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segunda-feira, dezembro 22, 2008

Dados sobre Etanol e Biodiesel no Brasil

Na edição do Anuário EXAME 2008-2009 de Infra-estrutura encontrei alguns dados interessantes sobre biocombustíveis que irei compartilhar.

O primeiro dado interessante está relacionado à matriz energética brasileira, mostrado na figura abaixo. Nela podemos ver a importância do etanol e seus derivados (no caso, o bagaço) representando 16% do total, ou seja, um sexto do total. Outra importante fonte oriunda do agronegócio é o carvão vegetal que ainda é obtida grande parte de madeira não cultivada para este fim, mas existe a tendência do aumento das florestas cultivadas para uso energético.

Etanol

Segundo a Exame, o preço do etanol brasileiro ainda é imbatível apesar do aumento nos custos de produção ocorrido nos últimos 12 meses, passando de 22 para 45 centavos de dólar o litro do álcool anidro pois os custos do etanol de milho nos EUA e de beterraba produzido na Europa são respectivamente, 0,66 e 1,28 dólar o litro. Entretanto, necessitamos de investimento em pesquisa em etanol celulósico para não perdermos esta liderança.

Com relação ao etanol, antes de falar sobre os dados gerais, comentarei sobre a avaliação geral do segmento realizada pela revista que levou em conta marco regulatório, questões legais, tributárias e institucionais além dos aspectos relacionados aos investimentos. Para cada item foi dada um critério verde, amarelo e vermelho, que representam uma escala de problemas impedindo a realização dos investimentos necessários para atender às exigências do país.

As avaliações positivas (verde) foram dadas para o marco regulatório, questões institucionais enquanto que os demais itens (questões legais, tributárias e investimentos) a avaliação foi a amarela, principalmente devido à falta de legislação que impede a criação de um mercado futuro de etanol, diferenças significativas na alíquota do ICMS e a crise internacional que fez com que ocorresse problemas de liquidez que podem afetar os investimentos.

Os principais desafios ao setor estão relacionados à escassez de milho nos EUA que pode aumentar a nossa exportação e à criação de infra-estrutura de transporte ainda muito dependente das rodovias, entretanto para tanto necessitamos de investimentos na capacidade produtiva e na infra-estrutura necessária para viabilizar exportação de grandes volumes.

Os principais dados do setor encontram-se nas figuras abaixo:







Das figuras acima vale a pena comentar a perda da primeira posição na produção mundial de etanol para os EUA e que mesmo assim ele importou cerca de 25% do total exportado pelo Brasil, apesar do total exportado ser muito pouco ainda perto do total produzido, menos de 10%.

Com relação ao mercado interno, vemos a supremacia paulista na produção enquanto que o estado de Goiás caminha firme para a segunda posição em virtude do grande número de novas usinas a serem instaladas lá.

O mercado de carros bicombustível já está se estabilizando em patamares próximos a 90% do total de veículos fazendo com que o mercado interno cresça ano a ano.

Biodiesel

O biodiesel apresenta um cenário diferente, tanto é que enquanto que o título para o análise do etanol era “O preço brasileiro ainda é imbatível” o mesmo para o biodiesel é “Faltou combinar com o mercado”, mostrando os problemas de mercado que enfrenta.

A principal matéria-prima, a soja, teve um grande aumento em suas cotações causando sérios problemas aos produtores devido à diferença entre a cotação do grão e o baixo preço do combustível pago pelos leilões, isso fez com que a Agência Nacional do Petróleo autorizasse a compra direta das distribuidoras nos produtores possibilitando a formação de estoques. Após aumentar a mistura obrigatória de 2% para 3% em julho, o governo pensa em antecipar a meta de adição de 5% de 2013 para 2009 ou 2010 na tentativa de melhorar o cenário ajudando a emplacar o programa.

Diferente do etanol que obteve 2 avaliações positivas e 3 avaliações intermediárias, o biodiesel recebeu 2 avaliações negativas e 3 avaliações intermediárias. As avaliações negativas (vermelhas) foram dadas para o marco regulatório que ainda necessita de marco regulatórios e algumas empresas venderam produto nos leilões e não entregam e não houve nenhuma tipo de punição e também as questões intitucionais pelo fato da Petrobras estreiar como produtora de biodiesel com 3 usinas inauguradas com capacidade de produção de 13% do mercado atual, mostrando assim um sinal de concentração e estatização do segmento.

