quinta-feira, julho 31, 2008

Considerações sobre agricultura de um romano do ano 30 AC

Na revista DBO Agrotecnologia de junho/julho de 2008 (Edição nº 16) encontrei um artigo interessante, onde o Eng Agronômo Fernando Penteado Cardoso, mostra trechos interessantes do texto de Marcus Terentius Varro, estudioso romano que viveu por volta do ano 30 A C. Os textos foram encontrados no livro “Cato and Varro on Agriculture” traduzido por E. D. Hooper and H. B. Ash - Harvard University Press, 1999.

Estes trechos mostram como se pensava a agricultura 2.000 anos atrás. Escolhi apenas dois temas muito atuais, deixando os outros para serem vistos diretamente no site da DBO Agrotecnologia no formato pdf, clicando aqui.

Naquela época já se pensava em algo que muita gente aqui no Brasil em pleno século XXI não quer fazer: Integração Lavoura – Pecuária:

“A associação entre as duas [agricultura e pecuária] é muito íntima, considerando que, freqüentemente, é mais lucrativo para o proprietário da fazenda ministrar a forragem no mesmo local do que a vender, e considerando que o esterco está admiravelmente adaptado para as árvores frutíferas e que o gado fica especialmente apto a produzi-lo. O dono de uma fazenda deve ter conhecimento das duas áreas, agricultura e pecuária, e também da criação em confinamento”.

O outro tema é algo que infelizmente ainda não resolvemos plenamente no Brasil: Logística

“A fazenda torna-se mais lucrativa pela facilidade do transporte: se existem estradas pelas quais os carros possam facilmente ser conduzidos, ou existam rios navegáveis nas proximidades. Sabemos que o transporte é feito por esses dois sistemas tanto na direção das fazendas, como a partir delas”.

Aquecimento global ou exagero?

Saiu hoje no Valor Econômico uma reportagem da Associated Press que, caso fosse publicada em outro veículo, muitos iriam dar risadas. A reportagem em questão trata do uso de protetor solar em vinhedos:

Nos EUA, vale até protetor solar para salvar plantações do calor
Tracie Cone, Associated Press

Assim como as pessoas causam danos à pele por exposição ao sol, frutas e vegetais também podem sofrer graves queimaduras. E é por isso que muitos agricultores estão aplicando protetores solares a suas culturas para prevenir a formação de bolhas, estresse por calor e manchas. "Em vista da alta nos custos de produção, os agricultores estão procurando ampliar suas margens onde for possível", diz Ed Lagrutta, da Western Farm Services, que cultiva oito hectares e faz testes em centenas de outros.

Manchas solares numa maçã Granny Smith podem significar a diferença entre um preço menor, para transformação em suco, ou venda no mercado mais lucrativo de frutas frescas. No caso de nozes, os compradores pagaram em 2007 a média 3 centavos de dólar a mais pela libra-peso de nozes tratadas com protetores solares do que por não tratadas, disse Lagrutta.

As mudanças climáticas e secas na Austrália e na Califórnia significam difíceis condições de cultivo para os agricultores, que estão afetando qualidade, produtividade e preços das colheitas. Os protetores amenizam ao menos uma das preocupações dos produtores, que perdem dinheiro com cada fruto ou vegetal prejudicado pelo sol.

"O estresse por calor vai se tornar um problema para as plantas, sobretudo quando provoca novas doenças", diz Eric Wood, professor de engenharia civil e ambiental na Universidade Princeton.

As plantas reagem ao estresse solar como os seres humanos. Elas transpiram, e isso significa que quanto mais sobem as temperaturas, mais água necessitam. Em vista das secas que vêm afetando diversas das principais regiões agrícolas do mundo, os cientistas estão buscando maneiras de poupar recursos ajudando as plantas a consumi-los em menor quantidade.

Até agora, a argila vinha sendo para esse fim, mas agora uma empresa californiana está obtendo resultados positivos com um produto (SPF 45) feito de cristais multicristalinos de carbonato de cálcio, produzidos para defletir as luzes ultravioleta e infravermelha de plantas e árvores sobre as quais é pulverizado. O produto "repele" a luz nefasta, mas permite a penetração dos raios de luz bons que promovem a fotossíntese que contribui para o amadurecimento.

O protetor solar já foi testado na Austrália e no Chile, onde raios ultravioletas afetam a produção, e está em seu segundo ano de testes de campo na Califórnia. Os testes revelam que seu impacto imediato está fazendo crescer as colheitas, ao reduzir os defeitos resultantes de estresse hídrico, mas a empresa que o fabrica espera que o produto também possa desempenhar um papel na conservação de água e energia, por incrementar a eficiência das plantas no uso de água.

