quarta-feira, março 31, 2010

Commodities agrícolas - um pequeno texto para refletir

Encontrei no blog Mundo Agro o post abaixo escrito por Fabiane Stefano sobre agronegócio e commodities que achei muito interessante apesar de ser um texto curto. Serve para reflexão do momento atual do agronegócio:

Agronegócio não é sinônimo de commodity

Estive hoje num seminário promovido pelo Instituto de Economia da Unicamp. O tema era a produção de commodities e o desenvolvimento econômico. Um dos palestrantes do evento era o economista José Roberto Mendonça de Barros, um dos maiores especialistas em agronegócio do Brasil. Para ele, há uma discussão tremendamente ultrapassada no Brasil: a dicotomia entre “o agronegócio dos maus” e a “indústria dos bons”. O agronegócio seria aquele segmento que esgotaria os recursos naturais e pouco investiria em tecnologia – e a indústria o oposto disso. Mendonça de Barros aponta a cadeia do açúcar e álcool como um exemplo do segmento que está se reinventando justamente graças à tecnologia. Até os anos 70, o açúcar era o principal produto das usinas. Depois, vieram o etanol e a co-geração de energia. Agora, a aposta são os bioplásticos. A Coca acabou de anunciar que irá fabricar garrafas PET com 30% de material à base de etanol de cana-de-açúcar. “Hoje, o agronegócio está indo além da produção de commodities. E o que está acontecendo hoje na indústria de açúcar e álcool vai se repetir em outros setores do campo”, diz Mendonça de Barros.

segunda-feira, março 29, 2010

Sede de gigante francesa do açúcar vem para SP

Quem diria um dia que uma grande empresa européia fosse trazer sua sede para cá e listar suas ações na BOVESPA? Pelo visto as coisas realmente mudaram mesmo pois a Tereos, terceiro maior produtor de açúcar do mundo trouxe sua sede para SP como pode ser visto abaixo nas notícias do Valor Econômico e Brasil Econômico com informações da Reuters:

Tereos traz sede e ativos para o Brasil

É a primeira multinacional que transforma o país em seu centro financeiro

O grupo francês Tereos, dono da Açúcar Guarani, quarta maior empresa do setor sucroalcooleiro nacional, escolheu o Brasil para ser o centro financeiro de seu negócio. A companhia trará seus ativos da Europa e da região do Oceano Índico - estimados em € 1 bilhão - para uni-los com a Guarani, numa operação que totaliza € 1,7 bilhão.

Será criada a Tereos International, que abrigará os ativos estrangeiros, com exceção da produção de açúcar de beterraba na França, e terá sede no Brasil. Essa companhia vai incorporar a Guarani.

Após a combinação, o grupo estuda fazer uma oferta de ações no Novo Mercado da BM&FBovespa junto com a listagem em Paris, na Euronext. O grupo Tereos não tem ações negociadas em bolsa. É a primeira multinacional que transforma o país em seu centro financeiro. A companhia no Brasil terá cerca de 80% de todos os ativos do grupo francês.

O negócio combinado terá uma receita líquida da ordem de US$ 2,5 bilhões e um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) de US$ 366 milhões. Sozinha, a Guarani tem receita líquida anual de R$ 1,5 bilhão e lajida de R$ 244 milhões.

O objetivo, com a operação, é preparar a empresa para a consolidação do setor de açúcar e álcool, a partir do Brasil. A principal fonte de receita do negócio externo é o amido. A companhia é dona das marcas Syral, Benp Lillebone e De La Valle, produtora da vodca Grey Goose.

A Guarani tem dívida líquida de R$ 1,1 bilhão, equivalente a cerca de 4 vezes seu lajida. Como a Tereos detém 69% do capital, a empresa está com capacidade limitada tanto para ampliar alavancagem com novas dívidas como para emissões de ações, sem com isso diluir o controle do controlador francês. Após a combinação e antes de uma possível oferta de ações, a dívida deve ficar próxima de 3,2 vezes o lajida. A junção das operações também trará um fluxo de caixa estável ao volátil negócio sucroalcooleiro.

