quinta-feira, maio 24, 2007

Região Sul - novamente o celeiro do Brasil?

O atual panorama do dólar a R$ 2,00 e as dívidas roladas de outras safras, estão fazendo com que o eldorado agrícola volte à região Sul do país, especialmente para a produção de cereais.. O artigo abaixo publicado no Estado de São Paulo domingo passado mostra bem este quadro:

QUEDA DO DÓLAR MUDA MAPA AGRÍCOLA DO PAÍS

Mudou o mapa da agricultura brasileira de grãos. As regiões tradicionais produtoras do Sul, tendo como coração o Paraná, voltaram a ser mais rentáveis para exportação do que o Centro-Oeste, que durante os últimos 15 anos foi o eldorado do agronegócio em razão das terras baratas. A trajetória de queda do dólar, que na semana passada rompeu a barreira de R$ 2, provocou o rearranjo do agronegócio e já tem reflexos na renda que circula nessas regiões.

"O dólar deixou de encobrir a ineficiência da infra-estrutura" diz o economista José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB Associados, que detectou as mudanças. Para ele, a moeda americana vai continuar em queda ’até onde a vista alcança’, e a alteração na geografia do agronegócio veio para ficar pelos próximos três a quatro anos, até que haja tempo hábil para consertar problemas da infra-estrutura.

Com o dólar abaixo de R$ 2, a margem de ganho do produtor de milho de Londrina, no norte do Paraná, equivale, nesta safra, a 56% do preço de exportação.

Se for incluído o gasto com frete, cai para 28%, segundo a consultoria. Trata-se de uma bela margem, diz Mendonça de Barros, se comparada à obtida pelos produtores de Rio Verde, importante pólo de grãos no sul de Goiás. A rentabilidade do produtor da região que exporta milho é 51% do preço nesta safra. Com o frete, cai para 8,5%, menos de um terço do ganho obtido pelo agricultor do Paraná.

"O produtor do Paraná está no céu", diz Mendonça de Barros. Essa também é a avaliação do produtor Carlos Roberto Pupin. O agricultor faz essa afirmação com conhecimento de causa, pois cultiva grãos no Paraná e no Tocantins.

Segundo Mendonça de Barros, os resultados desta safra indicam que a lógica que prevaleceu nos últimos 15 anos de os agricultores irem em busca de terras baratas no Centro-Norte está quebrada por causa da falta de infra-estrutura de transporte, segundo fator apontado por ele como agente da mudança. "Quem pagar agora o menor ’imposto’ de infra-estrutura vai se sair melhor"

terça-feira, maio 22, 2007

China - Eles também querem vender para o Brasil

Não é só o Brasil que tem olho grande para o mercado chinês. Eles também visualizam nosso agronegócio como mercado potencial para seus produtos. Também na edição de hoje do DCI tem um artigo sobre o interesse dos produtores chineses de agroquímicos em vender aqui parte de suas produções:

Chineses entram no mercado brasileiro de defensívos agrícolas

Luiz Silveira

Com oportunidades de crescimento saturadas nos Estados Unidos e na Europa, a indústria de defensivos agrícolas da China mira no Brasil para diminuir sua capacidade ociosa. Como maiores produtores, consumidores, importadores e exportadores de agroquímicos do mundo, os chineses querem avançar no Brasil com os defensivos genéricos, autorizados no ano passado.

O modelo de negócios buscado pelas companhias chinesas é uma parceria com empresas brasileiras que façam a distribuição de seus produtos, explica o consultor Flavio Hirata, da Allier Brasil, consultoria que mantém um escritório na China para auxiliar as indústrias de lá a encontrar parceiros e a fazer o registro de seus produtos aqui.

Só o laboratório Bioagri, de Piracicaba (SP), realizou nos últimos dois anos cerca de 20 baterias de testes de princípios ativos para defensivos produzidos na China. Os testes são necessários para o pedido de registro do produto no Ministério da Agricultura. “Antes desse período, não tínhamos nenhum cliente chinês. Agora a demanda deles cresce 50% ao ano e já representa algo como 30% dos nossos testes de defensivos”, afirma o diretor técnico do Bioagri, Roberto Bonetti.

O presidente da Associação Chinesa do Petróleo e Química, Li Yongwu, acredita que há muito espaço para os negócios com o Brasil crescerem no setor de agroquímicos. “O Brasil é o segundo maior mercado de defensivos do mundo, mas ainda há poucos produtos chineses aqui”, disse ele, que participou ontem do II Simpósio Brasil-China de Agroquímicos, realizado em São Paulo .

