sexta-feira, agosto 14, 2009

Bertin e Marfrig desistem de criar gigante da carne bovina

Parece que a idéia de união do Bertin com a Marfrig não saiu do papel. Notícia publicada ontem no Portal Exame comenta este fato:

Marfrig e Bertin desistem de fusão
Diretor executivo do Bertin disse que, em lugar da operação, empresa vai focar em plano para dobrar sua capacidade de abate

As negociações que poderiam resultar na fusão entre os frigoríficos Marfrig e Bertin, originando a maior empresa do ramo no Brasil, terminaram. Segundo o diretor executivo do Bertin, Fernando Falco, em lugar da operação, a companhia deverá focar em um plano para praticamente dobrar sua capacidade de abate - das atuais 12 mil cabeças por dia para 21 mil - em cinco anos. O plano deve custar à Bertin cerca de 3 bilhões de reais.

"A fusão não está sendo discutida atualmente. Estamos concentrados principalmente em crescimento orgânico", disse Falco durante uma coletiva de imprensa na quarta-feira (12/8). Segundo a Bloomberg, o diretor de relações com investidores do Marfrig, Ricardo Florence, preferiu não comentar sobre o assunto na coletiva.

Os produtores de carne no Brasil consideraram fusões depois de enfrentarem, em 2008, o pior dos últimos 10 anos, com várias companhias indo à falência, segundo o Moody's Investors Service. O Marfrig anunciou que estava em negociação com o Bertin em maio de 2009.

Controle

Segundo apurado pelo Portal EXAME em julho, o maior entrave à concretização da fusão entre os frigoríficos estava relacionado à disputa pelo controle acionário. O Bertin demonstrava a intenção de deter o controle acionário da nova empresa. A exemplo do impasse entre Sadia e Perdigão que deu origem à Brasil Foods, a família Bertin - que detém cerca de 70% do conglomerado - não aceitaria perder o controle em uma eventual fusão.

A fusão resultaria em uma empresa que seria líder em abates no país. Juntos, os dois frigoríficos teriam capacidade de abate diário superior a 35 mil animais por dia, o que deixaria o atual líder JBS - Friboi - cuja capacidade está acima de 26 mil bois - na segunda posição.

Na Bovespa, as ações ordinárias da Marfrig eram negociadas, às 1h27 horas em alta de 1,83%, a 16,16 reais. Já o Ibovespa operava em alta de 0,54%, aos 56.891 pontos.

Resultados

A Marfrig divulgou, na última terça-feira (11/08), seus resultados referentes ao segundo trimestre de 2009, os quais corresponderam às perspectivas dos analistas principalmente com relação à receita líquida, que chegou a 2,4 bilhões de reais no período, 6,8% superior ao alcançado no trimestre anterior. A performance pode ser atribuída ao bom desempenho das vendas no mercado interno.

Os resultados financeiros da Marfrig, de acordo com analistas da Brascan Corretora, foram beneficiados pela valorização do real frente ao dólar. Como a companhia possui mais de 70% de seu endividamento em dólar, o efeito de apreciação da moeda brasileira gerou variação cambial ativa de 502,6 milhões de reais, fazendo com o resultado financeiro fechasse positivo em 371,8 milhões de reais no segundo trimestre.

Por outro lado, a valorização da moeda provocou resultado operacional considerado fraco, segundo análise da corretora SLW, pois as margens de exportações da Marfrig foram afetadas.
Para os próximos trimestres, os analistas da Brascan esperam uma recuperação contínua na rentabilidade da empresa, com o crescimento das exportações.

quarta-feira, agosto 12, 2009

Manejo sustentável de florestas - uma idéia rentável

Apesar do pouco conhecido do setor florestal e em especial da Floresta Amazônica, sempre achei que o manejo correto de retirar partes da floresta de forma a possibilitar a sua perpetuação fosse algo inteligente. E a notícia do Portal do Agronégocio que segue abaixo na íntegra mostra bem isso através de uma ação do governo brasileiro:

Concessões florestais vão ofertar 840 mil m³ de madeira até 2010

As concessões em florestas brasileiras vão permitir, entre 2009 e 2010, a oferta de mais de 840 mil metros cúbicos de madeira de origem legal e sustentada e a geração de 12 mil empregos diretos e indiretos

Prevê-se, ainda, a geração de cerca de R$ 430 milhões entre arrecadação para o governo, receitas com serviços e economia gerada pela indústria. As projeções são do Serviço Florestal Brasileiro - SFB e baseiam-se nas concessões que devem ser realizadas no período.