No ano passado, enquanto os demais grupos avançaram na consolidação, a Guarani ficou praticamente parada e seu maior movimento foi a compra de metade de uma pequena usina paulista.

A relação de troca para a incorporação da Açúcar Guarani pela Tereos International ainda não foi determinada. As condições serão estabelecidas por um comitê independente a ser criado.

A expectativa é que a incorporação ocorra no fim de junho. Portanto, a capitalização do negócio só poderia se realizar no segundo semestre. A operação foi assessorada pelo Rotschild (Graziella Valenti).

Grupo Tereos une Guarani com ativos na Europa e Oceano Índico

O terceiro maior produtor de açúcar da Europa, Tereos, anunciou nesta segunda-feira (29) que vai unir sua unidade Açúcar Guarani com ativos do grupo na Europa e Oceano Índico.

A operação formará a Tereos Internacional, terceira maior processadora de cana-de-açúcar do mundo, que terá ações em São Paulo e Paris.

A nova empresa terá receita líquida anual proforma de US$ 2,5 bilhões e combinará a companhia brasileira com ativos de cereais na Europa e de cana-de-açúcar no Oceano Índico. A sede da Tereos Internacional será em São Paulo.

A companhia combinada produzirá açúcar, produtos à base de amido e álcool para o setor de alimentos e outros segmentos, e também produzirá bioenergia (etanol e eletricidade), segundo comunicado divulgado à imprensa. (Por Alberto Alerigi Jr./Reuters)

domingo, março 28, 2010

Agricultura de precisão, será que agora decola?

Sempre fui um entusiasta da Agricultura de Precisão desde os seus primórdios no Brasil em 97, porém desde então tenho ouvido muito falar, mas com baixos níveis de adoção perto de seu potencial. Porém ao ler a edição de sexta do Brasil Econômico parece que aos poucos a tecnologia é adotada. Por causa disso resolvi buscar no site do Brasil Econômico o artigo e publicá-lo abaixo na íntegra:

Agricultura de precisão com GPS e computador

Produtores unem ferramentas de localização, análise do solo e PCs de bordo para diminuir em até 35% os gastos com insumos.

A agricultura de precisão é definida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) como o gerenciamento dos sistemas de produção baseado no conjunto de sinais de satélite e softwares para interpretação de dados geoprocessados.

Não entendeu? Pois o conceito é muito menos complicado do que parece e já faz com que produtores brasileiros economizem 35% com insumos em fazendas do país.

Em outras palavras, trata-se de uma análise precisa do solo que permite que cada trecho receba a quantidade exata de nutrientes que necessita por meio de ferramentas controladas por computador.

Técnicas desse tipo estão começando a ser utilizadas no Brasil, principalmente no estado do Mato Grosso.

O fazendeiro José Eduardo Macedo Soares, que cultiva soja na cidade de Salto do Rio Verde, é um dos produtores que está investindo nessa tecnologia.

Desde o ano passado, Soares utiliza um quadriciclo equipado com sistema de GPS (Global Positioning System) para aplicar os insumos no solo. O GPS faz com que o produtor saiba exatamente onde se deve aplicar cada quantidade de nutrientes, baseado nas amostras de terra analisadas anteriormente.

Os objetivos são redução dos custos de produção, diminuição da contaminação do solo e aumento da produção.

A análise do solo da fazenda de Soares é feita a cada cinco hectares de um total de 1,2 mil. "A terra não é homogênea, por isso não devemos usar a mesma quantidade de nutrientes em toda a área", diz.

Em 2009, o produtor conseguiu economizar 35% nos valores gastos com nutrientes no cultivo de soja por conta da adoção da agricultura de precisão, que demandou investimento de R$ 110 mil em equipamentos.

A meta é expandir o sistema também para os processos de adubação da terra.

