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sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Usinas diminuem inadimplência

Apesar da notícia anterior de que os investimentos no setor sucroalcooleiro estão diminuindo, abaixo segue uma boa nova, a que a inadimplência com os fornecedores de equipamentos, a indústria de base, está diminuindo.

A notícia foi publicada hoje no Valor Econômico:

Inadimplência de usinas com as indústrias de base diminui

Mônica Scaramuzzo, de São Paulo

O índice de inadimplência do setor sucroalcooleiro com as indústrias de base, boa parte instaladas nas cidades paulistas de Piracicaba e Sertãozinho, encerrou o mês de janeiro entre 12% e 13%, uma queda expressiva em relação aos 36% alcançados em novembro. A fotografia atual mostra que esse segmento ainda continua afetado pela crise financeira, mas já começa a dar sinais de que poderá atravessar o ano de 2009 fora da UTI.

No auge da crise, as indústrias de base tiveram 22% dos seus pedidos cancelados e outros 28% postergados. Com cerca de 400 usinas em operação no país, os projetos de novas usinas somavam cerca de 100 unidades no ano passado, com investimentos entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões.

Maior indústria de base do país com vocação sucroalcooleira, a Dedini, com sede em Piracicaba (SP), atualmente participa direta e indiretamente de 68 projetos de usinas em construção no Brasil, afirmou ao Valor José Luiz Olivério, vice-presidente de operações da companhia. "Alguns contatos dos projetos que foram adiados começaram a ser retomados", disse. De acordo com ele, há 31 projetos em fase de consultas.

Atingida diretamente pela crise que afetou as usinas de açúcar e álcool, que enfrentam escassez de crédito, a Dedini teve de renegociar prazos de pagamentos com seus clientes. "Não fomos atingidos pela inadimplência porque renegociamos prazos", disse Olivério. Antes da crise global, o índice de inadimplência desse segmento ficava abaixo de 1%.

Durante o boom dos investimentos para a construção de novas plantas, sobretudo entre 2005 e 2007, muitas indústrias de base contrataram a rodo, estimuladas pela demanda voltada para este segmento. "Houve um crescimento anormal, acima da média. Uma mudança dessas [com a crise] provoca mesmo perdas de postos de trabalho", afirmou Sérgio Fortuoso, gerente-executivo da Associação Comercial e Industrial de Piracicaba (Acipi).

E nesse período de euforia, aposentados e aprendizes foram recrutados para dar conta dos pedidos. A partir do segundo semestre de 2008, por conta do agravamento da crise financeira, a realidade mudou drasticamente. Levantamento do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba e região mostra que o número de demissões dessas indústrias chegou a 3 mil em 2008, sobretudo em dezembro.

Com cerca de 5 mil funcionários, a Dedini não passou incólume e teve de fazer ajustes. A empresa demitiu cerca de 150 pessoas no fim de 2008 e outras 90 durante esta semana, disse José Florêncio da Silva, vice-presidente do sindicato.

Já a NG Metalúrgica, com 1.300 trabalhadores e duas fábricas na região de Piracicaba, ainda não fez ajustes, segundo Nilson Furoni, coordenador de recursos humanos da metalúrgica. "Os pedidos reduziram, mas estamos cumprindo contratos fechados anteriormente", afirmou. A empresa produz turbinas e destilarias.

Em Sertãozinho, importante polo produtor da região de Ribeirão Preto, demissões ocorreram, também principalmente em dezembro, e novos cortes devem ser feitos no início da colheita a partir de março, afirmou Flávio Vicari, diretor-executivo do Ceise (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroalcooleiro e Energético).

As empresas mais afetadas são as que prestam serviços para as indústrias de base maiores. Nessa região, cerca de 550 empresas empregam aproximadamente 17 mil trabalhadores. Desse total, pelo menos cerca de 5% podem perder seus postos de trabalho no início da nova safra, a 2009/10, a partir de março, como reflexo da crise. "Há uma expectativa de retomada a partir do segundo semestre, considerando os projetos que entrarão em operação a partir de 2010, 2011 e 2012 serão retomados", afirmou Vicari.

"A tendência é que as indústrias de base também passem por um processo de reestruturação no futuro, com movimento de fusões", acrescentou o diretor do Ceise.

De acordo com Silva, do sindicato de Piracicaba, a "boa" notícia no meio deste cenário de crise é que as indústrias que fazem manutenção para as usinas ainda não demitiram ninguém. "Negociamos para que as indústrias dispensem trabalhadores que possuam alguma renda, como os aposentados."