A estimativa é de que, até o final de 2010, mais de 2,7 milhões de hectares de florestas sejam licitados. Desse quantitativo, aproximadamente 1 milhão de hectares devem ser oferecidos ainda este ano em três editais. Um deles já está aberto, o da Flona Saracá-Taquera, com 140 mil hectares disponíveis. Até o final de 2009, a previsão é lançar os editais restantes, das Flonas Amana e Crepori, localizadas na BR-163, no Pará.

A expectativa é que, no próximo ano, o SFB divulgue editais para mais seis flonas, num total de 1,5 milhão de hectares. Três dessas flonas localizam-se também no Pará – Trairão, Altamira e Jamanxim – e juntas contam 1,1 milhão de hectares, ou 76% da área para concessão no ano. As demais estão distribuídas pelo Acre, onde deve haver concessões nas Flonas Macauã e São Francisco, e em Rondônia, na Flona Jacundá, que somam 369 mil hectares.

O valor do prejuízo causado por ervas daninhas

Encontrei no site da FAO um artigo muito interessante sobre o custo de ervas daninhas ao mundo. Os números realmente impressionam!

Para os que querem ler o texto original em inglês, clique aqui. Para os outros, segue notícia baseada na nota original publicada no Valor Econômico que encontrei no Notícias Agrícolas:

Perdas de US$ 95 bi com ervas daninhas

O "inimigo número um" dos agricultores acaba de ser identificado pela Organização das Nações Unidas (ONU) : são as ervas daninhas. O prejuízo que elas causam às lavouras no mundo chegaria a US$ 95 bilhões por ano, com quebra da produção.

Segundo a Agência das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), uma única planta daninha, chamada de "orobanco" ou "jopo", uma raiz "agressiva" que ataca legumes, pode causar tanto a perda total das colheitas, como causar a infertilidade dos campos de produção durante anos.

O "inimigo natural número 1" dos agricultores provoca prejuízos que podem na verdade ir além dos US$ 95 bilhões (US$ 70 bilhões nos países pobres) que já equivalem pela cotação atual a 380 milhões de toneladas de trigo, ou seja, mais da metade da produção mundial para 2009.

A perda pode ser "colossal", conforme a FAO, levando-se em conta que mais da metade do tempo que os agricultores passam no campo é destinada a arrancar ervas daninhas que nascem em meio às plantações. Em comparação, os insetos causam prejuízos de US$ 46 bilhões por ano e agentes patógenos, que causam doenças nas lavouras, US$ 84 bilhões.

Assim, para a FAO, se o agricultores quiserem aumentar a produtividade de suas lavouras, a primeira coisa a fazer é melhorar a luta contra as ervas daninhas. Uma saída, segundo a agência, é rotação das culturas, já que as ervas daninhas são biologicamente adaptadas a uma planta particular. Outro alternativa é a utilização de sementes de melhor qualidade para plantio.

A agência das Nações Unidas sugere também que para combater ervas daninhas aquáticas, vale a pena usar insetos específicos da região da Amazônia.

A situação é hoje ainda mais grave, porque mais ervas daninhas resistem a herbicidas. Nos Estados Unidos, 13 espécies dessas ervas resistem ao glifosato, de acordo com a ONU. O glifosato é o princípio ativo do herbicida Roundup Ready, da Monsanto.

