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quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Crise faz com que diminuam investimentos em etanol

A falta de crédito está afetando diretamente os investimentos no setor sucroalcooleiro, vedete do agronegócio nos últimos tempos. A reportagem abaixo da Gazeta Mercantil de hoje mostra este cenário:

Investimentos em usinas devem cair 40%

Depois de dois anos de robustez, os investimentos do setor sucroalcooleiro devem cair para algo próximo de R$ 7 bilhões em 2009, com perspectiva de serem ainda menores em 2010. O volume é 40% mais baixo do que os cerca de R$ 12 bilhões por ano aplicados em 2007 e 2008. "Teremos em 2009 um ano de inércia, apenas de continuidade de projetos já iniciados. Será também um ano de ‘não-decisão’ de investimento que vai se refletir em baixos recursos aplicados em 2010", avalia Júlio Maria Borges, da JOB Consultoria.

Em torno de 15 das 35 usinas previstas para entrar este ano em operação no Centro Sul já adiaram seus projetos, e, muitas, previstas para inaugurar na safra 2010/11, também já anunciaram seus adiamentos. A mais recente foi a do projeto da Sucral Bioenergia com a Greentech, dos empresários Ana Maria e Paulo Diniz, filhos do empresário Abílio Diniz, presidente do Conselho de Administração do grupo Pão de Açúcar. O projeto era de construir quatro usinas em Mato Grosso do Sul, das quais duas deveriam ser inauguradas em 2010/11. Mas, Ricardo Caiuby Farias, diretor da Sucral Bioenergia, explica que adiou, por enquanto, o início da operação em um ano e que busca um outro sócio para compor o capital do projeto, orçado em R$ 2,8 bilhões. "Vamos ter de rever nossas participações, de 50% para Sucral e de 50% para a Greentech. A estimativa é de que o novo investidor possa entrar com 33% de participação no negócio", explica Farias. Sem citar nomes, ele afirma que o novo sócio em negociação é de fora do setor. A expectativa é de que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financie 60% do projeto. "Já temos implantados apenas viveiros de mudas e aguardamos as licenças ambientais", acrescenta Farias.

Outros projetos, como o da Adecoagro, que tem como acionista o megainvestidor George Soros, também teve atraso e adiamento de usinas. No plano original, uma das usinas do grupo, a Angélica (MS), deveria entrar em operação em 2009, com parte da capacidade instalada prevista. Mas, com a escassez de crédito, a opção foi destinar todo o recurso para esta usina operar com capacidade total e adiar por um ano o início da operação da segunda e da terceira indústrias. O projeto da Adecoagro é de atingir processamento de 11 milhões de toneladas de cana em 2015.

Somente as 15 usinas que não vão iniciar as operações na safra 2009/10 representam, cada uma, de US$ 200 milhões a US$ 300 milhões de investimento. "Essas 15 indústrias vão adiar com certeza, mas se este número será maior dependerá de como for a liberação de recursos", afirma Pádua.

Por enquanto, eles continuam crescendo, pelo menos, nas instituições financeiras oficiais. Segundo o BNDES, em dezembro de 2008 foram desembolsados R$ 766,6 milhões ao setor sucroalcooleiro. No acumulado de 2008, foram R$ 6,5 bilhões, aumento de 85% em relação aos R$ 3,56 bilhões de 2007.

Como a expansão da área plantada de cana desses projetos praticamente já ocorreu, é possível que haja disparidade entre o adicional de cana e a capacidade de industrialização, segundo Borges. Boa parte dessas 15 usinas que não vão entrar em operação em 2009 já implantaram canavial. "Estamos falando de um sinal amarelo, pois o real volume de cana disponível ainda vai depender do rendimento agrícola, resultado, em grande parte, das chuvas de verão", explica Borges.

O forte recuo do setor em 2009 e em 2010 deve comprometer as metas de expansão da capacidade de moagem. Antes da crise, a Unica estimava que em 2015 o Brasil estaria moendo 830 milhões de toneladas de cana-de-açúcar para fazer frente à demanda também em expansão. "Adicionamos 130 milhões de toneladas ao sistema em dois anos. Em 2009 e ainda mais em 2010, deve haver retração. Mas, se o cenário voltar a ser positivo, com crédito e preços remuneradores, a expansão pode ser retomada", diz o diretor-técnico da Unica, Antônio de Pádua Rodrigues.