Para Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro, as indústrias de base não deverão receber pesados pedidos para novas encomendas tão cedo. "O que vai ocorrer são encomendas de projetos já previstos." Segundo Nastari, as usinas de açúcar e álcool começaram a registrar margem líquida positiva a partir de outubro. "A crise continua afetando as usinas, mas num contexto em que a demanda por exportações de açúcar é crescente e a de álcool também, em menor ritmo. Em outros segmentos, como em mineração, siderurgia, por exemplo, os preços caem e a demanda também. Isso é mortal para o fluxo de caixa dessas empresas. No setor sucroalcooleiro, a demanda é firme. Mas a prioridade delas agora não é investir, mas garantir fluxo de caixa."

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Álcool não, Etanol !

A nota abaixo, publicada na site da UNICA, mostra o processo que está sendo conduzido pela ANP com o apoio da entidade, no sentido de mudar a definição do álcool combustível:

ANP inicia processo para adoção da palavra Etanol substituindo Álcool Combustível

A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) vai realizar uma Consulta Pública de 30 dias, seguida de Audiência Pública, sobre uma alteração na atual regulamentação para permitir o uso da palavra "Etanol" nas bombas de combustível, hoje identificadas com as palavras "Álcool Comum". O objetivo da consulta é permitir que os agentes econômicos e a sociedade em geral avaliem a proposta e façam sugestões.

Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), a decisão da ANP, publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (30/01/2008) dá início a um processo que atende a várias necessidades importantes, como o interesse do Brasil em ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética nacional e promover seu uso mundialmente. Isto torna essencial uniformizar a nomenclatura brasileira com a empregada mundialmente. Etanol é o nome técnico reconhecido mundialmente para o álcool etílico.

"Pensando no futuro, a ANP está dando um passo muito importante. Desde março de 2008, o etanol já substitui mais de 50% do volume de combustível utilizado em veículos de ciclo Otto no Brasil, e o percentual de etanol na matriz de combustíveis automotores vai continuar crescendo na medida em que as vendas de automóveis novos permanecem fortemente dominadas por carros flex", comenta o presidente da UNICA, Marcos Sawaya Jank. Segundo a Anfavea, desde o início de 2008 os carros flex, que aceitam qualquer mistura de etanol e gasolina, representam quase 90% das vendas de veículos comerciais leves no Brasil.

Pesquisas realizadas para a UNICA indicam que mais de 70% dos proprietários de carros flex no País utilizam prioritariamente ou exclusivamente o etanol. Isso só não ocorre nos estados em que o ICMS cobrado sobre o etanol é muito alto, o que eleva demais o preço do produto em relação ao da gasolina. "São Paulo teve a visão certa ao reduzir o ICMS para 12% e contribuir decisivamente para o crescimento no consmo do etanol.

Infelizmente, outros estados, inclusive estados produtores de etanol, mantém o ICMS em patamares de 25% ou mais, o que torna o produto menos competitivo," completa o presidente da UNICA.

A entidade entende como fundamental uma transição gradual da expressão Álcool Comum para Etanol, pois isso ajudará o consumidor a compreender que trata-se do mesmo produto, apenas com o nome alterado. Nesse sentido, o processo iniciado pela ANP permitirá que a palavra Etanol seja exibida nas bombas junto com a expressão Álcool Combustível.

A minuta com a Resolução da Diretoria n 57, da ANP , de 22 de janeiro de 2009, pode ser acessada pela Internet (http://www.anp.gov.br/conheca/audiencias_publicas.asp), ou obtida nos escritórios da agência em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Bahia. O prazo da Consulta Pública termina no dia 2 de março, e os comentários devem ser encaminhados por meio de formulário, disponível no site da ANP ou nos locais acima, para o endereço eletrônico nomenclatura_etanol@anp.gov.br ou para o escritório central da ANP, na Avenida Rio Branco, 65 – 17º andar, Centro, Rio de Janeiro.

A Audiência Pública acontecerá no mesmo endereço, dia 06 de março de 2009, e os interessados em se manifestar verbalmente deverão se inscrever até as 18:00 horas do dia 02 de março de 2009, diretamente na ANP ou pela Internet no endereço eletrônico já citado. Pelas normas da ANP, podem se manifestar durante a audiência pessoas físicas e um representante de cada entidade.