Soares optou pelos equipamentos da gaúcha Stara, mas também há outras empresas brasileiras que atuam nesse mercado, como a Arvus, de Santa Catarina. Segundo o sócio Gustavo Raposo Vieira, as fazendas brasileiras ainda estão começando a adotar esse tipo de ferramenta.

O empresário estima que apenas 4% das produtoras de grão de todo o país utilizem a agricultura de precisão. A companhia, que tem dobrado de tamanho desde que surgiu, pretende triplicar o faturamento este ano com o crescimento da adoção da tecnologia no Brasil.

A empresa tem como um dos principais clientes a Fibria, resultado da união da Aracruz Celulose e da Votorantim Celulose e Papel, que tem fazenda de cultivo de eucalipto na cidade de Três Lagoas, no Mato Grosso.

Em setembro do ano passado a empresa alugou cerca de dez máquinas que fazem adubação do solo por meio da agricultura de precisão. Por enquanto, a Fibria utiliza o método em 20 mil dos 154 mil hectares ocupados pela empresa na cidade.

"Como somos uma empresa de capital aberto, é importante utilizar uma tecnologia que reduz fraudes e garante que o adubo foi aplicado", diz Caio Zanardo, coordenador de silvicultura da Fibria, que afirma também que a operação de adubação teve custo reduzido em cerca de 5%.

A meta é expandir o uso da tecnologia para terras de São Paulo e Espírito Santo em 2010. (Carolina Pereira)

quinta-feira, março 25, 2010

A desgastada questão do uso da terra para biocombustíveis

Parece que apesar do Brasil insistir em provar ao mundo que, por estas bandas, é capaz de produzir biocombustíveis sem roubar as terras para a produção de alimentos, nesta semana, em um evento da FAPESP, isso voltou a ser debatido.

O texto abaixo é da Agência FAPESP que encontrei Ethanol Brasil Blog e para complementar encontrei no site do evento, a apresentação de Rodolfo Quintero de onde tirei duas figuras bem representativas. Nelas podemos ver como a produção agrícola e a produção agrícola per capita tem crescido desde a década de 1990, chegando a crescer 10% para o mundo neste período.

Biocombustíveis: uso da terra em questão

A substituição de 25% da gasolina utilizada no planeta por biocombustíveis - dos quais o mais cotado é o etanol de cana-de-açúcar - poderá se tornar uma realidade, satisfazendo boa parte da demanda energética no futuro. Mas muita pesquisa ainda é necessária para calcular com exatidão o impacto desse novo cenário nas mudanças de uso da terra e, consequentemente, na economia.

Essas foram algumas das conclusões apresentadas nesta quarta-feira (24/3) por especialistas em bioenergia na Convenção Latino-Americana do projeto Global Sustainable Bioenergy (GSB), realizada na sede da FAPESP, em São Paulo.

O principal desafio proposto pelo GSB consiste em responder, de forma consistente, se é possível substituir 25% do petróleo utilizado no setor de transportes por biocombustíveis, sem comprometer a produção de alimentos e os habitats naturais. etanol+vantagens+desvantagens

Para Roldolfo Quintero, professor da Universidade Autônoma Metropolitana (México), um grande número de estudos, levando em conta diferentes cenários, indica que é possível realizar a substituição de 25% de biocombustíveis em todo o mundo.

"Acredito ser mesmo possível atingir essa marca com um esforço científico que aumente a produtividade dos insumos utilizados para fazer o biocombustível. É necessário, no entanto, que nos afastemos das culturas empregadas na alimentação. Entre os biocombustíveis, o etanol é a melhor opção, mas o etanol feito de milho não é, definitivamente, uma boa resposta para o problema", disse.

Segundo Quintero, há um consenso geral em relação à capacidade dos biocombustíveis para contribuir com a segurança energética, com a mitigação das mudanças climáticas e com o desenvolvimento social e rural.

"Na minha opinião, o foco deve ser o etanol, que hoje corresponde a 77% da produção de biocombustíveis. Essa produção é liderada pelos Estados Unidos e pelo Brasil, que, juntos, dominam 81% dos biocombustíveis e 91% do etanol. No entanto, precisamos observar que a porcentagem de redução de gases de efeito estufa obtida com o etanol de cana-de-açúcar é expressivamente maior do que a obtida com o etanol de milho", disse.