O protetor solar Purshade, produzido pela Purfresh, atraiu recentemente 20 pesquisadores e consultores de produtos agrícolas americanos e internacionais para um bosque de nogueiras nas proximidades de Visalia, Califórnia.

O produto também está sendo testado em tomates, uvas, kiwis e lichias na Austrália, diz Kerrie Mackay, que trabalha para uma companhia de Queensland que vende produtos para proteção de colheitas, que segundo ela está sofrendo sua pior seca em 140 anos.

"Queimaduras de sol são um grande problema", diz. "Sofremos uma das mais intensas incidências de luz ultravioleta em todo o mundo. Com a seca e as mudanças climáticas, descobrir maneiras de usar água mais eficientemente é sempre importante para nós."

O vale Shenandoah, nos sopés da árida serra Nevada, nem de longe assemelha-se a ao temperado vale do Napa, mas Dick Cooper, da Cooper Vineyards vem cultivando uvas para vinhos especiais desde a década de 80 usando caramanchões para proteger os vinhedos.

Em anos anos secos, a planta desenvolve-se lentamente e as áreas de pinot grigio ficam enrugadas como o aspecto retorcido de oliveiras. Pelo segundo ano, Cooper espalhou o protetor solar Purshade em diversos de seus canteiros de uvas brancas para protegê-las. Ele diz que durante o esmagamento das uvas os cristais de carbonato de cálcio vão para o fundo dos tanques de fermentação com o resto do sedimento que vem com os bagos. E o sabor não é afetado.

quarta-feira, julho 30, 2008

Açúcar de beterraba – alguns dados

Muito se fala sobre a quantidade de terras na produção de cana-de-açúcar no Brasil. A área atual encontra-se em torno de 7 milhões de hectares e para minha surpresa, encontrei em um relatório da F. O. Lichts de 12 de maio que tratava da estimativa de produção de açúcar de beterraba na Europa, a área destinada à produção de beterraba açucareira na Europa desde 2000.

Apesar da área total estar em queda, devido principalmente à queda dos subsídios, podemos observar no gráfico abaixo que, atualmente são utilizados cerca de 3,5 milhões de hectares para a beterraba. Isto nos mostra que, mesmo sendo menos eficiente do que a cana-de-açúcar, a beterraba açucareira ainda é matéria-prima de muito açúcar consumido na Europa.

Corroborando estes dados, encontrei também em outro relatório da F. O. Lichts de 14 de maio, dados sobre as 15 maiores empresas produtoras de açúcar no mundo. As empresas e suas respectivas produções estão mostradas no gráfico abaixo:

Neste gráfico podemos verificar que somente três empresas são brasileiras: Copersucar, COSAN e Santelisa Vale e uma quarta empresa a Tereos tem parte da produção obtida no Brasil através do Açúcar Guarani. Outro aspecto interessante é que as duas maiores empresas produzem açúcar apenas da beterraba.

Aumenta consumo de café no Brasil

Outro dia fui surpreendido por um dado muito interessante sobre o consumo brasileiro de café. Eu tinha uma percepção de que o consumo interno crescia, nos últimos anos, de forma orgânica, ou seja, a baixas taxas de crescimento anuais. Acreditava também que estava ocorrendo uma alteração nos padrões de consumo com movimentos em direção ao café gourmet.

Entretanto, para minha surpresa, encontrei dados publicados na primeira edição da revista Terra Viva que sinalizam para algo na direção oposta ao que eu imaginava.

Os dados, disponíveis na figura abaixo, mostram que enquanto a população brasileira passou de 146 milhões em 1990 para 184 milhões em 2007, o consumo de café saltou de 8 milhões de toneladas para mais de 17 milhões no mesmo período. Portanto, o crescimento médio anual do consumo foi de 4,5% para um crescimento médio anual de 1,4% para a população. Isto nos mostra a diferença entre as taxas de crescimento.

Com relação ao consumo per capita, houve um aumento dos valores de 5,6 kg por ano por pessoa em 1990 para 9,6 em 2007, ou seja, um aumento de 66% no consumo per capita.


segunda-feira, julho 28, 2008

As 4 gigantes do agronegócio mundial na cana

As 4 gigantes empresas de agronegócio mundo, o chamado ABCD - ADM, Bunge, Cargill e Dreyfus, estão entrando no mercado de açúcar aqui no Brasil.

A reportagem abaixo do Valor Econômico fala da entrada da ADM neste setor. A ADM é a última a entrar. A Bunge já possui uma usina, Santa Juliana, a Cargill participação na Cevasa e Itapagipe e a Dreyfus a São Carlos, Cresciumal e Luciânia, além das quatro que pertenciam ao Grupo Tavares de Melo.