Para a FAO, as ervas daninhas são também culpadas pelo fato de um bilhão de pessoas sofrerem de fome no mundo.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Greening - praga nos laranjais paulista

Parece que o greening, apesar de todo o trabalho da Fundecitrus está crescendo no estado de São Paulo, conforme podemos ver pela reportagem da Folha de São Paulo:

Região de Ribeirão Preto/SP corta 1 milhão de pés de laranja por greening

O greening, considerado o câncer da citricultura, foi responsável pelo corte de mais de 1 milhão de pés de laranja na região de Ribeirão Preto nos primeiros seis meses de 2009. Este número representa mais da metade das plantas eliminadas por causa da doença em todo o Estado no primeiro semestre.

Os números são da Secretaria de Estado de Agricultura e apontam outro fato preocupante: o greening está avançando na região. No primeiro semestre de 2008, 411 mil pés de laranja tiveram de ser sacrificados por causa da doença, que é transmitida por um inseto vetor. Neste ano, o total de plantas cortadas é de 1,09 milhão, ou 165% a mais.

A microrregião de Araraquara foi a mais prejudicada: cortou 746 mil pés da fruta. As plantas eliminadas na região representam 0,7% do total plantado -no Estado, esse percentual é de 0,4%.

"Não bastasse a crise pelo qual passa a citricultura, o greening dificulta ainda mais. Essa questão dificulta a decisão dos produtores de continuar investindo em pomares, em renovar as plantações", disse Flávio Viegas, presidente da Associtrus (Associação Brasileira dos Citricultores).

"É uma notícia muito preocupante, pois a gente notava que o greening estava avançando mais lentamente aqui do que em outras regiões", disse.

Independentemente do avanço do greening, o setor sofre com os baixos preços praticados no mercado. Segundo Viegas, o custo de produção por caixa gira em torno dos R$ 15. Ao mesmo tempo, a indústria paga de R$ 3,50 a R$ 5,50 pela caixa. "Só colhe a fruta quem tem muita coragem. Tirar a laranja do pé neste cenário é prejuízo certo."


Mário Sérgio Tomazela, diretor de defesa vegetal da Secretaria de Estado da Agricultura, disse que a doença está avançando em estágio perigoso. "Há uma tendência de aumento na incidência do greening no Estado. Por isso é preciso reforçar a participação dos produtores. É uma doença altamente destrutiva", disse.

O produtor Ricardo Bueno, de Jaboticabal, sabe bem como é sofrer com o greening. Mais de 90% de seu pomar já foi cortado devido à doença.

"Eu tinha uns 2.000 pés. Hoje estou com menos de 200. E acho que também já estão contaminados. Não sei mais o que fazer, pois não adianta replantar, o greening reaparece. Estou pensando em abandonar a laranja e plantar amendoim."

quinta-feira, agosto 06, 2009

Biodiesel no Brasil - porque não decola?

Apesar da obrigação de adição de 4% pelo governo, parece que o biodiesel não decola no Brasil. A reportagem abaixo do Portal Exame analisa este problema:

O que falta para o biodiesel decolar no Brasil

O programa nacional de biodiesel foi criado para ser uma das estrelas do governo Lula. O sonho do Planalto era transformar o biodiesel numa espécie de novo etanol: um combustível vegetal mais limpo que o diesel comum, que incentivasse a agricultura familiar, gerasse empregos no campo e colocasse o Brasil ainda mais em destaque na área de combustíveis alternativos. Desde o início do programa, há quatro anos, a produção cresceu em escala exponencial e o número de investidores se multiplicou. Até agora, porém, quase ninguém conseguiu ganhar dinheiro com o biodiesel. De uma capacidade instalada de 340 milhões de litros por mês, a produção brasileira está atualmente em torno de 120 milhões de litros - o que obriga todas as empresas a trabalhar com margens baixas ou, muitas vezes, negativas.

Segundo empresários e especialistas no setor, os gargalos que impedem que o mercado de biodiesel cresça são:

1) a falta de uma matéria-prima vegetal viável para a expansão acelerada do programa;

2) o sistema de leilões de compra de biodiesel realizados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP);

3) a indefinição sobre o papel da Petrobras no setor de biodiesel; e

4) a entrada de investidores demais no setor em um curto espaço de tempo, o que deve manter o excesso de capacidade de produção nos próximos anos.