A China tem hoje 1.803 fabricantes de defensivos, mas Hirata ressalta que o governo chinês pretende reduzir esse número para menos de 500, de forma a garantir competitividade ao setor. “A China tem 7% do território mundial e 22% da população, por isso teve de desenvolver sua indústria de agroquímicos para ganhar produtividade”, constata Yongwu. Segundo ele, a produção chinesa de defensivos cresceu 32% em 2006.“Esperamos que o registro de produtos agroquímicos por equivalência reduza os custos de produção agrícola no Brasil, e a China será um parceiro importante para isso”, diz o coordenador-geral de Agrotóxicos do Ministério da Agricultura, Luís Rangel.

Segundo uma fonte do mercado, a importação chinesa não tira o sono, por enquanto, nem das indústrias locais nem das multinacionais; as primeiras podem firmar parcerias com chineses e as segundas já têm fábricas no gigante asiático.

Exportação de frutas - potencial enorme do Brasil

A exportação de frutas tropicais ainda é muito pequena quando comparada ao potencial de nosso país. Entretanto, sempre tem gente buscando aumentar este volume. Em artigo publicado no DCI de hoje (22 de maio) podemos observamos ações neste sentido:

Brasil incrementa exportação de frutas

Robson Bertolino

A missão de produtores brasileiros de frutas e derivados que irá ao norte da África visitar os países do Marrocos, Egito e Tunísia, entre maio e junho, está otimista em relação à geração de negócios.

Iniciativa da Agência de Promoção das Exportações do Brasil (Apex) e Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), a missão terá como objetivo fomentar negócios de até US$ 200 milhões entre produtores brasileiros e compradores dos três países.Segundo Antônio Sarkis Júnior , presidente da Câmara, o agronegócio tem grande potencial de acordos para produtos como frutas, sucos e produtos industrializados. “O Egito, por exemplo, é forte importador de produtos do agronegócio do Brasil, o que apresenta boa oportunidade para o aprofundamento e o incremento das relações comerciais entre os países”, diz.

A projeção do presidente da entidade é de fechar o ano de 2007, com 15% mais de exportações em frutas e derivados para aqueles países.

Outro fator, que segundo o executivo, está atraindo mais investidores, é o fato dos países visitados estarem mudando as respectivas legislações. O Marrocos já vem implementando tratados de comércio com os Estados Unidos e com a União Européia. A Tunísia passa por reformas que buscam estimular o crescimento econômico e diminuir o desemprego, em especial a reforma fiscal e a do setor bancário. Já o Egito está incentivando as exportações e o fluxo turístico interno, o que está impulsionando as perspectivas para um aumento do consumo e dos investimentos privados.

Potencial

Para Paulo Passos , consultor internacional que vai representar o Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf) na missão, o objetivo é abrir novos mercados, promovendo os sucos e frutas do Brasil junto aos possíveis importadores para futuras negociações. “O Marrocos importou, em 2006, US$ 46,8 milhões de frutas e sucos. Já a Tunísia comprou US$ 21,7 milhões e o Egito, 118 milhões de litros de sucos, estes números demonstram o potencial destes países para frutas e sucos, e o Brasil possui capacidade de suprir este mercado, visto que produzimos 40 milhões de toneladas de frutas”, revela.

Segundo o executivo, este ano a entidade já representou os associados (90 empresas atualmente) em feiras como a Gulf Food realizada em Dubai que contou com a presença de cinco empresas brasileiras que efetivaram negócios na ordem de US$ 400 mil e prevêem mais US$ 3 milhões em negócios para os próximos 12 meses.

E no segundo semestre deste ano o Ibraf irá realizar o Brazilian Fruit Festival, ação de promoção, degustação e comercialização de frutas frescas e derivados, em redes de varejo em Dubai. Outro evento na Alemanha terá a participação de uma comissão de produtotes brasileiros.

Negócios

Uma das empresas participantes é a Predilecta Alimentos , que já mantém relação comercial com compradores do Egito e prospecta ampliar seus negócios. De acordo com Ivini Granado , gerente de Exportação da empresa, os produtos da companhia já estão presentes em 55 países e, com a missão, essa participação tende a crescer. “Já vendemos polpa de fruta para o Egito. Nossa projeção é de fazer negócios da ordem de US$ 100 mil em médio prazo e triplicar em três anos”, constata.