Antes da crise, havia cerca de 60 projetos para entrar em operação. Não há, segundo Pádua, uma estimativa de quantos devem, de fato, sair do papel. "Mas, quem ainda não começou aplicar o recurso, não vai iniciar em 2009. Pode haver alguma retomada em 2010, o que refletirá em aumento da capacidade instalada apenas nos anos de 2011 e 2012", avalia Borges, da JOB Consultoria.

José Carlos Toledo, presidente da União dos Produtores de Bioenergia (Udop), que representa as usinas do Oeste Paulista, região que mais tem novos projetos, acredita que provavelmente o setor não conseguirá atingir os investimentos anteriormente previstos. "Não temos preço remunerador e nem crédito", resume Toledo. Alguma alteração pode ocorrer, sobretudo com a entrada de grupos estrangeiros, que estão de olho nas oportunidades surgidas com a desvalorização dos ativos do setor. "Há um ano e meio, o patamar negociado por uma usina era de cerca de US$ 120 por tonelada, valor que atualmente está entre US$ 30 e US$ 40. O endividamento está corroendo o patrimônio das usinas", compara Toledo. Borges, da JOB, pondera que é preciso considerar nessa comparação que neste período o câmbio saiu do patamar de R$ 1,60 para o de R$ 2,40. (Fabiana Batista)

sexta-feira, janeiro 16, 2009

COSAN processa mais cana do que a Austrália

Que as escalas de produção do nosso agronegócio sucroalcooleiro são enormes isso já sabemos de longa data, mas a notícia abaixo, publicada no Valor de ontem, nos mostra com números esta dimensão:

GRUPO SUPERA AUSTRÁLIA EM MOAGEM DE CANA

Maior processador de cana-de-açúcar do mundo, o grupo Cosan encerrou a safra 2008/09 com uma moagem de 44,2 milhões de toneladas, um incremento de 10% sobre o ciclo 2007/08. Esse volume é superior a toda produção da Austrália - de 36 milhões de toneladas -, o oitavo maior produtor mundial de cana e o terceiro maior exportador global de açúcar, segundo levantamento da Datagro.

A produção de açúcar do grupo nesta safra atingiu 3,267 milhões de toneladas, alta de 3,8%, e a de álcool alcançou 1,717 bilhão de litros, elevação de 16,4% em relação ao ciclo anterior. As exportações de açúcar representam 85% da produção total do grupo e as de álcool cerca de 20%. Com 18 usinas em operação no Estado de São Paulo, o grupo vai colocar este ano em operação sua nova unidade, a de Jataí, instalada em Goiás.

"Essa unidade deverá iniciar a moagem entre o fim de julho e agosto", disse Pedro Mizutani, vice-presidente geral do grupo. Neste primeiro ano de operação, a unidade Jataí deverá processar 600 mil toneladas. Em sua fase final, a expectativa é atingir cerca de 4 milhões de toneladas de cana. Segundo Mizutani, os projetos de outras duas novas usinas (Paraúna e Montividiu), previstos para o sudoeste do Estado, foram adiados temporariamente por conta da crise financeira.

"Decidimos adiar os projetos industriais e estamos reduzindo o ritmo de plantio de cana para essas unidades", disse. Os projetos deverão ser colocados em prática novamente quando as condições de mercado voltarem a ser favoráveis ao setor.

Com faturamento de R$ 2,7 bilhões na temporada 2007/08, o conglomerado mantém firme seus projetos de co-geração de energia a partir do bagaço de cana. A Cosan tem uma capacidade instalada de 740 MW de energia, dos quais cerca de 600 MW podem ser vendidos. Os planos para logística deverão ser concluídos em 2011, por meio da Uniduto, empresa que prevê a construção de alcooduto, e da qual a Cosan é sócia.