Mesmo com todos esses problemas, no entanto, os especialistas são unânimes em considerar que o programa de biodiesel vai deslanchar muito mais rápido do que o etanol. Da criação do Pró-Álcool em 1975 à explosão de vendas dos carros flex, foram quase 30 anos de pesquisas. O governo, os usineiros, as empresas de combustíveis e as montadoras tiveram que desenvolver tecnologia para aumentar a produtividade da cana, criar uma megaestrutura logística para distribuir o etanol para todos os estados do país, estruturar uma rede de postos aptos a abastecer veículos a etanol e construir motores capazes de ter praticamente o mesmo rendimento movidos a álcool ou a gasolina, entre outros avanços.

No caso do biodiesel, em que os motores já estão adaptados, o único problema que se repete é o de desenvolver a cadeia logística para o transporte do combustível das usinas até as refinarias da Petrobras onde será feita a mistura ao diesel. Esse é um desafio relativamente pequeno, no entanto, quando comparado ao de diversificar a base de matérias-primas para a produção do biodiesel. Hoje 80% da produção tem como origem o óleo de soja. "Das cinco matérias-primas tradicionais definidas pelo programa do governo para servir de base para o biodiesel [mamona, algodão, girassol, dendê e soja], apenas a soja tem sustentado, na prática, o projeto", afirma o chefe de Comunicação e Negócios da Embrapa Agroenergia, José Eurípedes da Silva.

O efeito nocivo da dependência quase exclusiva da soja não está relacionado à oferta de matéria-prima. "Temos uma oferta abundante de soja, que ocupa a maior área plantada entre todas as culturas no Brasil", diz o analista Bruno Boszczowki, da consultoria Agra FNP. Segundo especialistas, um eventual risco de escassez só ocorrerá no Brasil quando o percentual da mistura de biodiesel ao diesel dobrar dos atuais 4% para 8%.

O primeiro problema da soja é sua baixa produtividade. Só 18% de cada grão pode ser usado para fazer óleo - o resto vira farelo para alimentação de animais. "Então, se aumentássemos a produção de soja para abastecer o mercado de biodiesel, estaríamos gerando quatro vezes mais farelo. Isso significaria ração mais barata para frangos e suínos, entre outros", afirma o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialista em biodiesel, Donato Aranda.

O presidente da Brasil Ecodiesel, José Carlos Aguilera, afirma que alguns mercados a soja também é vista como matéria-prima exclusiva para a alimentação. "Já conversei com pesquisadores alemães que me disseram que sabem que a soja é uma matéria-prima viável para o biodiesel. No entanto, eles dizem que na Alemanha o biodiesel de soja não entra para não colocar em risco a oferta de alimentos em todo o mundo", diz. Além disso, a soja é uma commodity cujo preço varia de acordo com a demanda e a especulação no mercado internacional. No início do ano passado, quando os preços da soja dispararam, toda a cadeia de biodiesel teve suas margens bastante comprimidas. Por último, a soja é uma cultura extensiva desenvolvida em grandes propriedades e não beneficia a agricultura familiar como o governo gostaria.

Matérias-primas alternativas

As quatro culturas apontadas como mais promissoras para a produção de biodiesel são pinhão manso, girassol, dendê e mamona. Todos têm um teor de óleo superior ao da soja, com produtividade em torno de 40%. No entanto, também não faltam problemas. Segundo Silva, da Embrapa Agroenergia, uma vez que o pinhão manso não é originário do Brasil, o país ainda não possui o domínio tecnológico para explorá-lo em larga escala. Embora os estudos já estejam em andamento, serão necessários pelo menos cinco anos para que os primeiros resultados sejam divulgados.

O girassol apresenta área plantada restrita. Já o dendê possui limitações geográficas: só pode ser plantado em áreas localizadas 5 graus de latitude abaixo ou acima do Equador, o que restringe o plantio a alguns estados do Norte e Nordeste. Além disso, as primeiras colheitas só podem ser feitas após um intervalo de oito anos.