Crise faz com que diminuam investimentos em etanol

A falta de crédito está afetando diretamente os investimentos no setor sucroalcooleiro, vedete do agronegócio nos últimos tempos. A reportagem abaixo da Gazeta Mercantil de hoje mostra este cenário:

Investimentos em usinas devem cair 40%

Depois de dois anos de robustez, os investimentos do setor sucroalcooleiro devem cair para algo próximo de R$ 7 bilhões em 2009, com perspectiva de serem ainda menores em 2010. O volume é 40% mais baixo do que os cerca de R$ 12 bilhões por ano aplicados em 2007 e 2008. "Teremos em 2009 um ano de inércia, apenas de continuidade de projetos já iniciados. Será também um ano de ‘não-decisão’ de investimento que vai se refletir em baixos recursos aplicados em 2010", avalia Júlio Maria Borges, da JOB Consultoria.

Em torno de 15 das 35 usinas previstas para entrar este ano em operação no Centro Sul já adiaram seus projetos, e, muitas, previstas para inaugurar na safra 2010/11, também já anunciaram seus adiamentos. A mais recente foi a do projeto da Sucral Bioenergia com a Greentech, dos empresários Ana Maria e Paulo Diniz, filhos do empresário Abílio Diniz, presidente do Conselho de Administração do grupo Pão de Açúcar. O projeto era de construir quatro usinas em Mato Grosso do Sul, das quais duas deveriam ser inauguradas em 2010/11. Mas, Ricardo Caiuby Farias, diretor da Sucral Bioenergia, explica que adiou, por enquanto, o início da operação em um ano e que busca um outro sócio para compor o capital do projeto, orçado em R$ 2,8 bilhões. "Vamos ter de rever nossas participações, de 50% para Sucral e de 50% para a Greentech. A estimativa é de que o novo investidor possa entrar com 33% de participação no negócio", explica Farias. Sem citar nomes, ele afirma que o novo sócio em negociação é de fora do setor. A expectativa é de que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financie 60% do projeto. "Já temos implantados apenas viveiros de mudas e aguardamos as licenças ambientais", acrescenta Farias.

Outros projetos, como o da Adecoagro, que tem como acionista o megainvestidor George Soros, também teve atraso e adiamento de usinas. No plano original, uma das usinas do grupo, a Angélica (MS), deveria entrar em operação em 2009, com parte da capacidade instalada prevista. Mas, com a escassez de crédito, a opção foi destinar todo o recurso para esta usina operar com capacidade total e adiar por um ano o início da operação da segunda e da terceira indústrias. O projeto da Adecoagro é de atingir processamento de 11 milhões de toneladas de cana em 2015.

Somente as 15 usinas que não vão iniciar as operações na safra 2009/10 representam, cada uma, de US$ 200 milhões a US$ 300 milhões de investimento. "Essas 15 indústrias vão adiar com certeza, mas se este número será maior dependerá de como for a liberação de recursos", afirma Pádua.

Por enquanto, eles continuam crescendo, pelo menos, nas instituições financeiras oficiais. Segundo o BNDES, em dezembro de 2008 foram desembolsados R$ 766,6 milhões ao setor sucroalcooleiro. No acumulado de 2008, foram R$ 6,5 bilhões, aumento de 85% em relação aos R$ 3,56 bilhões de 2007.

Como a expansão da área plantada de cana desses projetos praticamente já ocorreu, é possível que haja disparidade entre o adicional de cana e a capacidade de industrialização, segundo Borges. Boa parte dessas 15 usinas que não vão entrar em operação em 2009 já implantaram canavial. "Estamos falando de um sinal amarelo, pois o real volume de cana disponível ainda vai depender do rendimento agrícola, resultado, em grande parte, das chuvas de verão", explica Borges.

O forte recuo do setor em 2009 e em 2010 deve comprometer as metas de expansão da capacidade de moagem. Antes da crise, a Unica estimava que em 2015 o Brasil estaria moendo 830 milhões de toneladas de cana-de-açúcar para fazer frente à demanda também em expansão. "Adicionamos 130 milhões de toneladas ao sistema em dois anos. Em 2009 e ainda mais em 2010, deve haver retração. Mas, se o cenário voltar a ser positivo, com crédito e preços remuneradores, a expansão pode ser retomada", diz o diretor-técnico da Unica, Antônio de Pádua Rodrigues.