O grupo deverá iniciar a colheita da safra 2009/10 a partir de março em algumas unidades da companhia, segundo Mizutani. A expectativa é de que o processamento da matéria-prima aumente entre 5% e 6%, em uma estimativa ainda conservadora.

domingo, janeiro 11, 2009

UNICA lança livro com belas imagens do setor sucroalcooleiro

A UNICA acaba de lançar um livro com belas imagens da produção de açúcar e álcool no Brasil com fotos de autoria de Tadeu Fessel. Abaixo a notícia publicada no site da UNICA sobre o lançamento e também algumas imagens do livro, que pode ser encontrado no formato PDF clicando aqui:

UNICA lança livro com mais de 120 imagens do setor sucroenergético

Com o objetivo de revelar aspectos importantes nem sempre conhecidos do grande público sobre o setor sucroenergético brasileiro, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) lançou nesta terça-feira (16/12/2008) o livro “Imagens do Etanol Brasileiro”, com mais de 120 imagens produzidas pelo fotógrafo Tadeu Fessel. A obra, apresentada durante a última reunião plenária de 2008 na sede da entidade, mostra o setor de maneira inédita, privilegiando imagens impactantes e arrojadas que ilustram a experiência e o pioneirismo do setor por meio de imagens: da lavoura de cana ao processo produtivo, que transforma a planta em etanol, açúcar e bioeletricidade, todos os passos são apresentados em detalhes.

O trabalho fotográfico de Fessel durou sete meses, nos quais ele fotografou em 13 diferentes localidades da região Centro-Sul do Brasil, principal produtora de cana do País. Foram realizadas várias viagens, sobrevôos, além de uma série de pesquisas para que o livro conseguisse captar a essência do setor que, nos últimos anos, cresceu, avançou e se modernizou de modo acelerado.

Fessel diz que o conteúdo do livro, editado em inglês e português, reflete sua experiência pessoal. Nascido em Piracicaba (SP), importante região produtora de cana-de-açúcar, o fotógrafo passou sua infância em meio aos canaviais. “Eu estou inserido no setor desde pequeno, por isso escolhi fazer este livro. Eu quis mostrar um mundo que faz parte da minha vida, e quis mostrá-lo de maneira bela.” Já o autor da editoração da obra, Márcio Wagner, relatou sua surpresa quanto à produção de bioeletricidade, um dos temas das fotos. “O livro é bem-sucedido em mostrar ao leitor que o setor não é só cana-de-açúcar”, afirmou Wagner, ao comentar as descobertas que fez ao manipular as fotos de Fessel.

O autor das fotos de “Imagens do etanol brasileiro” trabalha como fotógrafo desde 1966, quando se formou em fotojornalismo em Nova York (EUA). Reconhecido pelos inúmeros projetos realizados para agência de notícias nacionais e internacionais, nos últimos anos Fessel vem mudando o foco de seu trabalho.

Interessado por temas ligados à natureza, ele ajustou as lentes de sua câmera para clicar paisagens, viagens, aventuras e esportes radicais. Nesta oportunidade, Fessel produziu uma verdadeira viagem fotográfica ao mundo da energia limpa e renovável que vem da cana-de-açúcar.



segunda-feira, dezembro 22, 2008

Aumenta internacionalização na produção de álcool no Brasil

Conforme era esperado devido aos grandes investimentos realizados por empresas internacionais no setor sucroalcooleiro, o Valor Econômico de hoje noticia o aumento da participação destas empresas na produção canavieira. Abaixo segue a notícia na íntegra:

Cresce a participação dos estrangeiros na moagem de cana
Mônica Scaramuzzo, de São Paulo

A participação de grupos estrangeiros na moagem de cana no Brasil deverá crescer de forma expressiva na safra 2009/10, que terá início a partir de março de 2009. A fatia saltará dos 12,4% neste atual ciclo para 14,4%, segundo levantamento da consultoria Datagro. No início dos anos 2000, o capital internacional respondia por pouco mais de 1% da produção nacional.

O crescimento do capital estrangeiro no setor sucroalcooleiro deve-se, sobretudo, aos novos projetos "greenfield" (construção a partir do zero) que estão entrando em operação no país, e aos recentes investimentos de grupos internacionais.

Nesta safra, a 2008/09, os grupos estrangeiros deverão moer cerca de 70 milhões de toneladas de cana, aumento de 24% sobre o ciclo passado (de 56,25 milhões de toneladas). Para 2009/10, a expectativa é de que o processamento da cana de usinas controladas por capital internacional atinja 85 milhões de toneladas.

O avanço do capital externo no setor começou a se intensificar a partir do ano passado, com fortes aportes de grupos e fundos de investimentos no país. No início de 2007, o grupo francês Louis Dreyfus comprou, de uma só tacada, comprou cinco usinas, totalizando oito unidades. Para 2009/10, a companhia planeja processar 20 milhões de toneladas, um aumento de 30% sobre 2007/08.