A executiva acredita que a efetivação de acordos comerciais são fundamentais para as empresas do setor ampliarem suas margens de negócios. “Alguns países não consomem determinadas frutas e divulgar o produto é fundamental”, conta.

De acordo com Eduardo Moraes , sócio gerente da Latinex , empresa que comercializa produtos alimentícios com sede em Curitiba (PR), a empresa deverá assinar um contrato com um importador líbio para embarcar o equivalente a US$ 60 mil por mês em leite e sucos durante um ano, valor que ele acredita chegar em US$ 100 mil mensais. “A participação na missão do norte da África será uma forma de intensificar nossa presença na região”, conta.

domingo, maio 20, 2007

Boas notícias para o Agronegócio Brasileiro

Em nota tambem publicada na edição 893 da Exame, podemos verificar a retomada do agronegócio brasileiro. No último Agrishow o movimento foi cerca de 42% superior ao ano passado, totalizando R$ 710 milhões de reais.

Quando este número é somado aos números de produção da safra - recorde de 130 milhões de toneladas de grãos e ao aumento da produção de cana (26% de aumento) e ao setor de bebidas (crescimento de 20%) temos um quadro amplamente favorável ao setor.

No levantamento realizado pela Exame para a elaboração do Anuario do Agronegócio aparecem ainda os seguintes dados:
  • 27% do PIB
  • 36% das exportações
  • 37% dos empregos
  • Faturamento de R$ 400 bilhões
  • Lucro de R$ 8 bilhões

Sem dúvida, são excelentes números e com boas perspectivas de crescimento nas próximas safras

Suco de laranja - Não tem para ninguém

A revista Exame em sua última edição, traz uma reportagem sobre o domínio do suco de laranja brasileiro no comércio mundial e o difícil crescimento em um mercado onde as grandes empresas brasileiras já detêm 80% do market share. Os dados de produção e exportação encontram-se na figura ao final do artigo baseados em dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Os concorrentes viraram suco

Por Alexa Salomão

Na esteira do avassalador sucesso do agronegócio brasileiro, um pequeno grupo de empresários locais acaba de consolidar uma posição capaz de matar de inveja seus pares mundo afora. Ao longo de 2006, os fabricantes de suco de laranja alcançaram um domínio quase total do mercado internacional -- atualmente, 81% de todo o suco de laranja negociado é brasileiro, um feito sem paralelo no agronegócio mundial. Consumidores de 70 países já tomam suco made in Brazil. Tal desempenho é sustentado por apenas quatro empresas -- todas sediadas no estado de São Paulo. Cutrale, Citrosuco, Citrovita e Coinbra concentram 90% da produção brasileira e foram responsáveis pela exportação de 2 bilhões de dólares no ano passado. Para conquistar essa posição, as "quatro irmãs" arrasaram a concorrência internacional. "Hoje não existe ninguém capaz de medir forças com a indústria local", diz Paulo Celso Biasoli, ex-executivo da Cutrale e sócio da consultoria GSA. A Flórida, nos Estados Unidos, o grande rival histórico na produção de laranja, vive um período de declínio e já não representa ameaça aos produtores paulistas. Quase 20% das árvores sucumbiram desde o início desta década, vítimas de furacões, pragas naturais e da expansão imobiliária que transforma fazendas em condomínios e resorts. Segundo Thomas Spreen, professor na Universidade da Califórnia e estudioso do setor há 15 anos, a recuperação da Flórida será lenta -- e talvez ela nunca volte a ser o grande produtor de outros tempos. O México, terceiro no ranking, não tem cacife para brigar com o Brasil. "Ainda não temos organização ou infra-estrutura para competir no mercado global", diz Alberto de La Fuente, diretor da Citrofruit, maior indústria mexicana de sucos cítricos. Nem mesmo a China, ameaça a quase todos os setores da economia, parece capaz de encarar a indústria brasileira. Estima-se que os chineses vão demorar uma década para montar sua indústria e abastecer o mercado interno antes de pensar em exportações.