De todas as matérias-primas propostas, no entanto, a mamona, a mascote do programa de biodiesel, é a menos viável. Primeiro porque seu óleo tem um valor de mercado três vezes superior ao pago pelo biodiesel. As sementes de mamona são disputadas pelas indústrias química, cosmética e farmacêutica. Além disso, a mamona só atinge a especificação necessária para ser transformado em biodiesel por meio de misturas a partir de outras fontes de gordura.

Leilões

O presidente da Brasil Ecodiesel, José Carlos Aguilera, aponta os leilões de biodiesel promovidos pela ANP como outro entrave para o desenvolvimento do mercado. Os leilões foram criados como forma de garantir a comercialização do biodiesel produzido mesmo por pequenos produtores em um momento em que o mercado ainda não estava formado. Aguilera diz, no entanto, que o mercado já amadureceu e que os leilões passaram a ser um empecilho.

Hoje os leilões favorecem as empresas que esmagam a soja para produzir óleo e farelo - o que não é o caso da Brasil Ecodiesel. "Caso o valor do litro de óleo de biodiesel seja inferior ao de soja, as empresas podem reduzir suas ofertas e mesmo assim se manter em operação. Para nós, ficar fora de um leilão significa suspender as atividades de uma fábrica", diz Aguilera, que teve que paralisar duas fábricas no terceiro trimestre por esse motivo.

No entanto, a principal crítica ao modelo dos leilões trimestrais recai sobre o critério utilizado pela ANP para definir os preços de referência. A agência estipula um teto para o preço do combustível que será vendido pelas usinas à Petrobras. Segundo as empresas, na maioria das vezes, ele não recompõe os custos. "Chegou o momento de o governo abandonar os leilões e deixar que um mercado livre de biodiesel se desenvolva", diz Aguilera.

Segundo a ANP, o cálculo do preço máximo de referência leva em consideração principalmente as cotações de mercado das matérias-primas acrescidas dos custos médios de produção e dos tributos. Apesar das expectativas do setor, o Ministério de Minas e Energia confirmou na última quinta-feira que o 15º leilão de biodiesel acontecerá no fim de agosto. Tanto o Ministério quanto a ANP informaram que a suspensão dos leilões não está na pauta de discussões nesse momento. Segundo fontes do setor, a manutenção dos leilões teria por objetivo fiscalizar e manter a qualidade do produto final e garantir a posição monopolista da Petrobras na produção de biodiesel.

O papel da Petrobras

Executivos do setor dizem que a indefinição sobre o papel da Petrobras cria insegurança entre as empresas do setor - principalmente na hora de conseguir empréstimos bancários para financiar os investimentos. No setor de etanol, a Petrobras não possui investimentos representativos na produção e planeja se tornar uma grande distribuidora do biocombustível tanto no Brasil quanto para outros países do mundo.

Já na área de biodiesel, a Petrobras acena ter interesse em também ser produtora. A empresa já possui três usinas e pode abrir mais duas até o final do ano. Como a empresa é a grande compradora do produto, acaba por ter o poder de decidir que empresas vão ou não sobreviver nesse mercado. "Esse jogo é muito desigual. Só o que eles gastam em café é mais do que todo o meu faturamento", diz, ironicamente, o representante de uma empresa do setor. "Eu acho que eles se arrependem de ter deixado a Cosan crescer tanto em etanol e não vão abrir mão de um papel de protagonista em biodiesel", completa.

Dos entraves que atrapalham o desenvolvimento do biodiesel no Brasil, o que parece mais fácil de ser contornado é o aumento do percentual adicionado hoje ao diesel mineral - que elevaria a demanda pelo biocombustível para patamares mais próximos ao da capacidade de produção. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o governo já estuda antecipar de 2013 para 2010 o aumento da mistura do biodiesel ao diesel de 4% para 5% do total. Cada ponto percentual de elevação representa um adicional de 400 milhões de litros na demanda, uma vez que o Brasil consome 40 bilhões de litros por ano de diesel mineral.