Antes da crise, havia cerca de 60 projetos para entrar em operação. Não há, segundo Pádua, uma estimativa de quantos devem, de fato, sair do papel. "Mas, quem ainda não começou aplicar o recurso, não vai iniciar em 2009. Pode haver alguma retomada em 2010, o que refletirá em aumento da capacidade instalada apenas nos anos de 2011 e 2012", avalia Borges, da JOB Consultoria.

José Carlos Toledo, presidente da União dos Produtores de Bioenergia (Udop), que representa as usinas do Oeste Paulista, região que mais tem novos projetos, acredita que provavelmente o setor não conseguirá atingir os investimentos anteriormente previstos. "Não temos preço remunerador e nem crédito", resume Toledo. Alguma alteração pode ocorrer, sobretudo com a entrada de grupos estrangeiros, que estão de olho nas oportunidades surgidas com a desvalorização dos ativos do setor. "Há um ano e meio, o patamar negociado por uma usina era de cerca de US$ 120 por tonelada, valor que atualmente está entre US$ 30 e US$ 40. O endividamento está corroendo o patrimônio das usinas", compara Toledo. Borges, da JOB, pondera que é preciso considerar nessa comparação que neste período o câmbio saiu do patamar de R$ 1,60 para o de R$ 2,40. (Fabiana Batista)

domingo, janeiro 11, 2009

UNICA lança livro com belas imagens do setor sucroalcooleiro

A UNICA acaba de lançar um livro com belas imagens da produção de açúcar e álcool no Brasil com fotos de autoria de Tadeu Fessel. Abaixo a notícia publicada no site da UNICA sobre o lançamento e também algumas imagens do livro, que pode ser encontrado no formato PDF clicando aqui:

UNICA lança livro com mais de 120 imagens do setor sucroenergético

Com o objetivo de revelar aspectos importantes nem sempre conhecidos do grande público sobre o setor sucroenergético brasileiro, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) lançou nesta terça-feira (16/12/2008) o livro “Imagens do Etanol Brasileiro”, com mais de 120 imagens produzidas pelo fotógrafo Tadeu Fessel. A obra, apresentada durante a última reunião plenária de 2008 na sede da entidade, mostra o setor de maneira inédita, privilegiando imagens impactantes e arrojadas que ilustram a experiência e o pioneirismo do setor por meio de imagens: da lavoura de cana ao processo produtivo, que transforma a planta em etanol, açúcar e bioeletricidade, todos os passos são apresentados em detalhes.

O trabalho fotográfico de Fessel durou sete meses, nos quais ele fotografou em 13 diferentes localidades da região Centro-Sul do Brasil, principal produtora de cana do País. Foram realizadas várias viagens, sobrevôos, além de uma série de pesquisas para que o livro conseguisse captar a essência do setor que, nos últimos anos, cresceu, avançou e se modernizou de modo acelerado.

Fessel diz que o conteúdo do livro, editado em inglês e português, reflete sua experiência pessoal. Nascido em Piracicaba (SP), importante região produtora de cana-de-açúcar, o fotógrafo passou sua infância em meio aos canaviais. “Eu estou inserido no setor desde pequeno, por isso escolhi fazer este livro. Eu quis mostrar um mundo que faz parte da minha vida, e quis mostrá-lo de maneira bela.” Já o autor da editoração da obra, Márcio Wagner, relatou sua surpresa quanto à produção de bioeletricidade, um dos temas das fotos. “O livro é bem-sucedido em mostrar ao leitor que o setor não é só cana-de-açúcar”, afirmou Wagner, ao comentar as descobertas que fez ao manipular as fotos de Fessel.

O autor das fotos de “Imagens do etanol brasileiro” trabalha como fotógrafo desde 1966, quando se formou em fotojornalismo em Nova York (EUA). Reconhecido pelos inúmeros projetos realizados para agência de notícias nacionais e internacionais, nos últimos anos Fessel vem mudando o foco de seu trabalho.