Não é de hoje que o fator sorte -- ou o azar dos concorrentes -- tem ajudado a produção brasileira. A exemplo do que ocorre agora, a entrada do Brasil no mercado internacional, nos anos 60, foi facilitada por uma geada que dizimou milhões de árvores na Flórida, então o maior produtor mundial de laranjas e de sucos, e catapultou os preços. "A indústria brasileira soube aproveitar o momento de fragilidade dos concorrentes e se preparou para ser um grande competidor", diz Maurício Mendes, diretor da Agra FNP, consultoria em agronegócio. Foi nessa época que José Cutrale Júnior, então um comerciante de frutas que herdara do pai uma banca no Mercado Municipal de São Paulo, viu a possibilidade de crescer nos negócios com laranjas e assumiu a Suconasa, uma empresa endividada que serviu de embrião para a atual Cutrale, a maior indústria do setor. Nos anos 70, quando os Estados Unidos se recuperaram, os empresários brasileiros entenderam que era preciso ter escala para ser competitivo e iniciaram um agressivo processo de consolidação. As quatro grandes de hoje compraram nas últimas três décadas mais de 15 indústrias. Houve também preocupação com a infra-estrutura de distribuição. Elas foram pioneiras no transporte a granel, sistema capaz de carregar gigantescas quantidades a custos mais baixos, enquanto a maioria dos concorrentes insistiu em usar os tradicionais latões. Uma das cartadas mais recentes e decisivas foi a instalação de um terminal portuário no Japão no fim dos anos 90, que abriu o mercado asiático para o Brasil.

A ironia é que o sucesso colocou a in dústria brasileira diante de uma questão -- o que fazer para manter o crescimento. Com pouco espaço para ganhar fatias dos concorrentes, a alternativa é vender mais para os mesmos clientes. Existem dois grandes desafios nessa empreitada. O primeiro é atender às novas exigências dos consumidores. O mercado cresceu com a exportação de suco concentrado, mas cada vez mais gente em todo o mundo prefere o suco natural, considerado mais nutritivo. Os fabricantes precisam se reestruturar para essa nova realidade. Igualmente importante será garantir a matéria-prima. Os laranjais têm perdido espaço para outras culturas, como a da cana-de-açúcar, e sofrido com o avanço das pragas naturais. "Desde 1990, a área plantada caiu 21%", diz Mendes, da Agra FNP. "Houve um aumento de 70% na produtividade, mas chegará o momento em que o setor terá de ampliar a cultura para garantir a matéria-prima."


sexta-feira, maio 18, 2007

MIlho transgênico finalmente liberado

Reunião do CTNBio liberou finalmente o milho transgênico da Bayer aumentando para 3 os produtos liberados no Brasil. Veja abaixo a integra da reportagem do Valor Econômico:

APÓS NOVE ANOS NA FILA, MILHO DA BAYER É LIBERADO PELA CTNBIO

Após nove anos de disputas na Justiça entre grupos contrários e favoráveis aos organismos geneticamente modificados, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou ontem, durante reunião aberta ao público por determinação judicial, a liberação comercial do milho transgênico "Liberty Link", produzido pela alemã Bayer CropScience.

Por 17 votos favoráveis, quatro contrários e um pedido de diligência, a maioria do colegiado concluiu que o milho tolerante a herbicidas à base de glufosinato de amônio não apresenta evidências de ameaça à saúde humana, animal ou ao meio ambiente.

A comissão já havia permitido a comercialização no país da soja transgênica "Roundup Ready" (1998) e do algodão "Bollgard" (2003), ambos da multinacional Monsanto.

A decisão dos cientistas da CTNBio será agora submetida ao Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS), composto por 11 ministros de Estado, para a avaliação dos aspectos da "conveniência e oportunidade socioeconômicas e do interesse nacional" da liberação comercial. Para obter o registro definitivo, o produto precisará do voto da maioria absoluta dos ministros - o quórum mínimo do CNBS é de seis ministros.

Caberá à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, convocar a reunião do conselho. "A aprovação não significa que vão sair plantando por aí, até porque não tem semente para isso. Será submetida ao CNBS", afirmou o presidente da CTNBio, o médico bioquímico Walter Colli. Segundo ele, que votou a favor, a liberação do milho da Bayer está condicionada às regras de monitoramento pós-colheita e de coexistência com variedades convencionais. "Sem isso, não se aprova. Já pedi uma minuta sobre isso", afirmou. Mais do que atender aos condicionantes posteriores da própria CTNBio, a primeira espécie de milho aprovado no país enfrentará novas batalhas judiciais. O

Ministério Público Federal continuará a questionar os aspectos processuais da liberação do "Liberty Link" por meio de uma ação de nulidade. "Os pareceristas deveriam ter recebido os documentos apresentados na audiência pública. Me parece que não houve atendimento", afirmou a procuradora regional da República Maria Soares Cordioli, representante do MP no colegiado. "No âmbito administrativo, acho impossível que a comissão possa reverter a decisão. A via é judicial", disse.