Os questionamentos relacionados às mudanças no uso da terra provocadas pelo etanol - cuja produção poderia substituir o uso da terra para agricultura - são decorrentes unicamente do uso de milho para fabricação do biocombustível, na opinião do mexicano. "Só o etanol de milho ameaça a agricultura e a segurança alimentar", afirmou.

Segundo ele, os Estados Unidos são os maiores exportadores do mundo de milho, vendendo o produto para mais de 90 países. "Esses países importadores podem sofrer as consequências se a produção de etanol de milho tentar suprir a demanda mundial de etanol", disse.

O México, segundo Quintero, importa dos Estados Unidos 10 milhões de toneladas anuais de milho - o equivalente a um terço do consumo mexicano do cereal. "Em 2009, os Estados Unidos produziram 10,6 bilhões de galões de etanol, o que necessitou de 18 milhões de acres de plantio de milho, ou cerca de 21% da área total dedicada à cultura", afirmou.

Quintero acrescentou que o desenvolvimento tecnológico terá um papel crucial no futuro dos biocombustíveis. "A tecnologia tem muito potencial nesse campo. Se a segunda geração de biocombustíveis entrar em cena nos próximos anos, o cenário será consideravelmente alterado. Há grande progresso nesse sentido. O número de patentes relacionadas a biocombustíveis cresceu de 147, em 2002, para 1.045 em 2007. Já existem mais de 60 plantas piloto para testes com etanol celulósico em países como Brasil, Estados Unidos, Canadá, Espanha, Alemanha, Dinamarca, Suécia e Japão", destacou.

RELEVÂNCIA DA ECONOMIA

Para André Meloni Nassar, diretor-geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), a utilização de modelos econômicos é absolutamente necessária para avaliar de forma eficiente as mudanças de uso da terra que serão causadas pela futura produção em larga escala de biocombustíveis.

"A análise econômica é imprescindível para a análise da mudança do uso da terra, porque não é possível explicar as causas e efeitos dessas mudanças sem considerar as alterações dos preços dos produtos em questão. Por outro lado, é preciso dispor de dados locais para alimentar os modelos econométricos. Se usarmos dados genéricos de organizações internacionais, teremos um número tão grande de hipóteses que dificilmente será possível estimar as mudanças no uso da terra", afirmou.

Sob coordenação de Nassar, o Icone desenvolveu um novo modelo econométrico que, ao contrário dos utilizados anteriormente, leva em conta a realidade brasileira no que diz respeito à modificação do uso da terra pelo aumento da demanda de produção de etanol.

O modelo demonstrou que o etanol brasileiro reduz as emissões de gases de efeito estufa em 61% - e não em 26%, como estabeleciam os cálculos anteriores -, convencendo a Agência Norte-Americana de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) a reconsiderar sua avaliação sobre o etanol de cana-de-açúcar, classificando o produto brasileiro como "biocombustível avançado".

A questão dos preços, segundo Nassar, é crucial. "No caso do Brasil, a discussão sobre o impacto do aumento de produção de biocombustíveis sobre a disponibilidade de alimentos, em longo prazo, não é tão importante como parece, porque mesmo que haja substituição do uso da terra há ainda disponibilidade de terras agricultáveis e a produção de alimentos pode ser transferida. O verdadeiro problema nessa questão são os efeitos de curto prazo dessa dinâmica, decorrentes dos preços."

De acordo com Nassar, para que os modelos sejam bem-sucedidos, é preciso combinar a análise econômica a dados geoespaciais. "Construir um modelo não é tão difícil - com uma equipe de quatro pessoas conseguimos fazer em apenas dois anos um modelo bem-sucedido", disse.