Interessado por temas ligados à natureza, ele ajustou as lentes de sua câmera para clicar paisagens, viagens, aventuras e esportes radicais. Nesta oportunidade, Fessel produziu uma verdadeira viagem fotográfica ao mundo da energia limpa e renovável que vem da cana-de-açúcar.



terça-feira, janeiro 06, 2009

Alstom de olho na cana e a opção parece ser a Dedini

Parece que a internacionalização da cana brasileira está chegando até no mais tradicional fabricante de equipamentos para o setor sucroalcooleiro,a Dedini. A notícia abaixo, foi publicado no site Brasil Agro e tem como fonte, o Relatório Reservado:

DEDINI É O PASSAPORTE DA ALSTOM PARA O SETOR SUCROALCOOLEIRO

A Alstom abriu negociações para a compra da Dedini, a maior fabricante de equipamentos para a indústria sucroalcooleira do Brasil. A proposta dos franceses envolve a compra de 60% das ações – o restante permaneceria em poder dos atuais controladores. Nos últimos dois anos, esta é a terceira tentativa da Alstom de adquirir a Dedini. Talvez seja a derradeira e a mais bem-sucedida das investidas.

Nas duas vezes anteriores, o grupo francês se deparou com uma empresa na crista da onda, com a carteira recheada de pedidos, o que levou os controladores a rechaçarem qualquer possibilidade de conversa. Desta vez, no entanto, o cenário parece ser mais propício para a negociação. A Dedini tem sido diretamente afetada pela safra de cancelamentos de projetos na área sucroalcooleira.

Neste ano, ainda deverá faturar mais de R$ 2 bilhões devido ao carry over de entregas feitas antes do agravamento da crise. Para o próximo ano, no entanto, esta cifra deverá cair de maneira expressiva. A empresa já projeta para 2009 uma taxa de ociosidade em torno de 30% da sua capacidade instalada.Além da iminente perda de faturamento, a Dedini sofre também com seus conflitos societários.

Os atritos são protagonizados por Mario Dedini Ometto – filho do empresário Dovílio Ometto, que controlava a Dedini até seu falecimento, em agosto do ano passado – e seu sobrinho Giuliano Dedini Ometto, presidente do Conselho de Administração. Na tentativa de aumentar seu poder dentro da companhia, ambos têm se movimentado para comprar as participações de acionistas minoritários . A Alstom já manteve contatos com os dois acionistas, condição sine qua nom para qualquer tentativa de compra do controle da Dedini.

Caso se confirme, a aquisição da Dedini permitirá à Alstom criar uma nova unidade de negócios no Brasil, reduzindo a dependência em relação aos setores de transporte e de energia. Os franceses estão dispostos até mesmo a se associar a projetos de construção de usinas no país, como forma de alavancar o fornecimento de equipamentos. Ao mesmo tempo, a compra da Dedini poderá funcionar como uma espécie de reciclagem da imagem da Alstom no Brasil, abalada por denúncias de corrupção para a venda de produtos e serviços ao Metrô de São Paulo (Relatório Reservado, 23/12/08)

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Aumenta internacionalização na produção de álcool no Brasil

Conforme era esperado devido aos grandes investimentos realizados por empresas internacionais no setor sucroalcooleiro, o Valor Econômico de hoje noticia o aumento da participação destas empresas na produção canavieira. Abaixo segue a notícia na íntegra:

Cresce a participação dos estrangeiros na moagem de cana
Mônica Scaramuzzo, de São Paulo

A participação de grupos estrangeiros na moagem de cana no Brasil deverá crescer de forma expressiva na safra 2009/10, que terá início a partir de março de 2009. A fatia saltará dos 12,4% neste atual ciclo para 14,4%, segundo levantamento da consultoria Datagro. No início dos anos 2000, o capital internacional respondia por pouco mais de 1% da produção nacional.

O crescimento do capital estrangeiro no setor sucroalcooleiro deve-se, sobretudo, aos novos projetos "greenfield" (construção a partir do zero) que estão entrando em operação no país, e aos recentes investimentos de grupos internacionais.

Nesta safra, a 2008/09, os grupos estrangeiros deverão moer cerca de 70 milhões de toneladas de cana, aumento de 24% sobre o ciclo passado (de 56,25 milhões de toneladas). Para 2009/10, a expectativa é de que o processamento da cana de usinas controladas por capital internacional atinja 85 milhões de toneladas.

O avanço do capital externo no setor começou a se intensificar a partir do ano passado, com fortes aportes de grupos e fundos de investimentos no país. No início de 2007, o grupo francês Louis Dreyfus comprou, de uma só tacada, comprou cinco usinas, totalizando oito unidades. Para 2009/10, a companhia planeja processar 20 milhões de toneladas, um aumento de 30% sobre 2007/08.

Neste ano, a Bunge anunciou aquisições e projetos de construção de usinas, aumentando sua fatia no setor. Fundos estrangeiros, como a CEB (Clean Energy Brazil), também aportaram recursos em usinas nacionais.