Neste ano, a Bunge anunciou aquisições e projetos de construção de usinas, aumentando sua fatia no setor. Fundos estrangeiros, como a CEB (Clean Energy Brazil), também aportaram recursos em usinas nacionais.

Segundo Plínio Nastari, presidente da Datagro, o balanço também inclui a fatia de investidores estrangeiros em grupos nacionais, como a Cosan, São Martinho e Tereos, controlador da Açúcar Guarani. A trading japonesa Sojitz também adquiriu participação na ETH Bionergia, da Odebrecht. Em 2009, a ETH, com duas usinas em operação, planeja dar início às operações de três novas unidades.

Para a safra 2009/10, a Datagro prevê uma moagem de 588 milhões de toneladas de cana no Brasil, um aumento de 4,2% sobre o atual ciclo, de 564 milhões de toneladas. No Centro-Sul, onde estão concentrados os principais grupos estrangeiros, o processamento de cana está estimado em 520 milhões de toneladas, aumento de 4,4% sobre o atual ciclo (498 milhões de toneladas).

A moagem de cana poderia ser maior no país, caso as usinas processassem toda cana disponível nas lavouras. A Datagro prevê que entre 20 milhões e 30 milhões de toneladas deverão ficar em pé nos canaviais em 2008/09. Em 2009/10, esse volume poderá atingir até 40 milhões de toneladas.

Com escassez de crédito, boa parte das usinas deverá renovar pouco os canaviais e reduzir os reparos em equipamentos industriais. "Não acho que essa seja a pior crise de todos os tempos para o setor. Apesar da turbulência, a demanda para açúcar e álcool é crescente, diferentemente de outros setores, como mineração, por exemplo", disse Nastari.

Segundo Nastari, a pior crise do setor ainda é a de 1999. "O setor iniciou a safra 2000/01 com estoques de 1,8 bilhão de litros de álcool nas mãos das usinas. Foi um período muito difícil, logo após a desregulamentação do governo sobre os preços. O setor não tinha experiência na comercialização independente de álcool", observou. Àquela época, as cotações do álcool no mercado estavam três vezes abaixo dos custos de produção.

Nesta safra, os preços do álcool também operaram abaixo dos custos durante o pico da colheita. Na sexta-feira, o litro do anidro fechou a R$ 0,,879 (sem imposto), queda de 0,28% sobre a semana anterior; o hidratado fechou a R$ 0,7386, alta de 0,36% sobre a semana anterior, segundo o Cepea.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Cana: Crescimento da moagem e muita cana deixada em pé

Duas notícias da Agência Estado publicadas hoje mostram o cenário atual do setor sucroalcooleiro. A primeira notícia disponibilizada às 12 horas e disponível na íntegra aqui, fala sobre a projeção da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que mostra um crescimento de cerca de 14% na cana moída nesta safra, totalizando 570 milhões de toneladas em 8,5 milhões de hectares.

E uma segunda notícia disponibilizada às 15 horas (disponível originalmente aqui) mostra que cerca de 320 mil hectares serão deixadas em pé nesta safra. Isso pode ter ocorrido devido à queda de demanda que favoreceu a decisão de não cortar a cana, problemas na montagem de usinas que atrasou a safra em algumas usinas e também a problemas de clima no início da safra.

Abaixo seguem as notícias na íntegra:

Conab: esmagamento de cana deve atingir 571,4 mi/t em 2008

Brasília, 15 - A indústria sucroalcooleira vai processar neste ano 571,4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 13,9% superior ao processado no ano passado. A área cultivada com canaviais é de 8,5 milhões de hectares. A região Centro-Sul será responsável pela moagem de 87,9% da cana e o restante (12,1%) será processado nas regiões Norte e Nordeste. Os dados fazem parte do último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra de cana 2008, divulgado hoje.

Segundo o levantamento, as usinas irão processar 246,9 milhões de toneladas de cana para produção de 32,1 milhões de toneladas de açúcar. A produção de etanol vai consumir 325,3 milhões de toneladas de cana. A Conab estima a produção de álcool combustível em 26,6 bilhões de litros, sendo 10,1 bilhões de anidro e 16,5 bilhões de hidratado. Do total de cana processado pelo setor sucroalcooleiro, o volume destinado a produção de açúcar cresceu 6,7% e para o álcool, 20,1%.