"O mais difícil é conseguir os dados para explicar os padrões de mudanças do uso da terra. O principal desafio é que não se pode usar dados globais. E fazer isso em nível nacional exige grande esforço, com uso de imagens de satélite e informações georreferenciadas", afirmou.

segunda-feira, março 22, 2010

Mercado de carbono - Será que um dia pega?

O mercado de carbono ainda está em seu início apesar de tudo o que já foi falado. Espero que um dia este mercado decole pois, a agricultura brasileira tende a ganhar neste cenário. Para entender um pouco melhor a situação atual, encontrei na semana passada três notícias no BrasilAgro.

A primeira dela da Folha Online comenta sobre a opinião do famoso colunista do New York Times, Thomas Friedman que acredita é necessário taxar o carbono para que a economia verde prospere, a segunda da Agência Estado que fala sobre o anúncio de que o governo paulista criou um fundo para financiar investimentos que reduzam a emissão de gases de efeito estufa e por fim, uma notícia do DCI, que mostra que mercado de crédito de carbono deve ter giro de 6 bilhões de dólares em 2020, apesar de ter movimentado apenas 125 milhões no mundo inteiro no ano passado.

É preciso taxar carbono para ter economia verde, diz colunista do "NYT"

O jornalista norte-americano Thomas Friedman, um dos principais colunistas do "New York Times", afirma que os EUA podem "voltar aos trilhos" e recuperar sua liderança global com investimentos maciços em tecnologias de energia limpas.

Para isso, será necessária uma estrutura tributária que preveja, por exemplo, taxação sobre o preço do carbono, segundo entrevista de Natália Paiva publicada na terça-feira (16) na Folha de S. Paulo.

Essa é a ideia central do livro "Quente, Plano e Lotado" (ed. Objetiva, 605 págs.), que chega às livrarias brasileiras no dia 24 (quarta-feira).

A publicação é um aprofundamento do best-seller "O Mundo é Plano" (ed. Objetiva), que desde 2005 vendeu 85 mil exemplares só no Brasil.

Para ele, mesmo que algumas pessoas não acreditem no aquecimento global, há cada vez mais delas se juntando à classe média mundial e consumindo como americanos. Além disso, o mundo está cada vez mais "lotado", com mais pessoas no geral.

Desta forma, Friedman chama a atenção para que os países invistam em "segurança energética, nacional e econômica, companhias inovadoras e respeito global". Ele diz querer que todos aspirem a ser uma nação assim, especialmente a dele.

O entrevistado não crê em decisões tomadas em conferências globais. "Na falta disso, quero liberar meus inovadores e engenheiros para tentar o mesmo objetivo por meio da inovação", declara ele.

SP financiará empresa que reduzir emissão de gases

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), anunciou hoje a criação de uma linha de financiamento para projetos que reduzam a emissão de gases causadores do efeito estufa em empresas de médio e pequeno porte do Estado. O lançamento ocorre antes mesmo de o governo estadual concluir o inventário dos setores produtivos mais poluidores, instrumento que servirá de base para estabelecer metas setoriais de redução de emissões, como prevê a Política Estadual de Mudanças Climáticas. De acordo com a lei, sancionada em novembro, o diagnóstico seria o primeiro passo para o processo de redução das emissões do Estado em 20% até 2020.

A linha de crédito Economia Verde tem como limite o total de recursos da própria agência de fomento paulista, a Nossa Caixa Desenvolvimento, de R$ 600 milhões. Quando terminarem os aportes do Banco do Brasil pela compra do banco Nossa Caixa, o capital da agência chegará a R$ 1 bilhão. Serra prometeu destinar mais recursos para a área se necessário. "Se os recursos escassearem, por excesso de demanda, será uma grande notícia. Nós trataremos de abrir outras linhas, inclusive com financiamento externo do BNDES. A taxa de juros é ''de mãe''", definiu o governador, ao se referir à taxa de 6% ao ano.