Segundo Plínio Nastari, presidente da Datagro, o balanço também inclui a fatia de investidores estrangeiros em grupos nacionais, como a Cosan, São Martinho e Tereos, controlador da Açúcar Guarani. A trading japonesa Sojitz também adquiriu participação na ETH Bionergia, da Odebrecht. Em 2009, a ETH, com duas usinas em operação, planeja dar início às operações de três novas unidades.

Para a safra 2009/10, a Datagro prevê uma moagem de 588 milhões de toneladas de cana no Brasil, um aumento de 4,2% sobre o atual ciclo, de 564 milhões de toneladas. No Centro-Sul, onde estão concentrados os principais grupos estrangeiros, o processamento de cana está estimado em 520 milhões de toneladas, aumento de 4,4% sobre o atual ciclo (498 milhões de toneladas).

A moagem de cana poderia ser maior no país, caso as usinas processassem toda cana disponível nas lavouras. A Datagro prevê que entre 20 milhões e 30 milhões de toneladas deverão ficar em pé nos canaviais em 2008/09. Em 2009/10, esse volume poderá atingir até 40 milhões de toneladas.

Com escassez de crédito, boa parte das usinas deverá renovar pouco os canaviais e reduzir os reparos em equipamentos industriais. "Não acho que essa seja a pior crise de todos os tempos para o setor. Apesar da turbulência, a demanda para açúcar e álcool é crescente, diferentemente de outros setores, como mineração, por exemplo", disse Nastari.

Segundo Nastari, a pior crise do setor ainda é a de 1999. "O setor iniciou a safra 2000/01 com estoques de 1,8 bilhão de litros de álcool nas mãos das usinas. Foi um período muito difícil, logo após a desregulamentação do governo sobre os preços. O setor não tinha experiência na comercialização independente de álcool", observou. Àquela época, as cotações do álcool no mercado estavam três vezes abaixo dos custos de produção.

Nesta safra, os preços do álcool também operaram abaixo dos custos durante o pico da colheita. Na sexta-feira, o litro do anidro fechou a R$ 0,,879 (sem imposto), queda de 0,28% sobre a semana anterior; o hidratado fechou a R$ 0,7386, alta de 0,36% sobre a semana anterior, segundo o Cepea.

Dados sobre Etanol e Biodiesel no Brasil

Na edição do Anuário EXAME 2008-2009 de Infra-estrutura encontrei alguns dados interessantes sobre biocombustíveis que irei compartilhar.

O primeiro dado interessante está relacionado à matriz energética brasileira, mostrado na figura abaixo. Nela podemos ver a importância do etanol e seus derivados (no caso, o bagaço) representando 16% do total, ou seja, um sexto do total. Outra importante fonte oriunda do agronegócio é o carvão vegetal que ainda é obtida grande parte de madeira não cultivada para este fim, mas existe a tendência do aumento das florestas cultivadas para uso energético.

Etanol

Segundo a Exame, o preço do etanol brasileiro ainda é imbatível apesar do aumento nos custos de produção ocorrido nos últimos 12 meses, passando de 22 para 45 centavos de dólar o litro do álcool anidro pois os custos do etanol de milho nos EUA e de beterraba produzido na Europa são respectivamente, 0,66 e 1,28 dólar o litro. Entretanto, necessitamos de investimento em pesquisa em etanol celulósico para não perdermos esta liderança.

Com relação ao etanol, antes de falar sobre os dados gerais, comentarei sobre a avaliação geral do segmento realizada pela revista que levou em conta marco regulatório, questões legais, tributárias e institucionais além dos aspectos relacionados aos investimentos. Para cada item foi dada um critério verde, amarelo e vermelho, que representam uma escala de problemas impedindo a realização dos investimentos necessários para atender às exigências do país.

As avaliações positivas (verde) foram dadas para o marco regulatório, questões institucionais enquanto que os demais itens (questões legais, tributárias e investimentos) a avaliação foi a amarela, principalmente devido à falta de legislação que impede a criação de um mercado futuro de etanol, diferenças significativas na alíquota do ICMS e a crise internacional que fez com que ocorresse problemas de liquidez que podem afetar os investimentos.

Os principais desafios ao setor estão relacionados à escassez de milho nos EUA que pode aumentar a nossa exportação e à criação de infra-estrutura de transporte ainda muito dependente das rodovias, entretanto para tanto necessitamos de investimentos na capacidade produtiva e na infra-estrutura necessária para viabilizar exportação de grandes volumes.