O presidente da Conab, Vagner Rossi, avaliou que apesar da instabilidade registrada nos últimos meses, a valorização do dólar ajudou em parte o produtor a recuperar o preço de venda, estimulando as exportações. "Somos um dos maiores produtores de açúcar do mundo e referência na fabricação de combustível a partir de matrizes de energia renováveis", afirmou.

A produção total de cana-de-açúcar no País neste ano somará 651,5 milhões de toneladas. Para cachaça, rapadura e ração animal serão destinadas 80,1 milhões de toneladas de cana.

A Conab informou ainda que a matéria-prima plantada em 315,9 mil de hectares só irá para indústria no início do próximo ano, porque com as chuvas ocorridas em abril e maio na região Centro-Sul e o atraso do início de operação de novas unidades de produção, os usineiros não tiveram tempo suficiente para moer toda a cana. (Fabíola Salvador)

Cana deixada em pé reflete crise no setor, avalia Conab

Brasília, 15 - O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Wagner Rossi, afirmou hoje que a crise financeira internacional reduziu a demanda por açúcar e álcool e influenciou na decisão da iniciativa privada de deixar de colher 315,9 mil hectares de cana-de-açúcar na safra atual. Ele disse que as chuvas verificadas nos meses de abril e maio no Centro-Sul também determinaram esse quadro.

O diretor de Cana-de-açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Alexandre Strapasson, informou que o volume de cana que não foi cortado vai acabar favorecendo o mercado de açúcar e álcool no ano que vem. "As unidades vão antecipar o esmagamento", comentou ele, ao lembrar que a entressafra da cana termina em abril.

Strapasson afirmou que o governo esperava volume maior de cana "bisada", que é um termo técnico para o canavial que não é cortado no ano-safra em que deveria ser tido colhido. De acordo com ele, o volume ficou abaixo do previsto pelo governo porque muitas usinas continuaram esmagando a safra além do período normal. Ele observou que muitas usinas do Centro-Sul ainda estão esmagando a cana, quando o normal seria a paralisação das atividades nesta época do ano.

O presidente da Conab ressaltou que a crise internacional, que resultou na falta de crédito, prejudicou o ritmo de instalação de novos projetos de usinas sucroalcooleiras. A falta de recursos também deve comprometer a adubação dos canaviais, o que pode reduzir a produtividade da cana no ano que vem. "A euforia não é bom conselheiro para os negócios. É preciso fazer negócios com segurança", afirmou Rossi.

O presidente da Conab acrescentou que, antes da crise, havia disponibilidade de dinheiro no mercado internacional, o que facilitava a construção de novas usinas. De acordo com dados do Ministério da Agricultura, existem 417 usinas instaladas no Brasil, das quais 30 foram inauguradas este ano. O número de inaugurações é similar ao do ano passado.

Strapasson informou que existe potencial para exportação de etanol, mas que muitos mercados ainda não foram efetivamente abertos. O diretor comentou também sobre o abastecimento de álcool na entressafra na Região Centro-Sul, que vai de janeiro a março. Nesse período, ele acredita que haverá pequena elevação dos preços do álcool. "Há um custo para carregar estoques e a iniciativa privada vai repassá-lo aos preços". Ele não falou sobre níveis de preço, mas lembrou que a variação está diretamente relacionada ao preço da gasolina.

Estoque

O diretor do Ministério da Agricultura disse que a expectativa é de estoque ajustado à demanda no início de 2009. Hoje o estoque soma cerca de 5,2 bilhões de litros de álcool e a variação até o período de entressafra dependerá da relação de preço entre álcool e gasolina.

Strapasson observou que este ano o mercado foi de preço baixo para o consumidor, o que favorece a população, mas impede novos investimentos. Ele salientou que o cenário é positivo para o mercado de açúcar, já que as projeções indicam crescimento da demanda mundial. Ele disse que as projeções indicam déficit de 3 milhões a 7 milhões de toneladas de açúcar no mercado internacional. Parte desse déficit é justificada pela queda na produção da Índia.

O Brasil é responsável, segundo Strapasson, por cerca de 40% do mercado mundial de açúcar. Apesar da aposta no mercado externo, ele disse que no caso do álcool o grande potencial de venda está no mercado doméstico, onde a demanda por carros flex (bicombustível) é cada vez maior.

Sobre o mecanismo de apoio à produção de açúcar e álcool do Nordeste, prevista na Medida Provisória 449, Strapasson comentou que a expectativa é que o modelo de apoio seja definido e aprovado nas próximas semanas. (Fabíola Salvador)