O anúncio foi feito durante seminário sobre sustentabilidade promovido pela Nossa Caixa Desenvolvimento para um público de 600 pessoas no Auditório do Ibirapuera, na capital paulista. Serra discursou por 15 minutos sobre os feitos de sua gestão na área ambiental. "Nossa Lei de Mudanças Climáticas é a mais avançada do Brasil e, sem risco de exagero, a mais avançada do Hemisfério Sul", afirmou.

Cotado para disputar a Presidência, Serra colocou o lançamento da linha de crédito como um modelo para o País. "O projeto é inovador no nosso Estado e no Brasil. Vamos dar um belo efeito de demonstração", disse o tucano. "Sem dúvida é um programa para o BNDES fazer também." Questionado se, caso fosse eleito presidente, implantaria a ideia em âmbito nacional, sorriu, virou as costas e encerrou a entrevista coletiva à imprensa.

EMPRESAS

A linha de crédito Economia Verde anunciada hoje emprestará recursos para empresas com faturamento anual entre R$ 240 mil e R$ 100 milhões, a juros anuais de 6% corrigidos pelo IPC-Fipe e com prazo de pagamento de até cinco anos, com um ano de carência e financiamento de 100% do projeto. Os empreendedores interessados deverão submeter à Nossa Caixa Desenvolvimento, por meio de entidades de classe, projetos que resultem na redução da emissão de gases de efeito estufa de sua empresa. Serão beneficiados os setores de agroindústria, transportes, saneamento, energia, indústria, construção civil e de recuperação florestal e manejo de resíduos.

A Nossa Caixa especificou 22 projetos que podem pleitear financiamento da Linha Verde. Alguns deles: substituição de combustível fóssil por combustível alternativo, substituição de energia não renovável por energia renovável, tratamento e aproveitamento de resíduos (como reciclagem), redução de perda energética no processo produtivo, instalação de aparelhos que reduzam a geração de gases poluentes, reflorestamento, construções sustentáveis e elaboração de inventários de emissão de gases de efeito estufa.

Mais informações podem ser obtidas no site da agência de fomento, no endereço www.nossacaixadesenvolvimento.com.br.

Crédito de carbono deve ter firo de US$ 6 bilhões no Brasil

A BM&F Bovespa realizará no próximo dia 8 de abril o primeiro leilão de créditos de carbono no mercado voluntário. Ao todo serão leiloadas 180 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) equivalente (a unidade corresponde a um crédito de carbono), em três lotes de 60 mil cada um. Os dois primeiros lotes têm valor de saída de R$ 10. Para o último lote, o preço será de R$ 12. O maior lance vencerá o leilão on-line, cujo tempo máximo será de 15 minutos. A expectativa da Bolsa é captar acima de R$ 2 milhões.

A expectativa do mercado mundial é de que a venda de créditos (asset) gere US$ 170 milhões este ano, sem a entrada do governo norte-americano na conta. Ano passado, o mundo negociou US$ 125 milhões em CO2 equivalente. Em 2020, a previsão é de movimentar US$ 3 trilhão no mundo e US$ 6 bilhões no Brasil.

Segundo o Banco Mundial, os principais compradores de créditos entre janeiro de 2004 e abril de 2005 foram o Japão (21%), a Holanda (16%), o Reino Unido (12%) e o restante da União Europeia (32%). Em termos de oferta de créditos (volume), a Índia lidera o ranking, com 31%. O Brasil possui 13% do share, o restante da Ásia (inclusive China) tem 14%, e o restante da América Latina, 22%.

Para o banco, o Brasil será beneficiado como vendedor de créditos de carbono e também como alvo de investimentos em projetos engajados com a redução da emissão de gases poluentes, como é o caso, por exemplo, do biodiesel. Pela projeção da instituição, o País poderá ter uma participação de 10% no mercado de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), equivalente a US$ 1,3 bilhão em 2007.

Levantamento do mercado aponta que os projetos na área de biocombustíveis equivalem a 50% dos projetos de redução da emissão de carbono no Brasil.