Os principais dados do setor encontram-se nas figuras abaixo:







Das figuras acima vale a pena comentar a perda da primeira posição na produção mundial de etanol para os EUA e que mesmo assim ele importou cerca de 25% do total exportado pelo Brasil, apesar do total exportado ser muito pouco ainda perto do total produzido, menos de 10%.

Com relação ao mercado interno, vemos a supremacia paulista na produção enquanto que o estado de Goiás caminha firme para a segunda posição em virtude do grande número de novas usinas a serem instaladas lá.

O mercado de carros bicombustível já está se estabilizando em patamares próximos a 90% do total de veículos fazendo com que o mercado interno cresça ano a ano.

Biodiesel

O biodiesel apresenta um cenário diferente, tanto é que enquanto que o título para o análise do etanol era “O preço brasileiro ainda é imbatível” o mesmo para o biodiesel é “Faltou combinar com o mercado”, mostrando os problemas de mercado que enfrenta.

A principal matéria-prima, a soja, teve um grande aumento em suas cotações causando sérios problemas aos produtores devido à diferença entre a cotação do grão e o baixo preço do combustível pago pelos leilões, isso fez com que a Agência Nacional do Petróleo autorizasse a compra direta das distribuidoras nos produtores possibilitando a formação de estoques. Após aumentar a mistura obrigatória de 2% para 3% em julho, o governo pensa em antecipar a meta de adição de 5% de 2013 para 2009 ou 2010 na tentativa de melhorar o cenário ajudando a emplacar o programa.

Diferente do etanol que obteve 2 avaliações positivas e 3 avaliações intermediárias, o biodiesel recebeu 2 avaliações negativas e 3 avaliações intermediárias. As avaliações negativas (vermelhas) foram dadas para o marco regulatório que ainda necessita de marco regulatórios e algumas empresas venderam produto nos leilões e não entregam e não houve nenhuma tipo de punição e também as questões intitucionais pelo fato da Petrobras estreiar como produtora de biodiesel com 3 usinas inauguradas com capacidade de produção de 13% do mercado atual, mostrando assim um sinal de concentração e estatização do segmento.

As questões legais mostram que apesar do aumento da adição de 2% para 3% não ocorreu diminuição do diesel importado devido ao aumento do consumo e que a mistura de 5% não fará com que o preço final do óleo diesel abaixe, pois o biodiesel ainda é mais caro que o óleo diesel.

Nas questões tributárias, o biodiesel ainda é muito dependente dos subsídios do governo e atrelar redução de impostos à compra de matéria-prima de pequenos produtores pode comprometer a escala de produção.

Os investimentos estão caindo devido à questão do custo de produção alto porém a Petrobras Biocombustíveis planeja montar mais uma usina para produzir a partir de dendê e girassol.

Os principais desafios estão relacionados à encontrar uma matéria-prima competitiva e sustentável, dissociar política energética da política social para garantir escala de produção e tambem criar marcos regulatórios definidos e desenvolver o biodiesel como commodity.

Abaixo alguns dados sobre o setor:




Com relação aos dados apresentandos, podemos verificar a hegemonia da soja representando 2/3 do total e a capacidade instalada atualmente é muito superior a capacidade utilizada, fazendo com que existam poucos projetos em autorização.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Fundamentos do etanol estão bem, segundo UNICA

Apesar das notícias do post anterior, a UNICA (União da Agroindústria de Cana-de-Açúcar) avalia que os fundamentos do setor sucroalcooleiro estão bem. Abaixo segue nota publicada pela UNICA em seu site:

UNICA: Fundamentos do etanol de cana continuam fortes

Os fundamentos do setor sucroenergético brasileiro são bons em comparação com a realidade de outras indústrias de bicombustível. A avaliação foi feita pelo representante-chefe da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) na América do Norte, Joel Velasco, em duas apresentações realizadas no Canadá: uma durante o “Canadian Renewable Fuels Summit”, em Ottawa, a outra para o “Canadian Council of the Americas”, em Toronto.

