de 5% de água nos reservatórios", acrescentou.

O presidente da Unica reconheceu que o setor de biocombustíveis está "sob ataque" devido ao receio em relação a sua sustentabilidade, e, por isso, precisa melhorar sua imagem. "Nós precisamos defender o etanol mundialmente contra as críticas sem embasamento científico", disse Jank em conferência realizada antes da entrevista coletiva. "Precisamos de mais comunicação sobre o etanol. Nós temos um problema em relação a isso."

Grupos como a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) dizem que o setor gera inflação nos preços dos alimentos, prejudica o meio ambiente e pode piorar os níveis de pobreza dos agricultores de países em desenvolvimento.

Os governos de Europa e Estados Unidos estão estimulando o uso de combustíveis alternativos para limitar as emissões de dióxido de carbono geradas por combustíveis fósseis e reduzir a dependência das importações de petróleo. A União Européia (UE) quer que biocombustíveis como o etanol respondam por 10% do combustível utilizado em seu setor de transportes públicos até 2020. O presidente George W. Bush quer aumentar o consumo de etanol dos EUA com a quase quintuplicação da meta para o uso de combustíveis renováveis até 2017.

"Precisamos trabalhar juntos na comunicação, mesmo que utilizemos diferentes matérias-primas em diferentes países e tenhamos políticas diferentes" para informar o público "sobre os benefícios dos biocombustíveis e, especificamente, do etanol", disse Jank. O Brasil é o maior produtor mundial de açúcar e de etanol, a partir da cana-de-açúcar, tendo registrado a produção de 30,2 milhões de litros de etanol e de 430 milhões de toneladas de cana na safra 2006-2007. A produção brasileira de cana mais do que dobrará até 2020, passando a 1 bilhão de toneladas.

terça-feira, novembro 06, 2007

Até sabugo de milho vira etanol nos EUA

Saiu hoje no Commodity News for Tomorrow da CBOT uma nota interessante sobre uma empresa americana que está usando sabugo de milho para produzir etanol.

A empresa chama-se Poet e fica localizada no Dakota do Sul. Atuam na produção de etanol há mais de 20 anos e estão, em conjunto com fabricantes de máquinas e equipamentos, desenvolvendo tecnologia para aproveitamento do resíduos dos sabugos para posterior transformação em etanol através de hidrólise da celulose.

Para isso usam uma colhedora de grãos adaptada que colhe grãos e sabugos e um separador separa esta mistura. Outra alternativa é o acoplamento de um dispositivo que separa na própria colhedora o sabugo dos grãos.

Maiores informações em inglês podem ser obtidas no Commodity News for Tomorrow ou no próprio site da POET.

Investimentos em biocombustíveis nos EUA devem chegar a mais de US$ 100 bilhões até 2022

Em artigo publicado no Biofuel Review, especialistas comentam que a quantidade de investimentos necessários para os EUA alcançarem a produção de 36 bilhões de galões anuais em biocombustíveis até 2022 deve ser de aproximadamente US$ 105 bilhões.

A notícia completa em inglês encontra-se disponível aqui.

sábado, novembro 03, 2007

Protecionismo comercial surge com novas caras

O Protecionismo Comercial tenta de todas as maneiras criar novas formas de proteção. Na reportagem abaixo do DCI podemos encontrar algumas formas "modernas" de protecionismo:

Gado estressado e avião poluidor vetam embarque

Animais estressados, aviões poluidores, plantação que não maltrate as florestas. Na briga pela abertura do mercado agrícola internacional, estas são as novas reclamações de diversos países para barrarem a importação e manterem seus mercados fechados. Enquanto se discute o uso dos subsídios agrícolas nas rodadas e negociações internacionais, surge a nova versão das antigas barreiras protecionistas: as barreiras sócio-ambientais. Enquanto isso, o Brasil perde cerca de US$ 10 bilhões por ano com o fechamento dos mercados agrícolas internacionais, segundo estudo feito pelo pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA).