O diretor executivo da Cantor CO2 - empresa de serviços financeiros para os mercados de energia e meio ambiente -, Divaldo Rezende, explica que existem dois grandes mercados mundiais: o voluntário e o regulado. O primeiro é feito por países e empresas que não têm obrigação de reduzir a emissão de CO2, como é o caso do Brasil. Por sua vez, o segundo mercado, o regulado, existe para países e empresas que são obrigados a reduzir os níveis do poluente, nos quais o não-cumprimento da meta implica multa. "A tendência é que o mercado voluntário seja incorporado antes de o mercado estar regulado."

A negociação de contratos futuros de crédito de carbono já ocorre na Bolsa de Chicago e em países como Canadá, República Tcheca, Dinamarca, França, Alemanha, Japão, Holanda, Noruega e Suécia. Futuramente, entrará em vigor o mercado regional europeu, batizado de European Union Emission Trading Scheme.

Rezende destaca que gerar créditos de carbono não é um processo simples. Ele exemplifica citando a construção de uma linha de metrô. "É preciso avaliar se o carbono foi importante ou não para executar a obra. Depois disto há a verificação de entidades independentes, para gerar o título ou não. O passo seguinte é negociar", complementa.

O diretor executivo ressaltou que a cotação do asset caiu durante a crise financeira, porque os bancos se desfizeram dos papéis, com o que o preço despencou. "A cotação era de 33 euros antes da crise; já pela cotação da terça-feira o valor era pouco mais de 11 euros. O preço, porém, deve subir em breve". Segundo ele, hoje, a exportação de carbono já ocupa a 17ª posição na pauta de comércio brasileira.

LEILÃO

Para o gerente de Produtos da BM&F Bovespa, Guilherme Fagundes, a maior dificuldade de se fazer um leilão deste tipo de ativo era a comprovação de que ele é único e a não-negociação dupla do produto. "Hoje existe um sistema que funciona de forma similar à de um banco, que garante que o título é único", afirma o gerente. De acordo com Fagundes, quando a empresa compradora utiliza o certificado para neutralizar a emissão, o contrato torna-se inválido, e nunca mais será negociado novamente. "É a grande garantia para o comprador e para o emissor."

Outra forma de utilização do título é a negociação em mercados futuros. "Muitos compradores revendem, como se faz com um título, e especulam o preço para ganhar dinheiro", explicou.

Ele projeta que quando o mercado de carbono amadurecer será possível a venda "a termo", não somente "à vista". "Hoje é preciso ter uma cesta de projetos reunidos para que a Bolsa possa efetuar o leilão. Os leilões serão feitos caso a caso, projeto a projeto. A Bovespa garante a transparência e credibilidade." Fagundes afirmou que a documentação dos interessados deve ser entregue em corretoras cadastradas na Bovespa até o dia 5 de abril.

De acordo com a Bovespa, os créditos a serem leiloados foram gerados a partir de nove projetos de biomassa renovável em cerâmicas localizadas em São Paulo (Panorama, Paulicéia), Pará (São Miguel do Guamá), Pernambuco (Lajedo, Paudalho), Sergipe (Itabaiana), Minas Gerais (Ituiutaba) e Rio de Janeiro (Itaboraí).

Pinhão manso no espaço?

Parece que cientistas estão usando o espaço para melhorar a tecnologia de produção do pinhão manso. Podemos ver isso na reportagem abaixo que encontrei no Portal Exame.

Vale tudo para melhorar a produtividade das culturas energéticas.

Biocombustível poderá vir do espaço
Com patrocínio da NASA, pesquisadores tentam encontrar formas de melhorar a produção de energia em plantas usadas para fabricação de biocombustível testando sua reação no espaço.
Paula Rothman, de INFO Online

Há algum tempo, cientistas da Universidade da Flórida vêm investigando as propriedades da Jatropha curcas, também conhecida como pinhão manso.

A planta tem capacidade de produzir uma grande quantidade de óleo, que pode ser convertido em biocombustível.