Enquanto os demais nós que envolvem o programa de biodiesel não são desatados, unir forças pode ser uma saída para as empresas que ainda patinam. "A tendência é que permaneçam no mercado apenas as grandes que não tem o biodiesel como única atividade", afirma Silva, da Embrapa Agroenergia. "Resta saber quem será a Cosan do biodiesel. Nós bem que gostaríamos", diz Aguilera, da Brasil Ecodiesel. (Gisele Cabrini).

quarta-feira, agosto 05, 2009

Parece brincadeira, mas preço de terra aumenta mesmo com crise

Parece contraditório, mas reportagem do Valor Econômico que encontrei no Ethanol Brasil Blog mostra que apesar da crise mundial, o preço das terras no Brasil ficaram cerca de 3% aos valores do ano passado:

Preços das terras atingem recorde

Os preços médios das terras agrícolas no Brasil ficaram em R$ 4.446 por hectare no bimestre maio/junho, um aumento de 1,2% sobre o bimestre anterior e de 2,6% em relação ao mesmo período um ano antes, segundo relatório da AgraFNP. Esse patamar é considerado recorde (em valor absoluto), segundo Jacqueline Bierhals, analista de terras da consultoria.

"Essa ligeira valorização foi uma surpresa, uma vez que o mercado esperava um recuo para o período, considerando a crise e os poucos negócios realizados no período", afirmou Jacqueline.

Apesar da baixa liquidez nesse mercado, os produtores não aceitam reduzir os preços das terras agrícolas. Os poucos negócios realizados estão focados na área de grãos, sobretudo soja. A cotação média da terra no Brasil (de R$ 4.446) supera os R$ 4.434 por hectare registrados no bimestre de março/abril de 2004, quando os preços da soja registraram seu pico no mercado internacional. Des! contada a inflação acumulada nesse período, de 0,74%, verifica-se que o ganho real foi de 1,9%. Apesar do crescimento modesto, a AgraFNP considera positiva a recuperação.

As terras negociadas para plantio de cana-de-açúcar estão paradas, uma vez que o setor sucroalcooleiro vive uma de suas maiores crises financeiras.

Na região Nordeste do país, a mais procurada pelos investidores estrangeiros, o ritmo dos negócios ainda está lento, mas é crescente tanto para áreas agrícolas quanto para a pecuária, segundo a consultoria.

A avaliação por Estado mostra que o destaque negativo no bimestre foi o Pará, onde o Ministério Público Federal embargou diversas fazendas de pecuária de corte localizadas na Amazônia Legal. O mercado de terras, que já estava fraco na região, ficou paralisado.

Na comparação com o mesmo período, 36 meses antes, a valorização nominal no bimestre maio-junho foi de 44,3% e a real chegou a 7,! 6%. O Sul do país foi a região que se mais valorizou nos últimos três anos, com alta nominal de 52,4%, seguida pelo Centro-Oeste, com aumento de 48,3%. No Nordeste, a alta foi de 46% e no Norte, de 41,6%. O Sudeste teve valorização de 36,9% em igual período.

Mesmo com a crise financeira global, os proprietários estão atentos à perspectiva de escassez de terras para produção de alimentos e energia no mundo. Segundo Jacqueline, as ofertas estão mais escassas e quando um negócio se concretiza, os preços são elevados.

A importância da mecanização

Devido ao meu background, sempre considerei a mecanização algo extremamente importante. Para grande parte do nosso agronegócio, a mecanização já se encontra muito desenvolvida, e o próximo passo é a automalção das atividades agrícolas. Entretanto, para grande número de pequenos agricultores, a mecanização é algo muito longe ainda.