Com o comentário, o executivo da UNICA respondeu às preocupações quanto ao impacto dos altos custos de produção e da crise no sistema financeiro global sobre a produção de etanol, manifestadas especialmente por produtores de etanol dos Estados Unidos e do Canadá que vem pedindo socorro a seus governos. Conforme noticiado pelo diário The Hill, que circula nos meios políticos de Washington, os produtores americanos querem não só um aumento no limite de etanol de milho que pode ser misturado à gasolina (hoje, o limite é de 10%), mas também pedem mais incentivos fiscais (leia-se subsídios) do governo americano.
Entre os fatos apresentados por Velasco que exemplificam os fundamentos do etanol brasileiro está o que mostra que o setor sucroenergético produz açúcar e bioeletricidade, além do etanol a partir da cana-de-açúcar. “Em breve vamos ter outros produtos, como plásticos e hidrocarbonetos, todos originados da cana”, afirmou.

A expansão sustentável do setor sucroenergético no Brasil também figurou nas argumentações apresentadas. “Tanto do ponto de vista ambiental como econômico e social, a indústria de cana brasileira tem se mostrado sustentável. Por isso, continuamos recebendo novos investidores, como ADM e Monsanto, apenas para citar duas grandes empresas que anunciaram investimentos no setor recentemente”, concluiu Velasco.

Nesta semana, o JP Morgan divulgou um relatório que dá sustentação ao discurso feito por Velasco no Canadá. O documento demonstra claramente que o setor sucroenergético brasileiro oferece muitas oportunidades, como o número crescente de outros produtos, além do etanol, que podem ser produzidos a partir da cana-de-açúcar.

“No Canadá”, informou o executivo da UNICA, “ainda se usa muito milho e trigo para produzir etanol, embora haja também muito investimento em tecnologias para produção do etanol celulósico. Talvez a mais bem sucedida usina de etanol celulósico seja a da Iogen.
Para baixar a apresentação feita por Velasco nos eventos no Canadá, clique aqui.

Será que petróleo barato inviabilizará biocombustíveis?

Encontrei nesta semana duas notícias interessante sobre a questão preço do petróleo versus viabilidade de biocombustíveis. A primeira é uma nota publicada em 28/11 no Blog Mundo Agro da Fabiane Stefano no Portal Exame onde ela comenta o problema do petróleo barato e a possibilidade de tirar a viabilidade do biodiesel e do etanol.

E a segunda é análise do Merryll Lynch publicada na Folha de São Paulo hoje que fala de petróleo na faixa dos 25 dólares no ano que vem em virtude da queda da demanda. Seguem abaixo as duas notícias:

O PROBLEMA DO PETRÓLEO BARATO

A cotação do barril de petróleo na casa dos 50 dólares jogou um banho de água fria no entusiasmo em relação aos biocombustíveis no Brasil. Em junho, o preço do petróleo bateu 145 dólares, viabilizando a produção de quase todos os combustíveis verdes do mundo. Com a crise, a commodity desceu ladeira abaixo e deve promover um forte rearranjo no setor de biocombustíveis.

O etanol brasileiro, feito a partir de cana de açúcar, continua no páreo. Sua viabilidade econômica resiste a um petróleo a 35 dólares o barril. Mas as pretensões de tornar o combustível uma commodity global não combinam com esse patamar, uma vez que a produção de outros tipos de etanol (como o de milho e o de trigo, nos Estados Unidos e na Europa, respectivamente) fica economicamente inviável.

E, como não existe commodity global produzida em único país, fica difícil convencer o mundo rico a adotar um biocombustível cuja formação de preço está restrita a um único lugar (nesse caso o Brasil).

Naturalmente, a situação pode mudar. Mas os dados mais recentes indicam uma desaceleração que pode ser duradoura. Ou seja, o plano de internacionalização do etanol brasileiro deve permanecer em compasso de espera.

Se há fôlego para o etanol brasileiro com o petróleo baratinho, não se pode dizer o mesmo do biodiesel. Antes da queda da commodity, o combustível a partir de óleo vegetal (soja, girassol, mamona e outros) operava a base de subsídios públicos. No mundo todo, o biodiesel só é viável com forte subvenção governamental. E com o petróleo a 50 dólares, é puro voluntarismo.

MERRILL LYNCH PREVÊ PETRÓLEO A US$ 25

O preço do barril de petróleo voltou a cair ontem devido às preocupações com a recessão dos Estados Unidos e atingiu o seu menor valor desde janeiro de 2005. Ontem, a cotação recuou 6,7% em Nova York, valendo US$ 43,67 no fim do pregão -o menor preço desde 4 de janeiro de 2005. O banco Merrill Lynch prevê que, caso a crise se agrave, o preço pode chegar a US$ 25 no ano que vem, o que não ocorre desde 2003.