Decidida a testar os limites da planta, a equipe de cientistas planejou realizar alguns testes em um laboratório nada convencional, e enviou células de jatropha curcas à Estação Espacial Internacional. É em pleno espaço que o experimento chamado de National Lab Pathfinder-Cells 3 deve revelar se a microgravidade pode influenciar no crescimento das culturas.

Estudando os efeitos no espaço, os cientistas aqui da Terra pretendem acelerar o processo de cultivo comercial, melhorando a estrutura da célula, seu crescimento e desenvolvimento. Esse é o primeiro estudo a analisar os efeitos a microgravidade em células de uma planta biocombustível.

As culturas foram lançadas com o ônibus espacial Endeavour, durante a missão STS-130 em fevereiro. Elas foram enviadas à Estação Espacial em frascos especiais com nutrientes e vitaminas e serão expostas à microgravidade até abril, quando retornam para a Terra com a missão Discovery STS-131.

Para controle, amostras idênticas às enviadas estão sendo cultivadas na Universidade da Flórida.

domingo, março 21, 2010

ABAG faz reivindicações aos presidenciáveis

A ABAG (Asssociação Brasileira do Agronegócio) se antecipou e elaborou lista com 16 pedidos aos candidatos à presidência. Esta ação é de extrema importância e mostra ao futuro presidente algumas ações que devem ser tomadas. A notícia abaixo é da Assessoria de Imprensa da ABAG que encontrei no Portal do Agronegócio:

Abag enumera propostas a presidenciáveis
Entidade setorial entregará lista com 16 pleitos e aguardará o posicionamento dos principais candidatos

Os representantes do agronegócio reunidos sob o guarda-chuva da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag) elaboraram uma lista com 16 tópicos com as reivindicações do setor para entregar aos quatro principais candidatos à presidência da República. A ideia é que os pedidos sejam analisados para que cada candidato grave um vídeo com suas respectivas propostas para o agronegócio, que serão apresentados no próximo Congresso da Abag, marcado para agosto deste ano.

Apesar de a ideia parecer nova, os pleitos do setor são basicamente os mesmos de quatro anos atrás. As propostas de mudanças partem do orçamento e papel do Ministério da Agricultura, passam pela defesa sanitária, infraestrutura e segurança fundiária e chegam ao meio ambiente e sustentabilidade. Os demais itens tratam de crédito, seguro rural, marketing, agroenergia, pesquisa e relações internacionais, além de tributação, contratos nas cadeias, certificações e montagem institucional.

"O agronegócio tem que usar sua força para trabalhar na implementação de seus anseios que não têm sido atendidos. Da lista entregue em 2006, um percentual próximo a zero foi atendido, sendo identificado uma melhora apenas na questão dos organismos geneticamente modificados", diz Carlo Lovatelli, presidente da Abag.

Mesmo com a longa lista de reivindicações, o próprio setor reconhece que as questões tributária e fundiária, a infraestrutura deficitária e o meio ambiente são os quatro principais temas mais problemáticos. "Os 16 temas apresentados podem ser reavaliados. Queremos a contribuição de todos, já que cada setor tem a sua agenda e sabemos que não existe um consenso do próprio agronegócio. Nossa intenção é chegar o mais próximo disso", diz Lovatelli.

A ideia da Abag é que o documento a ser entregue aos candidatos apresente o contexto de cada item, mostre o objetivo do setor com cada um dos pedidos e as melhores estratégias a serem adotadas. Mesmo com a intenção de detalhar ao máximo os pedidos para facilitar o entendimento dos candidatos, o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues defendeu a apresentação de um número menor de propostas, que envolvam todos os pleitos do setor.

"Nosso problema não é falta de políticas para o agronegócio. O que falta é uma estratégia de Estado para o setor que envolva todos os ministérios necessários, porém, com a coordenação da [Pasta] Agricultura. Essa estratégia deve ser lastreada nas metas a serem apresentadas neste documento", disse Rodrigues.

O ex-ministro lembrou que, mesmo diante do peso do agronegócio para a economia do país, nenhum representante do setor foi chamado para compor o Grupo de Acompanhamento da Crise, criado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, no ano passado