As questões legais mostram que apesar do aumento da adição de 2% para 3% não ocorreu diminuição do diesel importado devido ao aumento do consumo e que a mistura de 5% não fará com que o preço final do óleo diesel abaixe, pois o biodiesel ainda é mais caro que o óleo diesel.

Nas questões tributárias, o biodiesel ainda é muito dependente dos subsídios do governo e atrelar redução de impostos à compra de matéria-prima de pequenos produtores pode comprometer a escala de produção.

Os investimentos estão caindo devido à questão do custo de produção alto porém a Petrobras Biocombustíveis planeja montar mais uma usina para produzir a partir de dendê e girassol.

Os principais desafios estão relacionados à encontrar uma matéria-prima competitiva e sustentável, dissociar política energética da política social para garantir escala de produção e tambem criar marcos regulatórios definidos e desenvolver o biodiesel como commodity.

Abaixo alguns dados sobre o setor:




Com relação aos dados apresentandos, podemos verificar a hegemonia da soja representando 2/3 do total e a capacidade instalada atualmente é muito superior a capacidade utilizada, fazendo com que existam poucos projetos em autorização.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Será que petróleo barato inviabilizará biocombustíveis?

Encontrei nesta semana duas notícias interessante sobre a questão preço do petróleo versus viabilidade de biocombustíveis. A primeira é uma nota publicada em 28/11 no Blog Mundo Agro da Fabiane Stefano no Portal Exame onde ela comenta o problema do petróleo barato e a possibilidade de tirar a viabilidade do biodiesel e do etanol.

E a segunda é análise do Merryll Lynch publicada na Folha de São Paulo hoje que fala de petróleo na faixa dos 25 dólares no ano que vem em virtude da queda da demanda. Seguem abaixo as duas notícias:

O PROBLEMA DO PETRÓLEO BARATO

A cotação do barril de petróleo na casa dos 50 dólares jogou um banho de água fria no entusiasmo em relação aos biocombustíveis no Brasil. Em junho, o preço do petróleo bateu 145 dólares, viabilizando a produção de quase todos os combustíveis verdes do mundo. Com a crise, a commodity desceu ladeira abaixo e deve promover um forte rearranjo no setor de biocombustíveis.

O etanol brasileiro, feito a partir de cana de açúcar, continua no páreo. Sua viabilidade econômica resiste a um petróleo a 35 dólares o barril. Mas as pretensões de tornar o combustível uma commodity global não combinam com esse patamar, uma vez que a produção de outros tipos de etanol (como o de milho e o de trigo, nos Estados Unidos e na Europa, respectivamente) fica economicamente inviável.

E, como não existe commodity global produzida em único país, fica difícil convencer o mundo rico a adotar um biocombustível cuja formação de preço está restrita a um único lugar (nesse caso o Brasil).

Naturalmente, a situação pode mudar. Mas os dados mais recentes indicam uma desaceleração que pode ser duradoura. Ou seja, o plano de internacionalização do etanol brasileiro deve permanecer em compasso de espera.

Se há fôlego para o etanol brasileiro com o petróleo baratinho, não se pode dizer o mesmo do biodiesel. Antes da queda da commodity, o combustível a partir de óleo vegetal (soja, girassol, mamona e outros) operava a base de subsídios públicos. No mundo todo, o biodiesel só é viável com forte subvenção governamental. E com o petróleo a 50 dólares, é puro voluntarismo.

MERRILL LYNCH PREVÊ PETRÓLEO A US$ 25

O preço do barril de petróleo voltou a cair ontem devido às preocupações com a recessão dos Estados Unidos e atingiu o seu menor valor desde janeiro de 2005. Ontem, a cotação recuou 6,7% em Nova York, valendo US$ 43,67 no fim do pregão -o menor preço desde 4 de janeiro de 2005. O banco Merrill Lynch prevê que, caso a crise se agrave, o preço pode chegar a US$ 25 no ano que vem, o que não ocorre desde 2003.