A reportagem abaixo do Jornal Estado de Minas, publicada no Notícias Agrícolas, mostra um bom exemplo da adoção da mecanização em uma pequena propriedade. Os programas atuais de fomento à venda de pequenos tratores são peças fundamentais neste processo:

Enfim, um trator

Com crédito mais fácil e juros baixos, agricultores familiares comemoram a compra da primeira máquina e já fazem planos de dobrar a produção

No Norte de Minas, a produção de quiabos do casal de agricultores Ana e Joaquim, deu um salto. O responsável pela diferença nos números, que praticamente dobraram, é um Massey Ferguson de 75 cavalos. Depois de 30 anos de lida no campo, os pequenos produtores comemoram um grande feito: acabaram de adquirir o primeiro trator. A chegada da máquina está movimentando os negócios e a vida, não só da família, mas da região, próxima a Montes Claros, onde a propriedade de 90 hectares está localizada. O trator foi comprado dentro do programa Mais Alimentos, que oferece verbas de investimento para a agricultura familiar, abrindo uma linha de crédito que há mais de duas décadas não chegava aos pequenos produtores, com prazo e juros diferenciados.

Na vizinhança, que reúne cerca de 70 pequenas propriedades, o trator não tem concorrentes, é o único da região. Em seus primeiros meses de atividade, a máquina que substituiu a tração animal e os equipamentos alugados, mostra a que veio: A produção de quiabo, de 60 caixas semanais deve dobrar, passando a 120 caixas, por semana. Uma diferença também na renda familiar. "Estamos muito contentes. Esperamos dobrar a produção não só do quiabo, mas também da cenoura, beterraba e cebolinha", diz a proprietária da máquina, Ana Fernandes Sarmento, que agora pensa em se matricular no curso de formação para tratoristas.

A aquisição de tratores e implementos agrícolas, como semeadores, arados, grades e roçadeiras, integram o programa de crédito, iniciado no ano passado e prorrogado para o ano agrícola que está começando. O objetivo da iniciativa é ampliar a produção de alimentos. Para isso foram liberados ao produtor recursos de até R$ 100 mil, com prazo de pagamento de 10 anos, carência de 24 meses, e juros de 2% ao ano, para a compra de novos equipamentos. Até então, o que havia especificamente para a agricultura familiar eram linhas de financiamento direcionadas para o custeio. O resultado dessa limitação do crédito para investimentos é a baixa mecanização do segmento, responsável pela produção de 70% de todo o alimento do país. A frota brasileira de tratores, termômetro da atividade, além de ser pequena, é bastante envelhecida. Segundo José Silva, presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG), a estimativa é de que há 30 anos, em média, os pequenos produtores não investiam de forma significativa na mecanização, item decisivo para o crescimento da produção de alimentos e do avanço da renda rural.

A possibilidade de renovar a frota animou também o agricultor Sergismundo Eustáquio da Fonseca, produtor rural em Carmo do Cajuru, no Centro-Oe ste de Minas. O velho "tratorzinho", com quase 30 anos de uso, já não aguentava desempenhar as tarefas. Assim, o plantio da lavoura e o preparo do pasto eram feitos com máquinas alugadas. "Fiquei com medo de entrar em uma dívida muito grande, mas hoje me arrependo. Deveria ter comprado tudo: grade, carreta, semeadora", diz o agricultor que vai pagar pelo trator R$ 71 mil, e espera não ter problemas para quitar o compromisso. "Quero passar a produção de leite de 300 litros/dia para 800 litros/dia", aposta.

A mecanização na agricultura familiar enfrenta uma defasagem expressiva. "A meta de Minas Gerais é atingir, pelo menos, um trator para cada 200 hectares", afirma José Silva. Para se ter ideia, hoje as regiões mais mecanizadas do estado, como o Sul e o Triângulo Mineiro, contam, em média, com uma máquina para cada 138 hectares. No semiárido, a diferença dos números assusta: apenas um trator para cada 2,1 mil hectares.

O equipamento de trabalho tem grande peso na produtividade. Como lembra a agricultora Ana Sarmento, além do aluguel da máquina ser caro, cerca de R$ 60/hora, encontrar uma máquina disponível no momento certo é um desafio que prejudicava os resultados da safra. "Muitas vezes quando o trator chegava, já tinha passado da hora de plantar." Na vizinhança, ainda são centenas de produtores que sonham com o acesso ao crédito. "Muita gente por aqui precisa, e nós podemos agora, ajudar os companheiros", diz o casal, que, além do pequeno trator, adquiriu também uma grade no valor de R$ 15 mil.