ADM estréia na produção de álcool no Brasil

Mônica Scaramuzzo, De São Paulo

A gigante americana de etanol e grãos Archer Daniels Midland (ADM) deve anunciar no dia 20 de agosto sua estréia na produção de álcool no Brasil. O Valor apurou que a companhia será sócia de uma usina em Jataí (GO) e terá uma participação em outra unidade no mesmo Estado.

O anúncio deverá ser feito pela CEO da companhia, Patricia Woertz, que chega ao país no dia 19 e volta para os EUA três dias depois. A sociedade deverá ser formalizada durante a passagem da executiva pelo Brasil. A gigante assinou um pré-acordo de sociedade com o Grupo Cabrera, comandado pelo ex-ministro da Agricultura Antonio Cabrera. Patricia não pretende falar com a imprensa durante sua visita. E aproveitando sua estadia no Brasil, visitará a Amazônia.

Cabrera tem dois empreendimentos sucroalcooleiros no Estado de Goiás. Uma das usinas está sendo erguida em Jataí, no sudoeste goiano, e a outra unidade - que ainda não saiu do papel - deverá ser construída em Itarumã. Os investimentos totais em cada usina estão estimados em R$ 400 milhões pelo mercado.

Os dois projetos de usina de álcool prevêem moagem de 3 milhões a 4 milhões de toneladas cada uma. A primeira unidade deverá entrar em operação em 2010. O Valor apurou que a ADM deverá ser acionista majoritária da unidade de Jataí e terá participação minoritária na unidade de Itarumã.

Com 82 mil habitantes, a cidade de Jataí tem quatro projetos para construção de usinas de etanol. Um deles, em fase mais adiantada, está sendo coordenado pelo grupo Cosan e entra em operação em 2009. O outro está sendo tocado pelo grupo Cabrera, e começa a operar em 2010.

André Rocha, presidente do Sindicato das Indústrias de Açúcar e Álcool de Goiás, confirmou o investimento da ADM no Estado. Goiás tem uma produção estimada de 33 milhões de toneladas de cana na safra 2008/09. Mas nem todo esse volume será processado pelas 19 usinas no Estado este ano por causa do clima. "Vários grupos voltaram-se para o Estado de Goiás porque há terras disponíveis."

Fundada em 1902 e com sede em Decatur, Illinois, a ADM é uma das maiores indústrias agrícolas do mundo, com faturamento líquido de US$ 44 bilhões em 2007. Gigante em grãos, a ADM também é a maior produtora de etanol de milho dos EUA.

No Brasil, a ADM está entre as principais processadoras de soja. O interesse do grupo em produzir álcool no Brasil é antigo, mas o projeto não saía do papel porque a empresa não encontrava um forte parceiro agrícola. Nos últimos meses, a CEO da companhia esteve várias no país, visitando possíveis áreas para o grupo fazer investimentos. Procurada pelo Valor, a ADM informou, por meio de sua assessoria, que o grupo mantém "constante interesse no mercado brasileiro e no setor de açúcar e álcool. No entanto, ressalta que não há qualquer acordo firmado, no momento".

Já o grupo Cabrera foi fundado em 1895 pelo avô do ex-ministro. Com tradição em pecuária leiteira e soja, a família Cabrera decidiu investir em usina em 2006. Além dos investimentos em Goiás, os Cabrera também estão fazendo aportes em uma usina sucroalcooleira no Triângulo Mineiro, em Limeira do Oeste. Procurado, Cabrera confirma os projetos de Goiás. Em relação ao seu futuro sócio, o ex-ministro não confirma, mas não desmente a parceria com o grupo americano

sábado, julho 26, 2008

Briga de gigantes no debate “Alimentos x Combustíveis”

Em notícia do Dow Jones publicada no site da CNN (disponível aqui em inglês) mostra que um grupo de empresas do agronegócio americano estão participando da Aliança para Alimento e Energia Abundante, uma organização cujo principal objetivo é mostrar que a tecnologia pode superar a escassez global de alimentos. Além da ADM, fazem parte desta aliança a Monsanto, DuPont e Deere & Co.

Do outro lado, contra os subsídios da produção americana de biocombustíveis, encontram-se as empresas que utilizam grãos como matérias-primas como, por exemplo, a Tyson Foods.

Para entrar no site da Aliança para Alimento e Energia Abundante clique aqui.

sexta-feira, julho 25, 2008

Raças bovinas - um guia

Encontrei na internet, um site muito interessante do Departamento de Ciência Animal da Universidade Estadual do Oklahoma com uma descrição rápida e fotos das principais raças bovinas em ordem alfabética. Para acessar o site clique aqui:

Neste site também existem sites com variedades caprinas, ovinas, equinas, suinas e de aves.

As páginas encontram-se em inglês.