Sob o argumento de contribuir para o desenvolvimento sustentável, alguns países têm fechado seu mercado com exigências que vão além da qualidade do produto. "Estamos assistindo a nova era do protecionismo agrícola. Com a falta de argumentos para manter seus subsídios num mercado pouco competitivo, com perdas no âmbito da Organização Mundial do Comério (OMC), vários países passaram a fazer exigências ligadas à temas excepcionais", descreveu o pesquisador sênior do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Ícone), Rodrigo Lima.

Food mile

Exemplos não faltam. Um deles é o "food mile", isto é, a distância que o alimento percorre desde a sua origem até chegar ao consumidor final, e, em decorrência disso, o impacto causado pelo gás carbônico na atmosfera. "Se o produto é transportado por avião, as emissões de CO2 são maiores do que o transporte por navio. Essa é uma medida que incentiva o consumo de alimentos produzidos localmente. É uma demanda ambiental, com forte apelo junto ao consumidor, que começou no Reino Unido", conta Lima. "É uma barreira não-tarifária de cunho ambiental extremo, uma vez que considera somente os impactos do transporte e, muitas vezes um alimento produzido a milhares de quilômetros tem um impacto menor para o meio ambiente quando comparado ao seu similar local", acrescenta.

Também cresce na Europa a preocupação com o bem-estar dos animais. Novamente, o Reino Unido está na vanguarda deste tipo de demanda. "O que é preocupante é que a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) começou a se envolver de uma forma mais ativa na criação de padrões para o bem-estar animal há pouco tempo e, por isso, não existem padrões internacionais amplamente aceitos nessa área. Com isso, podemos estar sujeitos a exigências exageradas sem ter uma regra ou um órgão que nos oriente", diz Lima.

Em função disso, o assessor técnico da Coordenação de Comércio Exterior da CNA, Antônio Donizete Beraldo, afirma que os pecuaristas e avicultores brasileiros estão investindo maciçamente para evitar que essa demanda pelo bem-estar animal termine consolidando a perda de um mercado consumidor importante, como o europeu.

"Principalmente os avicultores. Eles estão investindo muito em novas formas de criadouros, para manter o bem-estar das aves antes do abate", contou. Ele mencionou ainda que no Brasil, o gado é criado "solto e feliz, pastando livremente". Ao contrário da Europa, onde são confinados pela falta de espaço e para crescerem mais rápido, o que não condiz com a acusação dos importadores da Irlanda de que o Brasil não tem controle sobre a sanidade do gado. "Não somos contra o fim do trabalho escravo, nem contra a agricultura sustentável, mas sim contra as distorções no comércio agrícola. A medida que avança a discussão sobre o fim das barreiras tarifárias, esses tipos de exigências crescem como alternativas para manter os mercados consumidores fechados a quem é realmente competitivo", afirma.

O maior problema acerca das novas exigências é a criação de nova demanda que não necessariamente serão acolhidas por certificações, mas que podem criar barreiras à medida que grupos de consumidores sejam convencidos de sua necessidade. "O consumidor terá o poder de influenciar essas demandas. É o consumo ético, consciente, que cresce", diz o pesquisador da Ícone.

Sustentável

Para manter o Brasil na vanguarda dos países exportadores de produtos agrícolas, cerca de dezenove entidades do agronegócio brasileiro lançaram oficialmente em setembro deste ano o Instituto para o Agronegócio Sustentável (Ares). Com isso, o que era inimaginável anos atrás, a união em agricultores e pecuaristas com Organizações Não Governamentais (ONGs) ambientalistas, se tornou não apenas realidade, mas uma necessidade comercial. A idéia é buscar o desenvolvimento sustentável. O País é o 3º maior exportador agrícola, e o 1º em culturas como o etanol, açúcar, suco de laranja, tabaco, carnes e café.