A ação deve ser proposta, na Justiça Federal de Brasília, pelo procurador Francisco Guilherme Bastos. Além disso, Cordioli afirmou que o MP pode questionar outras "falhas" no processo, como a falta de estudos de impacto ambiental, de regras de monitoramento e a "viabilidade institucional" da própria CTNBio. Na reunião de ontem, foram apresentados seis pareceres favoráveis e um contrário à liberação do milho transgênico. Sob o argumento da "equivalência substancial" com espécies convencionais, os cientistas defenderam o produto por seus benefícios à agricultura e à liberdade de decisão dos produtores.

Além disso, indicaram a ausência de problemas relatados na literatura científica ou em países onde o milho já foi liberado. Não haveria, segundo as análises, riscos de alergenicidade ou toxicidade do transgênico. O parecer contrário acusou falhas processuais, falta de avaliação de riscos no Brasil, de planejamento para monitoramento e de estudos experimentais, além de respostas genéricas e evasivas da Bayer sobre questões adicionais ao processo. Votaram a favor da liberação Anibal Vercesi, Edilson Paiva, Patrícia Fernandes, Gisele Grilli, Mônica Fragoso, Carlos Moreira Filho, Clóvis Ilha, Walter Colli, Eliana Abdelhay, Alexandre Nepomuceno, Luiz Barreto de Castro, Fernando Torres, Vania Moda-Cirino, Marcio Silva Filho, José Lima Filho e Giancarlo Pasquali (Valor, 17/5/07)

terça-feira, maio 15, 2007

Commodities e a pobreza

Em encontro realizado em Brasília na semana passada a Global Iniciative on Commodities produziu um relatório onde indica que o mercado mundial de commodities tem um papel importante e fundamental na diminuição da pobreza mundial. Veja a seguir nota publicada no site do MAPA (www.agricultura.gov.br).

COMMODITIES NO CENTRO DO DEBATE

A redução da pobreza mundial só será possível se o mercado de commodities estiver no centro do debate da comunidade internacional. Esta conclusão está no documento produzido pelas delegações dos 70 países reunidos no Global Initiative on Commodities e publicado hoje (10/05) em Brasília. O documento conjunto dá sugestões para melhorar a condição de vida de mais de 2,5 milhões de pessoas que tiram dos produtos de base a sua sobrevivência.

O evento, promovido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e pelo Global Fund for Commodities (CFC) pretende chamar a atenção do mundo para a relação entre a produção e comercialização de commodities e o combate à pobreza. “Iniciativas como esta, que pretendem lançar bases a caminho de fixar um marco legal para este mercado, obter transparência, instituir padrões e lutar pela diversificação de culturas são fundamentais para fortalecer o mercado de commodities”, acredita o secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Célio Porto.

Hoje, a discussão sobre commodities – produtos de base, não-industrializados e com baixo valor agregado -- se torna ainda mais importante diante da expansão do mercado de agroenergia, do qual países de clima tropical podem se beneficiar produzindo etanol e biodiese1. “O boom na produção de alguns commodities deve estar conectado à redução da pobreza. Pela sua experiência, o Brasil é capaz de ensinar preciosas lições para os países produtores de commodities”, acredita Lakshmi Puri, diretora da divisão de Comércio Internacional e Commodities da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

Para Célio Porto, o encontro em Brasília é exemplo de como a cooperação sul-sul, entre os países em desenvolvimento, será capaz de influenciar as discussões no âmbito da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). “É preciso combater os subsídios agrícolas praticados por países desenvolvidos e assim permitir a entrada dos commodities nesses mercados. O combate à escalada tarifária – que impõe taxas de importação mais altas à medida que aumenta o grau de industrialização dos produtos – também é uma preocupação dos países dependentes de commodities. “Esse tipo de tarifa impede que produtores obtenham parcela maior de renda sobre o preço do produto final”, explica o diretor-chefe do CFC, embaixador Ali Mchumo